Jorge Picciani volta à Alerj e diz que não expulsa Cabral do partido: ‘Decisão inócua’

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), voltou a ocupar o cargo nesta quarta-feira (4), após três meses de licença para tratar um câncer. No retorno, Picciani falou pela primeira vez sobre a condenação de Sérgio Cabral (PMDB).

Presidente do partido no Estado, Picciani descartou a possibilidade de abrir um processo de expulsão contra o ex-governador, mesmo após a pena de 45 anos de prisão. A afirmação foi feita em entrevista ao G1.

“Não, de forma nenhuma. Cabral tem serviços prestados ao PMDB enormes, está fora da vida partidária. Evidentemente não participa. Seria uma decisão inócua expulsar alguém que não está participando. Não faço política dessa forma. Sou pragmático. Não vejo que efeito possa ter”.

O retorno do presidente da Alerj foi celebrado nos corredores da Casa, onde recebeu beijos e abraços de líderes partidários – tanto da situação, quanto da oposição. Os parlamentares celebraram o poder de articulação de Picciani, que respondeu a perguntas sobre seu estado de saúde, e abusou do bom humor.

À reportagem, brincou sobre a impossibilidade do governador Pezão se candidatar novamente ao Governo do Estado. “O Pezão nem pode (ser candidato), já foi reeleito. Graças a Deus”, ironizou. Mais sério, disse que o governador foi “incansável” na assinatura do Regime de Recuperação Fiscal, embora aponte defeitos em seu mandato.

“Na recuperação fiscal, Pezão tem responsabilidade enorme. Assim como nós, a Alerj, também. Eu e o presidente (da Câmara) Rodrigo Maia ajudamos muito para que chegasse a um bom termo, mas Pezão foi incansável. Tem muito mérito nisso, mas tem também responsabilidade por não ter reconhecido tamanho da crise e ter demorado a tomar decisões que acabaram agravando a crise. Isso falo desde o primeiro semestre de 2015. Em março, pela queda de receitas federais, avisei que crise se avizinhava”, afirmou. 

Paes candidato em 2018

De acordo com o presidente da Alerj, Eduardo Paes deve ser o nome do PMDB na eleição para o Governo do Estado do ano que vem. No plano nacional, ele reconhece que será mais difícil encontrar um nome para candidatar-se à presidência da República. “Não tem”. A reportagem questionou se o nome do próprio Jorge Picciani não era uma possibilidade. Ele negou.

“Vou brigar com o deputado Zaqueu Teixeira por votos em Queimados”, disse em alusão ao deputado do PDT que, assim como ele, é campeão de votos na cidade da Região Metropolitana e acompanhava a entrevista à espera de uma reunião. Fora da sala, funcionários da Casa aguardavam simplesmente para cumprimentá-lo.

“Vou concorrer como candidato a deputado estadual. Ainda está muito cedo (para falar em presidência da Alerj). Primeiro tem que combinar com o povo e vencer as eleições”, concluiu.

Condução coercitiva dias antes do afastamento

Conduzido coercitivamente dias antes do afastamento para se tratar do câncer, Piccciani avalia que a decisão foi injusta. “Nas delações, há uma hipótese de que tentam atingir sempre alguém de cima. Sei como me conduzi, jamais negligenciei com meus mandatos e cometi ato de ofício para beneficiar ou prejudicar quem quer que seja”, afirma.

Dentro dessa hipótese, ele não descarta novas citações que – diz o deputado – serviriam somente para beneficiar o próprio delator. “Tenho filho de 2 meses e de 38 anos. Tenho que tocar a vida. Não duvido que isso ocorra, mas não tenho essa preocupação. É acordar cedo, trabalhar, cuidar dos meus filhos e exercer com dignidade meu mandato”.

Fonte: g1.com

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