Jovem é suspeita de estrangular filha recém-nascida

Quatro dias depois de nascer, uma menina foi morta por asfixia e provavelmente submetida antes a uma sessão de espancamento. A mãe dela, uma jovem de 20 anos e viciada em drogas, é apontada como a principal suspeita dos crimes. A bebê foi encontrada morta na manhã de ontem com lesões no crânio, tórax e sangramento na boca e nariz em uma casa no Bairro Jardim dos Bandeirantes, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Wuênia Tânia Soares dos Santos alegou que a filha passou mal quando era amamentada durante a madrugada. Já o laudo preliminar da causa morte da recém-nascida aponta que as lesões encontradas nela são típicas de esganadura. A jovem foi presa.

O crime aconteceu em uma casa na Rua Joaquim Carmagos, onde Wuênia, que seria garota de programa, estava morando de favor com uma amiga. Segundo a dona do imóvel, de 18 anos, ao chegar em casa pela manhã, após passar a noite na casa do namorado, encontrou a amiga aos prantos dizendo que a filha tinha passado mal e morrido. “Ela disse que a língua da bebê enrolou e que ela tentou reanimar a menina, mas não conseguiu”. revela. Em seguida, a suspeita pediu para que a amiga não chamasse a polícia porque ela iria ser presa e deixou o local.

SOCORRO

Assustada com a situação, a moradora pediu socorro para uma vizinha que, ao entrar no imóvel, encontrou a bebê em cima da cama com um cobertor tampando o corpo da cabeça aos pés . A mulher contou que a criança estava nua, gelada, rígida e ainda tinha sangue na boca e nariz. Apesar de constatar imediatamente a morte, as duas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que confirmou o óbito. A Polícia Militar também foi acionada.

De acordo com o sargento Nilton Braga, testemunhas contaram que a jovem estava na companhia de um homem de madrugada e que essa pessoa foi vista pedindo leite aos vizinhos para dar à menina. Após esse episódio, as testemunhas disseram não ter ouvido nenhum barulho e nem choro da criança. Ainda segundo o PM, após buscas a suspeita foi encontrada no bairro vizinho Água Branca, na casa de um ex-companheiro, que seria o pai da bebê morta e com quem ela tem um filho de três anos.

Aos policiais, a jovem negou o crime e admitiu ter usado cocaína durante toda a noite. Por volta das 3h, ela contou foi amamentar a menina e ela estava enrolando a língua. Ela afirmou ainda que tentou sacudir a filha na tentativa de reanimá-la, e que nesse momento a cabeça da bebê teria batido na pia. As outras lesões, segundo ela, também teriam acontecido em função da suposta tentativa de salvamento.

Levada à Polícia Civil, a suspeita confirmou a versão dada aos militares para o delegado de plantão da 6º Delegacia, Josué Silva Brandão. A autoridade, com base nos laudos preliminares do Instituto Médico Legal, entendeu que houve um assassinato. “Ele alegou que a menina passou mal, só que não é plausível a versão em razão das lesões encontradas na menina, típicas de esganadura, que levaram à morte por asfixia”. Sobre as demais lesões, o delegado disse que não há como afirmar se houve sessão de espancamento, ou se aconteceram quando a criança era esganada. O delegado autuou a jovem por homicídio duplamente qualificado – por emprego de asfixia e pelo fato de a vítima não ter chance de defesa. O delegado disse que o indiciamento foi feito com base nas apurações iniciais, e podem ter desdobramentos com o aprofundamento das investigações. “Os elementos indicam que não foi um acidente e que a morte foi provocada. Mas nada impede que a investigação mais apurada possa levar a um entendimento diverso”, justifica.

Pessoas próximas suspeita disseram que ela não tinha endereço fixo e ficava morando de favores desde que brigou com a mãe. Ela ainda seria usuária de drogas e se prostituía para sustentar o vício. As amigas disseram ainda que a menina nasceu na última terça-feira dentro de um carro, à caminho do Hospital Municipal de Contagem. Apesar do incidente, a menina nasceu saudável, com mais de três quilos e mãe e filha receberam alta no dia seguinte. “Ela estava feliz e tinha muito carinho pela bebê, não acredito que ela tenha matado a menina”, defendeu uma amiga da suspeita.

Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Participe do debate. Deixe seu comentário