Lava-Jato bate nas portas do judiciário com suspeitas sobre relator Marcelo Navarro

Desde que teve início, a Operação Lava-Jato já ameaçava o alto clero da República. Mandou para a cadeia banqueiros, empresários, advogados e até um senador ainda no mandato. E foi exatamente a prisão desse senador que levanta discussões sobre a legalidade da prisão, que vem assombrando agora, o ato clero da justiça no Brasil Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor de negócios internacionais da Petrobrás, Nestor Cerveró, preso na operação, gravou cerca de 90 minutos de conversa com Delcídio Amaral, líder do governo no Senado, com o banqueiro André Esteves, do BTG e com o advogado Edson Ribeiro.

Bernardo Cerveró afirmou em seu depoimento à Procuradoria Geral da República que em uma reunião em que participou o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), no Rio, em que era tratada da “movimentação política para obtenção de habeas corpus” foi discutida a nomeação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de sobrenome “Navarro”. Marcelo Navarro Ribeiro Dantas é o relator dos processos da Lava Jato no STJ, nomeado em setembro para o cargo pela presidente Dilma Rousseff.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]“Essa reunião serviu para tratar de movimentação política para a obtenção de habeas corpus, havendo sido discutida uma nomeação de Ministro para o STJ que iria acontecer em breve”, afirmou Bernardo, em depoimento prestado à PGR no dia 19 de novembro. O termo faz parte das tratativas da família que levaram ao fechamento do acordo de delação premiada do ex-diretor e que levou para a cadeia o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, e o banqueiro André Esteve, dono do BTG Pactual, por tentativa de obstrução as apurações da Lava Jato;

“Uma das nomeações discutidas era de alguém de Natal/RN, lembrando-se o depoente do sobrenome Navarro”, completou Bernardo. “O tom da conversa era o de que o nomeado ‘iria resolver monocraticamente’, ‘foi indicado por não sei quem’, ‘é um legalista’.”

O encontro teria ocorrido em uma seguradora, no Rio de Janeiro, em prédio na Rua Anfilófio de Carvalho, no Centro. “Essa reunião foi marcada por Edson Ribeiro”, afirma Bernardo. Ele era o advogado de Cerveró na Lava Jato, que tentava junto com Delcídio impedir o ex-diretor de fazer delação. Ele foi um dos presos pela Polícia Federal, no plano de tentar obstruir as investigações e oferecer uma rota de fuga para Cerveró.

Bernardo conta que nesta reunião estavam ainda advogados, como Felipe Caldeira e Nélio Machado – que foi defensor do lobista Fernando Baiano, que era o responsável pelas contas secretas de Cerveró e também fez acordo de delação. “Bem como o senador Delcídio Amaral e seu assessor Diogo (Ferreira, chefe de gabinete também preso).”

“Ao final da reunião, já com o clima mais descontraído, o senador Delcídio Amaral chamou o depoente e Edson Ribeiro para um canto e disse, em tom sério, ‘olha, já está tudo certo, o pessoal de São Paulo está viajando, mas, quando voltar, vai resolver os seus honorários (dirigindo-se a Edson Ribeiro) e garantir ajuda para a família (dirigindo-se ao depoente).”

Escuta ambiental. Na gravação feita por Bernardo, de uma hora e meia, no dia 4 de novembro, em um hotel de luxo em Brasília, que Delcídio, seu chefe de gabinete e o advogado Edson Ribeiro foram flagrados tentando comprar o silêncio de Cerveró e patrocinar a fuga do ex-diretor do País, o nome de Ribeiro Dantas também foi citado pelo senador.

“O STJ, ontem eu conversei com o Zé Eduardo muito possivelmente o Marcelo na Turma vai sair”, afirma o senador, ao tratarem de um habeas corpus que teria sido apresentado pela defesa de Cerveró. “Acredito”, responde o advogado de Cerveró.

“A decisão, a decisão foi muito, a decisão que negou pro Dantas, né, foi muito … sem nada né, literalmente assim deixa jogar pra Turma”, completa o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira.

“Pois é, jogar pra turma pra turma julgar né. Isso acho que é bom”, diz Delcídio. (Leia a reportagem completa de Fausto Macedo no Estadão)

Com essas novas informações, começa a ficar muito clara, praticamente transparente, uma relação promíscua entre setores do judiciário com políticos encalacrados com a justiça. Vai ver, deve ser por isso que ações envolvendo políticos acusados de crimes comuns demoram tanto para serem julgadas. A pergunta que fica é, quem julga o judiciário?

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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