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Maior ação contra facções: MPSC denuncia 164 na Operação Coluna Sul

Ação histórica do GAECO aponta estrutura hierárquica em seis estados. Réus respondem por organização criminosa ultraviolenta, com pedido de indenização coletiva

Maior ação contra facções: MPSC denuncia 164 na Operação Coluna Sul
📷 MPSC
📋 Em resumo
  • O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 164 pessoas por integração a uma facção criminosa na Operação Coluna Sul.
  • A investigação identificou uma estrutura hierárquica rígida, com 31 líderes, 74 coordenadores operacionais e 60 membros da base.
  • A denúncia abrange crimes de organização criminosa ultraviolenta, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas em seis estados.
  • O MPSC requer a divisão do processo em 23 ações penais e uma indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado por danos morais coletivos.
  • Por que isso importa: A ação representa o maior esforço já realizado pelo GAECO em SC para desarticular redes que integram o sistema prisional ao crime nas ruas
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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou denúncia contra 164 indivíduos apontados como integrantes de uma facção criminosa, que é considerada a ação com o maior número de réus nesse contexto na história da instituição. A Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), expôs uma estrutura complexa que atuava em seis estados brasileiros.

A arquitetura do crime organizado

A denúncia, estruturada em mais de 1.500 páginas pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, detalha uma organização com rígida divisão de funções. A investigação identificou 31 denunciados no alto escalão de comando, 74 com funções intermediárias de coordenação, disciplina ou gestão operacional, e 60 na base da organização.

A facção, denominada internamente como “Coluna Sul”, era responsável por coordenar atividades em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A estrutura incluía setores especializados para recrutamento, comunicação interna, administração financeira e logística de armamentos.

"A organização criminosa ultraviolenta mantinha um sistema próprio de controle de armamentos, com aquisição, cadastramento, armazenamento e remanejamento entre seus integrantes."

Um dos pontos mais graves apontados pelo MPSC é a utilização de adolescentes na estrutura da organização. A investigação revelou a existência de uma nova normativa interna que permite o "batismo" de integrantes a partir dos 16 anos, com procedimentos individualizados de ingresso documentados durante as apurações.

Crimes e a estratégia processual

Todos os 164 denunciados respondem pela suposta promoção ou integração de organização criminosa ultraviolenta, nos termos da legislação vigente, o que agrava as penas em caso de condenação. Além disso, 21 investigados também são acusados de tráfico de drogas e três por comércio ilegal de armas de fogo.

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Devido à complexidade e ao volume de provas, o MPSC requereu à Justiça a divisão processual em 23 ações penais distintas. O objetivo é facilitar a tramitação judicial e garantir a individualização das condutas atribuídas a cada investigado, evitando a nulidade do processo por excesso de volume ou confusão probatória.

Além das sanções penais, o Ministério Público requereu a fixação de indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado, a título de reparação pelos danos morais coletivos causados pelas atividades atribuídas à organização.

A Operação Coluna Sul

Deflagrada em 1º de julho, a ofensiva foi coordenada pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, com apoio de órgãos de segurança de diversos estados. A operação ocorreu simultaneamente em seis unidades da federação, abrangendo 30 municípios catarinenses e cidades no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Na ocasião, foram cumpridos 132 mandados de busca e apreensão e realizadas 147 prisões, sendo oito em flagrante. As equipes apreenderam celulares, armas de fogo, munições, drogas e documentos considerados essenciais para a instrução do processo.

Contexto e antecedentes

A 39ª Promotoria de Justiça da Capital atua no combate às organizações criminosas na Grande Florianópolis e, desde julho de 2025, possui abrangência estadual, assumindo a investigação de crimes ligados a facções em todo o território catarinense. A Operação Coluna Sul é um desdobramento direto das investigações iniciadas na Operação Maserati, demonstrando a continuidade e o aprofundamento do trabalho de inteligência do GAECO.

O peso da desarticulação estrutural

A magnitude da Operação Coluna Sul revela um desafio persistente: a simbiose entre o crime organizado nas ruas e a gestão de atividades ilícitas a partir de dentro do sistema prisional. O uso de aplicativos de mensagens para transmitir ordens de lideranças custodiadas para membros em liberdade mostra que a prisão física não significa, automaticamente, o fim do comando criminoso.

Agora, o desafio se transfere para o Poder Judiciário. A divisão da denúncia em 23 ações penais é uma manobra processual necessária, mas que testará a celeridade da Justiça catarinense. A pergunta que fica é se a máquina judiciária conseguirá processar esse volume de informações com a mesma eficiência com que o MPSC as coletou, ou se a morosidade processual se tornará a maior aliada da impunidade que a operação buscou combater.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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