Maior pronto socorro de Rondônia está superlotado e recebe fiscalização

Denúncia envolve falta de leitos e insalubridade no Hospital João Paulo II.
‘Tá difícil né? Com o sol quente batendo em mim’, reclama paciente.

O Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) realizou uma fiscalização no Hospital João Paulo II, na manhã desta segunda-feira (31), em Porto Velho. Médicos percorreram corredores, pátio e alas como a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A ação foi feita após denúncias de superlotação no pronto socorro, que é o maior do estado e recebe pacientes de toda a região.

Foi constatado que pacientes recebem atendimentos em qualquer área do hospital, o que pode ser prejudicial à saúde, pelo risco eminente de contaminação. Macas e pacientes estão espalhados pelos corredores, enquanto outros nem maca possuem, recebendo o atendimento na cadeira. É o caso do agricultor Dirceu Rodrigues, que recebeu atendimento da enfermeira no corredor. “Tem um monte de gente nos corredores aí que, até pra andar está dando trabalho. Tá complicada a situação do hospital, viu?”, lamenta o agricultor.

Ao lado do depósito de lixo, em uma maca desde domingo (30), está Jean Carlos da Silva. O paciente sofreu um acidente de moto e diz que, por mais que a maca esteja próximo de um local em que se exala o odor do lixo, ao menos está recebendo atendimento. “Tá difícil né? Com o sol quente batendo em mim”, reclama o paciente.

Quem trabalha no local reclama das péssimas condições de trabalho e das cobranças, mesmo com o contingente baixo e recebendo pouco apoio. Os profissionais também alegam que colegas de serviço estão doentes devido às más condições de trabalho no Hospital João Paulo II.

Ana Paula Cruz é presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e explica como os enfermeiros trabalham no local. “Você tá vendo o pessoal fazendo o curativo e mosca passando ao redor. Além do que, tem vários pacientes que estão em cima da maca, sem leçol, isso quando não estão no chão”, denuncia.
O presidente do Cremero, Rodrigo Almeida, diz que o conselho entrará na Justiça para que providências sejam tomadas. “Há falta de vagas na enfermaria e na UTI. O risco é muito grande para os pacientes. O Conselho vai acionar a Justiça, porque ainda não temos o poder de interdição do local”, afirma.

Denúncia
Na última semana, denúncias sobre a superlotação do Hospital João Paulo II foram realizadas. Os pacientes reclamavam da falta de leitos, e de condições para a permanência no local.

Mesmo sendo o maior pronto socorro de Rondônia, o hospital possui apenas 128 leitos , porém, diariamente, mais de 300 pessoas chegam ao local sentindo fortes dores, a maioria, por causa de acidentes de trânsito. Alguns já passaram por cirurgia, e outros esperam pelo procedimento.

A direção do pronto-socorro confirma que os pacientes estão do lado de fora por causa da superlotação. “Superlota, mas eu tenho equipe super dedicada voltada justamente para salvar vidas. Na medida que vamos encaminhando os pacientes para o hospital de base, encaminhamos os pacientes para o interior do hospital”, diz o diretor do Hospital João Paulo II, Carlos Eduardo.

Ao site local, a Secretaria de Saúde de Rondônia (Sesau) disse, por telefone, que 50 vagas de leitos de UTI vão ser abertas no mês que vem, numa parceria com hospitais particulares. A secretaria disse também que um pronto-socorro com 100 leitos está sendo construído em Cacoal (RO), cidade que fica distante cerca de 500 quilômetros de Porto Velho.

Com informações do G1

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