Poder e Bastidores

Mais de 1.750 avistamentos de francês acusado de matar a família já foram registrados; caso ganhou repercussão por série da Netflix

Conde Xavier Dupont de Ligonnès desapareceu após o assassinato da esposa e quatro filhos do casal

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A série ‘Mistérios sem Solução', disponível no catálogo da Netflix exibe um dos casos mais emblemáticos e misteriosos do mundo, o desaparecimento sem pistas do francês Xavier Dupont de Ligonnès, cuja família remonta a monarquia francesa da região de Versalles. O pai de Xavier era conde e o filho herdou o título.

O crime chocou a cidade de Nantes, onde ele vivia com a esposa e quatro filhos. No episódio, vizinhos e amigos relatam que a família era considerada ‘perfeita', todos bonitos e saudáveis. O único problema, porém, de acordo com as investigações, é que Xavier estaria falido, e com vergonha, assassinou a família, cujos corpos só foram descobertos enterrados embaixo da varanda da casa, quase duas semanas após todos terem sido dados como desaparecidos.

Depois do crime, para ganhar mais tempo, Xavier teria enviado uma carta, em nome de toda a família, alegando que eles haviam partido para os Estados Unidos, onde ele teria sido contratado como ‘espião do DEA', a agência anti-drogas do governo americano.

Amigos e familiares, porém, duvidaram e após a quinta visita da polícia a residência que parecia intocada, os corpos foram encontrados.

Avistamentos

De acordo com a polícia francesa, os chamados "avistamentos" do Sr. Dupont de Ligonnès são regularmente relatados à polícia, e têm sido desde que ele começou a fugir. A maioria é descartada, pois se baseia em avistamentos à distância com poucas evidências. No final de março deste ano, o promotor público de Nantes, Renaud Gaudeul, disse que, até o momento, "mais de 1.750 relatos" de pessoas que viram Xavier Dupont de Ligonnès foram "recebidos e investigados", na França e no exterior.

Isso aumentou desde a publicação em 2024 de um livro - intitulado Xavier, mon frère, présumé innocent - por Christine Dupont de Ligonnès, sua irmã.

A maioria dos relatos, no entanto, acaba sendo nada mais do que avistamentos de alguém não relacionado, que parece vagamente semelhante

Investigações sérias

A polícia ainda leva alguns relatos muito a sério, no entanto, com investigadores trabalhando internacionalmente na tentativa de encontrar o Sr. Dupont de Ligonnès.

Em outubro de 2019, autoridades escocesas prenderam um homem suspeito de ser o Sr. Dupont de Ligonnès no aeroporto de Glasgow e o levaram sob custódia.

Testes de DNA confirmaram que o homem era de fato chamado Guy Joao, que era na verdade um aposentado que vivia em Yvelines e viajava regularmente de e para a Escócia.

Outra denúncia e investigação de alto nível aconteceu em 2018, quando um "monge" no mosteiro Saint-Désert-des-Carmes, na vila de Roquebrune-sur-Argens (Var; Provence-Alpes-Côte d'Azur) foi dito ser parecido com o Sr. Dupont de Ligonnès.

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A polícia viajou ao mosteiro "respeitosamente", disseram na época, mas a visita foi desafiadora, pois todos os monges fizeram voto de silêncio e normalmente não têm permissão para falar.

A polícia sentiu que o voto de silêncio dos monges poderia ter funcionado em benefício do suspeito; no entanto, o homem relatado como parecido com o suspeito simplesmente parecia semelhante à distância.

Essa denúncia foi levada a sério porque o Sr. Dupont de Ligonnès foi visto oficialmente pela última vez no departamento de Var em abril de 2011. Imagens de câmeras de segurança o mostraram sacando € 30 em um caixa eletrônico, após sair de um hotel Formule 1. Ele também passou férias de verão em Var quando criança

Dupont foi filmado sacando 30 euros em um caixa eletrônico dias após o crime

O crime

Os corpos de Agnes Dupont de Ligonnès, 48 anos, e seus quatro filhos - Arthur, 21, Thomas, 18, Anne, 16, e Benoît, 13 - foram encontrados enterrados no jardim da casa da família em 21 de abril de 2011. As autópsias revelaram que todas as vítimas haviam sido mortas a tiros, com o que parecia ser uma arma com silenciador. O patriarca da família, Xavier, desapareceu na mesma época e nunca mais foi visto, tornando-se instantaneamente o principal suspeito do crime.

O que torna este caso particularmente intrigante é o aparente contraste entre a imagem da família e a natureza hedionda do crime. Os Dupont de Ligonnès eram vistos como uma família cristã exemplar, bem integrada em sua comunidade. Xavier era conhecido como um homem charmoso e sociável, o que torna difícil para muitos compreender como ele poderia ter cometido um ato tão brutal contra sua própria família.

As investigações revelaram que, nos dias que antecederam o crime, Xavier havia feito preparativos meticulosos. Ele cancelou as assinaturas da família, retirou os filhos da escola alegando uma mudança repentina para os Estados Unidos, e até enviou cartas para parentes e amigos informando sobre a suposta mudança. Essas ações calculadas sugerem um plano cuidadosamente elaborado, aumentando ainda mais o mistério em torno do caso.

Dupont era cosiderado um ótimo pai

Ao longo dos anos, várias teorias surgiram tentando explicar os motivos por trás do crime. Especialistas em criminologia e psicologia forense têm se debruçado sobre o caso, tentando decifrar o "labirinto mental" de Xavier Dupont de Ligonnès. Algumas hipóteses sugerem que problemas financeiros ou uma crise existencial profunda poderiam ter desencadeado suas ações, enquanto outras especulam sobre possíveis transtornos mentais não diagnosticados.

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O desaparecimento de Xavier adiciona uma camada extra de complexidade ao caso. Apesar de extensas buscas e inúmeros alarmes falsos ao longo dos anos, ele permanece em fuga, alimentando teorias conspiratórias e especulações sobre seu paradeiro. A última vez que foi visto com certeza foi em 15 de abril de 2011, quando câmeras de segurança o capturaram saindo de um hotel em Roquebrune-sur-Argens, no sul da França.

O caso Dupont de Ligonnès tornou-se um fenômeno midiático na França, com documentários, livros e séries de televisão explorando os vários aspectos do crime. A cobertura contínua reflete não apenas o fascínio do público com casos criminais não resolvidos, mas também a natureza perturbadora deste crime em particular, que desafia a compreensão convencional da dinâmica familiar.

Mais de uma década depois, o mistério em torno de Xavier Dupont de Ligonnès e o destino de sua família continua a intrigar investigadores e o público em geral. O caso permanece aberto, com as autoridades francesas ainda em busca de respostas e do homem que se tornou um dos criminosos mais procurados da Europa.

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Enquanto a justiça e as famílias das vítimas aguardam por respostas, o caso Dupont de Ligonnès serve como um lembrete sombrio de que, às vezes, os crimes mais chocantes podem ocorrer nos lugares mais inesperados, desafiando nossa compreensão da natureza humana e deixando cicatrizes profundas na sociedade.