Mais de 60 funcionários ficam trancados em instituto de peste na Sibéria após morte de técnica
Mais de 60 funcionários do Instituto Antipeste de Irkutsk ficaram confinados nas instalações desde sexta-feira (2/10), dormindo em cadeiras e no chão, após a morte de uma técnica de laboratório de 28 anos com suspeita de peste pneumônica
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- Uma funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, identificada como Darya Shipilova, de 28 anos, morreu na quinta-feira (1º/10) com diagnóstico oficial de "pneumonia de etiologia desconhecida"
- Mais de 60 funcionários do instituto ficaram confinados dentro do prédio desde sexta-feira (2/10), dormindo em cadeiras e no chão enquanto aguardavam resultados de exames, segundo relatos obtidos pela Rádio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL)
- Veículos russos independentes relataram que Shipilova teria quebrado acidentalmente um tubo de ensaio com a bactéria Yersinia pestis; as autoridades negam qualquer acidente
- Cerca de 200 pessoas seguem sob observação médica; parentes em quarentena podem ser liberados na próxima semana, segundo o governador de Irkutsk
- O presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu ajuda à Rússia, e o Departamento de Estado americano afirmou monitorar a situação com os Centros de Controle de Doenças (CDC)
- Por que isso importa: mesmo com as autoridades classificando o risco como baixo, a resposta das autoridades russas — incluindo o isolamento de dezenas de pessoas dentro do próprio instituto — ampliou a preocupação internacional
Uma funcionária de laboratório do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, identificada como Darya Shipilova, de 28 anos, adoeceu e morreu em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, levando as autoridades a colocar dezenas de pessoas em quarentena. A novidade confirmada desde a última atualização: mais de 60 funcionários do próprio instituto ficaram confinados dentro do prédio desde a sexta-feira (2/10), dormindo em cadeiras e no chão enquanto aguardavam resultados de exames — segundo relatos de funcionários e familiares obtidos pela Rádio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL) junto ao veículo independente Sibéria.Realidades.
"Eles trancaram todo mundo para isolamento a partir de sexta-feira, mais de 60 pessoas", disse um parente de um funcionário do instituto à RFE/RL, acrescentando que, até sábado (3/10), nenhum teste havia dado positivo. Parentes puderam levar comida até um ponto de controle no local.
O que se sabe sobre a morte
Shipilova foi internada na terça-feira (29/9) com quadro de insuficiência respiratória grave e morreu na quinta-feira (1º/10), no Hospital Distrital de Shelekhov. As autoridades russas mantêm a versão de que ela morreu de "pneumonia de etiologia desconhecida" e afirmam não haver evidência de acidente envolvendo manuseio de patógenos no instituto.
Veículos russos independentes, como o Liudi Baikala (People of Baikal), relataram — citando fontes não identificadas ligadas a serviços de segurança regionais — que Shipilova teria quebrado acidentalmente um tubo de ensaio contendo a bactéria viva Yersinia pestis em 25 de setembro. O órgão regulador de saúde russo, Rospotrebnadzor, nega essa versão. Até o momento, não há confirmação oficial independente de nenhuma das duas versões — nem do acidente relatado pela imprensa independente, nem da negativa oficial russa.
Adicionando confusão ao caso, o líder da vizinha república da Buriácia, Alexei Tsydenov, chegou a confirmar publicamente que a mulher havia morrido de peste, para depois suavizar a declaração, acrescentando a palavra "possivelmente".
A situação no instituto e a reação internacional
Segundo o governador de Irkutsk, Igor Kobzev, nenhum novo caso entre funcionários do instituto foi registrado nos últimos dias, e os parentes e contatos próximos que seguem em quarentena poderão ser liberados na semana que vem. Cerca de 200 pessoas que tiveram contato com Shipilova permanecem sob observação médica, segundo autoridades russas.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado confirmou que está "acompanhando de perto" a situação, em conjunto com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e outras agências. O presidente Donald Trump classificou o episódio como um "grande problema para a Rússia" e se ofereceu publicamente para ajudar Moscou. Países vizinhos como Cazaquistão e Quirguistão também passaram a monitorar a situação e adotaram medidas preventivas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém a avaliação de que, com base nas informações disponíveis, o risco à saúde pública para a população em geral "parece ser baixo", devendo atualizar a análise conforme novos dados surjam.
Não há, até o momento, qualquer evidência pública de que o laboratório de Irkutsk estivesse desenvolvendo a peste como arma biológica, nem de que a morte da funcionária tenha relação com programas militares — essa é uma hipótese que não encontra respaldo em nenhuma das fontes consultadas, apesar de especulações nas redes sociais.
Sobre a doença
A peste é endêmica na Sibéria — região do primeiro surto humano pré-histórico conhecido —, já que a bactéria Yersinia pestis está presente em pequenos mamíferos selvagens, com pulgas desses roedores funcionando como vetor. Ainda assim, é raro que russos adoeçam da doença, ao contrário de outras regiões do mundo, como a África, onde há registros anuais de casos. A peste pneumônica — forma que afeta os pulmões e permite transmissão por gotículas no ar — pode ser tratada com antibióticos se diagnosticada rapidamente, mas é potencialmente fatal entre um e seis dias se não tratada.
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