Eleições 2026

Mariana Carvalho intensifica campanha ao Senado na Zona Leste de Porto Velho

Candidata ao Senado pelo União Brasil percorre bairros da capital rondoniense com foco em escuta ativa, em uma estratégia que mistura presença de rua e experiência parlamentar para reconstruir capital eleitoral após derrota em 2022 e em 2024

Mariana Carvalho intensifica campanha ao Senado na Zona Leste de Porto Velho
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • Mariana Carvalho (União Brasil) percorre bairros da Zona Leste de Porto Velho em agenda de campanha ao Senado
  • Candidata defende modelo de "política de ouvir" e destinação de recursos como marca de seu mandato na Câmara
  • Estratégia busca recompor base eleitoral após derrota para o Senado em 2022 e para a Prefeitura de Porto Velho em 2024
  • Aliança com Hildon Chaves (pré-candidato ao governo) e Silvia Cristina compõe chapa da Federação União Progressista
  • Por que isso importa: A disputa pelo Senado em Rondônia é um termômetro da reorganização do campo de centro-direita no estado e da capacidade de Mariana transformar reconhecimento em voto efetivo após duas derrotas consecutivas
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Mariana Carvalho (União Brasil), ex-deputada federal por dois mandatos e candidata ao Senado Federal por Rondônia, intensificou sua campanha eleitoral na última segunda-feira (24) com uma agenda de rua na Zona Leste de Porto Velho. Acompanhada do candidato a deputado estadual Fernando Silva no bairro Marcos Freire e do candidato a deputado estadual Dr. Santana no Residencial Porto Madero 2, a médica e bacharel em Direito ouviu demandas de moradores sobre saúde, infraestrutura, segurança e mobilidade — e reforçou uma das marcas que pretende levar para Brasília: presença e diálogo.

A estratégia de campanha de Mariana Carvalho não é nova. Eleita deputada federal em 2014 com 60.324 votos (7,55%) e reeleita em 2018 com 38.776 votos (4,95%), ela acumulou oito anos de mandato na Câmara dos Deputados, período em que chegou a ocupar o cargo de 2ª Secretária da Casa (2017-2019) e foi vice-líder do PSDB. A experiência, no entanto, não se traduziu em vitoriosa nas urnas em 2022, quando concorreu ao Senado e ficou na segunda colocação com 263.522 votos (32,08% dos válidos), superada por Jaime Bagattoli, que recebeu 293.396 votos (35,81%).

"Eu acredito muito nessa política de ouvir. Quem mora aqui sabe exatamente o que precisa melhorar. Meu papel é escutar, entender essas necessidades e levar essas demandas para Brasília, buscando caminhos e recursos para transformar a realidade."

Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)

Como a agenda na Zona Leste traduz a estratégia de campanha

Os bairros percorridos por Mariana Carvalho — Marcos Freire e Residencial Porto Madero 2 — representam um eleitorado de perfil médio e médio-baixo na capital rondoniense, com demandas recorrentes por infraestrutura, saúde pública e segurança. Ao escolher esses territórios para uma agenda de escuta, a candidata sinaliza que pretende recompor sua base fora do centro da cidade, onde a concorrência eleitoral é mais acirrada e onde o voto costuma ser mais volátil.

Durante os encontros, a candidata destacou que conhecer as necessidades da população é fundamental para construir propostas que "realmente façam sentido". Para ela, estar nas comunidades permite compreender de perto problemas que "muitas vezes não aparecem nos números". A retórica combina duas mensagens: a do gestor técnico — alguém que sabe ler dados e destinar recursos — e a do representante comunitário — alguém que está no chão, ouvindo quem vive a realidade.

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A presença de candidatos a deputado estadual ao lado de Mariana reforça outro pilar da estratégia: a construção de uma chapa territorial. Fernando Silva e Dr. Santana atuam como multiplicadores de alcance em regiões específicas da capital, enquanto a candidata ao Senado carrega a bandeira do nome nacional. É um modelo clássico de campanha proporcional-majoritária, em que o voto para o Senado arrasta o voto para a Assembleia Legislativa — e vice-versa.

A reconstrução do capital político após duas derrotas

A trajetória eleitoral de Mariana Carvalho nos últimos quatro anos é um estudo de caso sobre a volatilidade do voto em Rondônia. Em 2022, ela obteve a maior votação já registrada para uma mulher ao Senado no estado — 263.522 votos —, mas não se elegeu porque a vaga era única naquele ciclo. Em 2024, liderou o primeiro turno para a Prefeitura de Porto Velho, mas viu a vantagem evaporar no segundo turno.

"Eu não quero fazer uma campanha distante das pessoas. Quero estar nas ruas, ouvir as famílias e construir junto. Porque é assim que a gente sabe onde precisa trabalhar e onde pode fazer a diferença. Eu já fiz muito por Rondônia e quero, no Senado, fazer ainda mais."

Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)

O que está em jogo na disputa pelo Senado em Rondônia

Em 2026, Rondônia elegerá dois senadores — diferentemente de 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa. A mudança no formato altera completamente a matemática eleitoral. Mariana Carvalho já demonstrou capacidade de atrair mais de 260 mil votos, um volume que, em uma eleição para duas vagas, pode ser suficiente para a eleição. O desafio, porém, é manter esse eleitorado fiel enquanto concorre com nomes consolidados e novas lideranças que emergem no estado.

A convenção da Federação União Progressista, realizada no dia 3 de agosto de 2026, em Porto Velho, homologou Mariana como pré-candidata ao Senado ao lado de Silvia Cristina, também candidata ao Senado, e de Hildon Chaves como candidato ao governo do estado. Na ocasião, Mariana defendeu a eleição de duas mulheres para o Senado: "Rondônia terá uma oportunidade única de eleger duas mulheres para o Senado, com voz ativa e trabalho voltado para o estado."

A composição da chapa revela uma tentativa de unificar o campo de centro-direita em Rondônia. Hildon Chaves, ex-prefeito de Porto Velho, é apontado por Mariana como um gestor que "transformou a capital" e deixou "uma Porto Velho antes e outra depois". A aliança busca transferir para Mariana parte do capital político construído por Chaves na capital, enquanto a candidata ao Senado oferece ao grupo uma figura com experiência parlamentar em Brasília.

O eleitor que Mariana Carvalho precisa reconquistar

A agenda na Zona Leste deixa claro que a candidata aposta em um eleitorado que valoriza a presença física do político e a promessa de destinação de recursos. Durante seus dois mandatos como deputada federal, Mariana Carvalho foi reconhecida como a parlamentar que mais destinou recursos para Porto Velho. Esse histórico é a moeda de troca que ela tenta converter em voto: a promessa de que a experiência adquirida na Câmara dos Deputados pode ser replicada — e ampliada — no Senado Federal.

O problema é que o eleitor rondoniense mostrou, em 2022 e em 2024, que reconhecimento não garante lealdade. A candidata precisa não apenas lembrar o que fez, mas convencer que fará mais — e que, desta vez, o voto será suficiente para eleger. A estratégia de rua, com agendas como a da última segunda-feira, é a aposta para reatar essa conexão.

A receptividade dos moradores do Marcos Freire e do Porto Madero 2, segundo a campanha, foi positiva. Mas em uma eleição para duas vagas ao Senado, a competição será por uma fatia maior de um eleitorado fragmentado entre governismo, oposição e candidaturas de centro. Mariana Carvalho entra nesse tabuleiro com um nome conhecido, um histórico de destinação de recursos e uma marca pessoal construída em torno da escuta.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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