Médico que esquartejou amante se veste de mulher e se mata, ao saber que voltaria para a cadeia

O delegado Osvaldo Nico Gonçalves afirmou que o ex-médico Farah Jorge Farah preparou um “ritual” para a própria morte nesta sexta-feira (22), usando música fúnebre e vestindo roupa de mulher.

Farah foi encontrado morto em sua casa na Vila Mariana, na Zona Sul, no começo da tarde. Ele tinha sido condenado a mais de 14 anos de cadeia por matar uma paciente em 2003. Ele seria preso novamente após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar, na quinta (21), a execução da pena.

“Ele colocou uma música sinistra, uma música de terror, coisa estranha, fúnebre. Ele se vestiu com roupas de mulheres, colocou seio, colocou essas coisas, e atentou contra a própria vida”, conta. “Ele fez um ritual pra morte”

Nico disse acreditar que Farah se suicidou cortando a via femoral. Havia um corte profundo na perna e grande quantidade de sangue ao lado do corpo. Uma equipe médica tentou socorrê-lo, mas ele já havia morrido. Uma perícia seria realizada na tarde desta sexta. A hipótese é que tenha usado um bisturi.

Ex-médico esquartejou sua amante

“Como você sabe ele tem conhecimento médico. Eu sou leigo pra ver isso, estamos aguardando a perícia. Provavelmente ele cortou a via femoral, devido à quantidade de sangue. Ele mesmo sabia o que estava fazendo”, disse.

O delegado conta que a polícia bateu na porta e na janela e tentou entrar pelos fundos antes de arrombar a porta. O cenário encontrado indica que o ex-cirurgião se preparou para o suicídio.
“Ele colocou uma música sinistra, uma música de terror, coisa estranha, fúnebre. Ele se vestiu com roupas de mulheres, colocou seio, colocou essas coisas, e atentou contra a própria vida”, conta. “Ele fez um ritual pra morte.”
Nico disse ainda que ele já havia contado para os vizinhos que não iria para a cadeia.

Maria do Carmo Alves, assassinada e esquartejada pelo ex-amante Farah Jorge Farah (Foto: Divulgação)

Pena

Farah foi condenado em 2014 a uma pena de reclusão em regime fechado pelo assassinato e esquartejamento de Maria do Carmo Alves, que além de paciente era sua amante . Apesar disso, uma decisão de 2007 do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que ele respondesse em liberdade.

Em agosto, o relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, já havia atendido a um pedido do Ministério Público (MP) de São Paulo e votado pela imediata prisão do ex-médico Farah Jorge Farah. No entanto, houve um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior que levou a conclusão do julgamento para esta quinta-feira. Sebastião decidiu acompanhar o voto de Nefi Cordeiro. O STJ também negou recurso da defesa de Jorge Farah que pedia anulação do último júri.

O crime

Era noite de 24 de janeiro de 2003, quando Maria do Carmo Alves, 46 anos, foi ao consultório do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, na época com 53 anos, em Santana, zona norte de São Paulo. Ali, ela foi assassinada pelo médico, que conhecera em 1980 e com quem tivera um relacionamento extraconjugal. O corpo da dona de casa foi encontrado pela polícia dois dias depois, dividido em nove pedaços, guardados em cinco sacos de lixo depositados no porta-malas do carro de Farah, que declarou não se lembrar do que havia acontecido naquela noite.

De acordo com análises de peritos, Maria pode ter sido esfaqueada no pescoço e depois arrastada para a sala de cirurgia da clínica. Farah voltou para casa, que ficava a poucos quarteirões, guardou o carro e depois de quatro horas retornou à clínica, onde permaneceu durante a madrugada, esquartejando a vítima.

Com o uso de instrumentos cirúrgicos, o corpo de Maria foi dissecado e a pele de parte do rosto, do tórax e das pontas dos dedos das mãos e dos pés foi retirada. Os pedaços do corpo foram depositados numa banheira e cobertos com formol e água sanitária, evitando a decomposição, disfarçando o odor e ajudando a retirar o sangue dos membros e reduzir o peso da vítima, de 66 quilos para 30. Todo o processo teria levado cerca de dez horas.

Na madrugada do crime, o marido de Maria, João Augusto Lima, foi até a delegacia para registrar um boletim pelo desaparecimento da esposa. No dia seguinte, sabendo da amizade entre o médico e a esposa e que ela iria procurá-lo para falar sobre uma lipoaspiração que desejava fazer, foi até a clínica, por volta das 11h da manhã. Quando foi atendido por Farah, notou que o médico exalava um forte cheiro de água sanitária. O cirurgião anotou o número de seu celular num papel e disse que João poderia ligar caso precisasse.

Ao meio-dia, Farah ligou para os pais e pediu carona para voltar para casa. No consultório, a mãe do médico o viu em uma crise de choro não explicada. Quando o pai de Farah chegou ao local, o cirurgião foi com a mãe até o carro e pediu para que ambos aguardassem enquanto buscava os cinco sacos com material de trabalho, que foram colocados no porta-malas do veículo do pai. Farah passou a tarde toda com os pais e retornou ao final do dia para seu apartamento, quando transferiu os sacos para o próprio carro.

Na tarde do domingo, Farah se internou na clínica psiquiátrica Granja Julieta, na zona sul de São Paulo. A sobrinha foi visitá-lo e ele confessou o crime, entregando as chaves do carro para que ela pudesse encontrar o corpo. Tânia Maria Homsi foi até o prédio do tio, mas quando sentiu o cheiro que saía do porta-malas do carro, decidiu procurar o 13º Distrito Policial da capital paulista. Os policiais encontraram os sacos com os pedaços do corpo, sem as mãos e as vísceras da vítima, que poderiam apontar o uso de algum sedativo.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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