Milhares de manifestantes ocupam Esplanada em Brasília contra reforma da Previdência

Houve depredação no prédio e vidros foram quebrados, diz corporação

Manifestantes ocuparam desde a a madrugada desta quarta-feira (15) o Ministério da Fazenda, em Brasília. Segundo o Movimento Sem Terra (MST), a ação é, entre outros motivos, em protesto contra a reforma da Previdência. Além de sem-terras, o grupo também era constituído por agricultores familiares e sem-teto.

Manifestantes dentro do Ministério da Fazenda, em Brasília, em ato contra a reforma da Previdência (Foto: Frente Brasil Popular/Divulgação)

Manifestantes dentro do Ministério da Fazenda, em Brasília, em ato contra a reforma da Previdência (Foto: Frente Brasil Popular/Divulgação)

Cerca de 20 mil pessoas estão nas ruas. A PM informou ainda que vidros do ministério foram quebrados. “Eles danificaram as dependências do ministério, jogando paus e pedras”, afirmou a PM. Casos do tipo de depredação são investigados pela Polícia Federal.

Vidros quebrados no Ministério da Fazenda durante ato contra reforma da Previdência (Foto: Vinicius de Souza/G1)

Vidros quebrados no Ministério da Fazenda durante ato contra reforma da Previdência (Foto: Vinicius de Souza/G1)

“Ocupamos o Ministério da Fazenda e pretendemos ficar até quando for possível porque não temos a intenção de negociar e fazer fotos com eles nos gabinetes. Viemos deixar nosso recado para o governo de que não iremos aceitar nenhum retrocesso de direitos”, afirmou Marcos Baratto, da direção nacional do MST.

Bandeira dos manifestantes na janela do Ministério da Fazenda (Foto: TV Globo/Reprodução)

Bandeira dos manifestantes na janela do Ministério da Fazenda (Foto: TV Globo/Reprodução)

Protesto

Por volta das 9h, pelo menos quatro ônibus trouxeram mais manifestantes para o ato, incluindo professores, que iniciaram um movimento de greve por tempo indeterminado também nesta quarta.

Mais cedo, o grupo espalhou cruzes em frente ao gramado em frente ao Congresso Nacional para simbolizar pessoas que vão morrer sem poder se aposentar, caso a reforma seja aprovada.

Às 9h27, os dois sentidos do Eixo Monumental estavam interditados, desde a Catedral até o Congresso Nacional. Com isso, houve repercussão no trânsito da área central de Brasília, gerando engarrafamento.

Professores levam cartazes para alertar sobre greve da categoria (Foto: Graziele Frederico/G1)

Professores levam cartazes para alertar sobre greve da categoria (Foto: Graziele Frederico/G1)

“A previdência é nossa. Ninguém tira da roça”, entoou um grupo de trabalhadores rurais na manifestação.

“A nível nacional viemos participar desse ato público para impedir a destruição que essa PEC [Proposta de Emenda à Constituição] pode fazer no nosso sistema de trabalho e aposentadoria. Nossa greve começa hoje [nesta quarta] e a nível de Distrito Federal estamos reivindicando os 18% de perdas salariais com a suspensão dos aumentos prometidos”, afirmou a professora Helena Nascimento.

A idade não foi um problema para quem foi protestar na Esplanada. A professora aposentada Marli Boaventura, de 75 anos, foi às ruas para pedir melhores condições de aposentadoria da filha de 40 anos e da neta de 16 anos.

“Eu estou lutando pela vida da minha filha, da minha neta e de todos os jovens que estão com risco de nunca se aposentar. Eles não têm o direito de fazer isso”, disse.

Manifestante segura cruz para simbolizar morte de trabalhadores que, segundo ele, deixaria de se aposentar caso reforma da Previdência for aprovada (Foto: Vinicius de Souza/G1)

Manifestante segura cruz para simbolizar morte de trabalhadores que, segundo ele, deixaria de se aposentar caso reforma da Previdência for aprovada (Foto: Vinicius de Souza/G1)

“O movimento de hoje acontece por um motivo simples: uma aposentadoria com 75 anos não é saudável. Como vamos trabalhar até lá? Quem se aposentar com essa idade vai fazer o quê na aposentadoria? As reformas devem vir de baixo, estruturais. Assim só o pobre sofre as consequências”, disse o estudante de Letras da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Morais.

Cruzes espalhadas em gramado em frente ao Congresso Nacional durante ato contra reforma da Previdência (Foto: Vinicius de Souza/G1)

Cruzes espalhadas em gramado em frente ao Congresso Nacional durante ato contra reforma da Previdência (Foto: Vinicius de Souza/G1)

Propostas

A reforma da Previdência Social enviada ao Congresso Nacional prevê, entre outras propostas, estabelecimento de idade mínima de 65 anos para os contribuintes reivindicarem aposentadorias. Antes de enviar o texto ao Legislativo, o presidente Michel Temer apresentou as ideias a líderes partidários do Congresso.

Além de fixar uma idade mínima para a aposentadoria de homens e mulheres, as novas regras, se aprovadas, irão atingir trabalhadores dos setores público e privado. De acordo com o governo, a única categoria que não será afetada pelas novas normas previdenciárias é a dos militares.

Pelas regras propostas pela gestão Temer, o trabalhador que desejar se aposentar recebendo a aposentadoria integral deverá contribuir por 49 anos.

O governo federal estima que deixará de gastar cerca de R$ 740 bilhões em 10 anos, entre 2018 e 2027, com as mudanças propostas por meio da reforma da Previdência Social. Desse valor total, as mudanças no INSS e nos benefícios por prestação continuada (BPC) representariam uma economia de R$ 678 bilhões e, nos regimes próprios, de cerca de R$ 60 bilhões.

Com G1
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *