Ministério do Trabalho é invadido e amanhece com salas reviradas; 1º andar é interditado

Caso ocorreu em setor destinado ao seguro-desemprego. Polícia Federal faz perícia no local.

Servidores do Ministério do Trabalho encontraram diversas salas do órgão reviradas ao chegar para trabalhar na manhã desta segunda-feira (16). Documentos oficiais estavam atirados no chão.

A assessoria de imprensa do ministério informou ao G1 que ao menos duas salas do setor destinado ao seguro-desemprego foram invadidas, mas não soube dizer o que foi levado.

As câmeras de segurança registraram a invasão. As imagens foram encaminhadas à Polícia Federal

Todo o primeiro andar do ministério foi isolado pela segurança do órgão. A PF foi acionada pelo órgão e chegou ao local às 9h50.

Área externa do Ministério do Trabalho é isolada na manhã desta segunda-feira (Foto: Letícia Carvalho/G1)

Por causa do isolamento, funcionários tiveram de deixar o primeiro andar e foram levados para o térreo do ministério.

Parte da área externa do térreo foi isolada na área onde vigilantes ouvidos pelo G1 dizem acreditar que a invasão ocorreu.

Polícia Federal analisa área do térreo do Ministério do Trabalho isolada por seguranças (Foto: Letícia Carvalho/G1)

Por volta das 10h, agentes da Polícia Federal começaram a fazer a perícia da área isolada pelos seguranças do ministério.

A PF planeja montar um andaime do lado de fora do prédio para que possam ser colhidas impressões digitais.

Documentos jogados no chão no Ministério do Trabalho, em Brasília (Foto: Arquivo pessoal)

Registro Espúrio

O Ministério do Trabalho é alvo de uma investigação da Polícia Federal. Em 30 de junho, a PF deflagrou a operação Registro Espúrio, a fim de desarticular suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

Segundo as investigações da Polícia Federal,

  • os registros de entidades sindicais no ministério eram obtidos mediante pagamento de vantagens indevidas;
  • não era respeitada a ordem de chegada dos pedidos ao ministério;
  • a prioridade era dada a pedidos intermediados por políticos;
  • a operação apontou um “loteamento” de cargos do Ministério do Trabalho entre os partidos PTB e Solidariedade.

Na semana seguinte, o ministro Helton Yomura foi afastado do cargo por decisão de Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a defesa afirmou que Yomura não cometeu nenhum ato ilícito e que “nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade”. No mesmo dia, ele pediu demissão do cargo.

O substituto de Yomura, Caio Vieira de Mello, tomou posse no ministério na última terça-feira (10). Na cerimônia, afirmou que vai administrar o ministério “tecnicamente”, e não “politicamente”. Ainda segundo ministro, “se for necessário, será feita” uma limpa no ministério.

A emissão de registros sindicais está suspensa pelo Ministério do Trabalho até outubro. A decisão do ministro Caio Vieira de Mello foi publicada no “Diário Oficial da União” na última quinta-feira (12).

Fonte: g1

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