Bitcoin faz 10 anos: um brinde à livre concorrência – Por Fernando de Magalhães Furlan

Depois de dez anos da publicação do White Paper de Satoshi Nakamoto sobre o bitcoin e a tecnologia que o concebeu, a blockchain, muito mudou o cenário em torno das criptotecnologias.

Hoje o bitcoin é exponencialmente mais popular do que há uma década, e muito mais valioso. De São Paulo a Jacarta, de Hong Kong a Talinn, hoje é normal se deparar com cidadãos comuns, como um motorista ou guia de turismo, que investem em ativos criptográficos, como as chamadas criptomoedas, por exemplo.

O bitcoin foi inicialmente concebido como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, como uma solução peer-to-peer (usuário-usuário) rápida, econômica e confiável de meio de pagamento e inclusão financeira.

A sua utilização mais popularizada hoje em dia, de ativo ou investimento financeiro, veio com o reconhecimento do mercado do valor do novo ativo digital. Para se ter uma referência do potencial de inclusão digital e financeira dos criptoativos, há hoje mais investidores nesse mercado do que em ações e valores mobiliários.

Mas as inúmeras aplicações da tecnologia por trás do bitcoin e outros ativos criptográficos é a grande promessa para o futuro. A blockchain, ou “rede de blocos”, é uma evolução de qualquer sistema atual de contabilidade, controle ou auditoria, proporcionando uma plataforma de registro de informações e dados de livre ingresso, transparente, continuamente auditável, com privacidade e, ao mesmo tempo, rastreabilidade, além da garantia da irreversibilidade, ou seja, uma vez feito o registro, ele não poderá ser apagado.

Aplicações da tecnologia a setores como o de cadeias de suprimentos (supply chain), commodities agrícolas, sistemas de defesa, contratos inteligentes, transações imobiliárias, remessa de valores, dentre tantas outras prometem custos menores, rapidez, transparência e segurança, contribuindo para o bem-estar da sociedade.

Uma das aplicações da criptotecnologia com maior potencial de gerar riqueza e desenvolvimento econômico é a de valores mobiliários, ou seja, a capitalização coletiva de pequenos e promissores negócios. Ao proporcionar garantia e segurança ao investidor, por meio da blockchain ou outra espécie de tecnologia de registro distribuído (distributed ledger techonology – DLT), o acesso de pequenas empresas a fontes de investimento e capitalização é sensivelmente incrementado.

Outro segmento com grande potencial de gerar ganhos à sociedade é o de desburocratização e popularização de serviços financeiros. Quanto mais opções no mercado para o usuário de serviços, maior o grau de diversificação, diferenciação e qualidade dos produtos oferecidos.

Por que somente alguns poucos e gigantescos bancos podem oferecer serviços financeiros triviais e cotidianos, como transferência de valores, câmbio e pagamento de contas, dentre outros? Por que o pequeno investidor deve ser obrigado a usar um banco para comprar ou vender ativos financeiros? E por que devemos pagar tarifas de serviços ou taxas de administração tão altas?

Como qualquer tecnologia disruptiva, a criptotecnologia rompe padrões de oferta de produtos e serviços que fazem o consumidor questionar a lógica obsoleta e ultrapassada da realidade anterior. Esse questionamento naturalmente levará à conclusão pela tentativa de manutenção do “estado das coisas”, cultivando velhos e superados procedimentos pelo bem da margem de lucro e da comodidade de “não se mexer em time que está ganhando”.

Quem perde é a concorrência, a competição no mercado, que faz as empresas inovarem, melhorarem a qualidade e reduzirem os preços.

Mas nem tudo é notícia ruim: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está investigando a prática de abuso de poder econômico por parte dos bancos, por conta do encerramento de contas correntes de empresas que negociam criptoativos; a CVM flexibilizou o investimento em fundos estrangeiros que aplicam em criptoativos; o FMI publicou um guia sobre criptoativos para legisladores; e até o Banco Central autorizou o aporte de capital estrangeiro em empresas de tecnologia financeira, como sociedades de crédito direto e sociedades de empréstimo entre pessoas, o que contribuirá para o aumento da concorrência em serviços financeiros.

Com um novo governo e um Congresso fortemente renovado, o setor da criptoeconomia buscará garantir a inovação, o empreendedorismo e a livre concorrência por meio da já criada Frente Parlamentar Mista de Ativos Digitais e Blockchain, bem como pela permanente disponibilidade de interface com o Poder Executivo.


Fernando de Magalhães Furlan é doutor pela Universidade de Paris 1 e presidente da Associação Brasileira de Criptoativos e Blockchain (ABCB). Foi secretário executivo do MDIC e presidente do Cade.

JBS busca reforçar suas marcas em grandes supermercados dos EUA

O negócio de carne bovina nos Estados Unidos atravessa um de seus melhores momentos.

A maior fabricante de produtos a base de proteína animal do mundo, a multinacional JBS, se esforça para tornar sua carne bovina mais conhecida nas prateleiras do varejo dos EUA.

O movimento aproveita uma tendência já consolidada no Brasil: venda de carne com marcas e redução do número de supermercados que possuem açougues próprios.

O negócio de carne bovina nos Estados Unidos atravessa um de seus melhores momentos. Há um aumento na oferta de bois e demanda em alta.

Os resultados financeiros da JBS do segundo trimestre, divulgados na semana passada, mostram a operação americana de bovinos com um recorde de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 570 milhões, alta de mais de 75% em relação a igual período de 2017.

A superação na área comercial americana dá fôlego ao esforço do grupo para virar a página após investigações envolvendo os principais acionistas, a família Batista, e diferentes empresas do conglomerado do qual a JBS faz parte, em particular a holding J&F.

A J&F já fechou acordo de leniência no Brasil, que está sob revisão neste momento. Nos Estados Unidos, ainda negocia um acordo com o Departamento de Justiça.Para ampliar participação no mercado americano, a JBS concentra energias no negócio de processamento da proteína com embalagens fracionadas diretamente na indústria para substituir o corte dos açougues.

“Vem diminuindo muito a presença daqueles açougues localizados no fundo das lojas. É uma decisão do varejo que traz vantagens de segurança alimentar e reduz o desperdício. É difícil para o supermercado padronizar a qualidade e treinar funcionários para esse corte. Para nós é mais natural”, diz André Nogueira, presidente da JBS USA.

A unidade abrange todas as operações da multinacional fora do Brasil (no Canadá, no México, na Europa e na Austrália).

O executivo cita como referência deste movimento as redes Walmart e Target, que não fazem o corte no ponto de venda, distribuindo apenas os alimentos em porções nas bandejas cobertas por plástico ou nas embalagens a vácuo processadas na própria indústria fornecedora.

Nogueira não abre os números do crescimento dessas modalidades ano a ano, mas afirma que há cinco anos a empresa não produzia nenhuma embalagem do tipo para carne moída e, hoje, tem cinco fábricas especializadas na atividade, superando 90 milhões de quilos por ano.

Pesquisas da JBS também apontam para uma mudança no formato dos pacotes.”A bandeja coberta com plástico ainda tem a preferência do consumidor. Mas está mudando. Na carne moída está crescendo o uso do pacote a vácuo, que chamamos de tijolo, um formato mais eficiente em custo e tempo de prateleira. É nisso que estamos investindo”, diz Nogueira.

Na comparação entre os dois países, o presidente da JBS nos EUA afirma que o Brasil está na frente.”A quantidade de carne bovina empacotada a vácuo é maior no Brasil. Nos EUA ainda tem menos marcas. É um desafio”, diz o executivo.

Há cerca de cinco anos a JBS foi pioneira na criação de marcas para a carne bovina no Brasil, um movimento que começou com a Friboi e hoje conta com Maturatta e Do Chef. O esforço continua no Brasil, onde lançou neste ano a marca premium 1953.

Nos EUA, a empresa tem marcas de carne de boi como 5 Star, 1855 e outras, mas nada comparado à relevância da marca Friboi no Brasil.

A estratégia de ganhar mercado na carne embalada nos EUA –e imprimir as logomarcas no produto– está em linha com a estratégia adotada pela JBS no Brasil.

Com isso, o item passa a valer mais do que se a peça de carne for vendida in natura e cortada pelo açougueiro.A reportagem visitou uma das fábricas de carne bovina da JBS no Colorado, onde as peças de bovinos são cortadas com padronização pelos funcionários para evitar o desperdício de partes consideradas mais nobres, elevando o rendimento e a lucratividade.

A empresa também se beneficia com as exportações de carne de boi in natura a partir dos EUA. O crescimento foi de 26,8% na receita entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2017, de acordo com dados do USDA (departamento americano de agricultura).

Em teleconferência com analistas para tratar dos resultados, na semana passada, Nogueira afirmou que a oferta de gado nos EUA vai continuar crescendo até 2021, segundo as previsões da empresa.

Além da China, Japão, Coreia do Sul e Oriente Médio devem impulsionar a demanda externa da operação da JBS USA.

 

 

Com informações da Folhapress.