Moro escolhe Fátima Gavioli, ex-Seduc de Rondônia, para a Educação
Fátima Gavioli chefiou a Educação de Rondônia no governo Confúcio Moura e depois a de Goiás com Caiado. Agora assume a rede que lidera o Ideb do ensino médio no país
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- O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou nesta terça (27/10) a professora Fátima Gavioli como secretária de Educação do estado a partir de 2027.
- Gavioli foi secretária de Educação de Rondônia entre 2014 e 2016, no governo de Confúcio Moura (MDB). Depois comandou a Educação de Goiás de 2019 a 2026, com Ronaldo Caiado.
- Ela foi indicada por Caiado e é o segundo nome anunciado para o secretariado de Moro.
- O Paraná já é o 1º colocado no Ideb do ensino médio, com nota 5,1. A rede que ela deixou em Goiás tem 5,0.
- Por que isso importa para Rondônia: uma gestora que começou a carreira como secretária estadual em Rondônia vai comandar a educação do estado mais bem avaliado do país, o que ajuda a medir quanto a experiência feita aqui pesa em outros estados.
A professora Fátima Gavioli, que foi secretária de Educação de Rondônia entre 2014 e 2016, vai comandar a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) a partir de 2027. O anúncio foi feito nesta terça-feira (27/10) pelo governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), em entrevista à Jovem Pan Curitiba. Gavioli foi indicada pelo ex-governador de Goiás e ex-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD). É o segundo nome do futuro secretariado de Moro, uma semana depois do anúncio da economista Priscilla Santana para a Fazenda.
“Convidei a professora Fátima Gavioli para assumir a Secretaria da Educação do Paraná pela experiência que acumulou na gestão pública e pelo trabalho que realizou em Goiás.”
— Sergio Moro, governador eleito do Paraná
A passagem por Rondônia
Antes de ganhar projeção nacional em Goiás, Gavioli comandou a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc-RO) entre 2014 e 2016, no governo de Confúcio Moura (MDB). Foi o primeiro cargo de secretária estadual da carreira dela.
Depois de Rondônia, ela assumiu a Educação de Goiás em janeiro de 2019, no primeiro mandato de Ronaldo Caiado. Ficou no cargo por mais de sete anos.
Quem é Fátima Gavioli
Gavioli nasceu em Goioerê, no Noroeste do Paraná, mas construiu a carreira fora do estado. Ela tem:
- graduação em Letras, Direito e Pedagogia;
- mestrado em Educação;
- pós-graduação em Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública (CLP), de São Paulo;
- doutorado em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Em abril de 2026, ela deixou a Secretaria de Goiás para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD. Recebeu 54.954 votos, não foi eleita e ficou como suplente. Em 7 de outubro, voltou à Secretaria de Educação de Goiás, nomeada pelo governador Daniel Vilela (MDB). Três semanas depois, foi anunciada por Moro.
O que ela fez em Goiás
A gestão em Goiás é o principal argumento da indicação:
- Quando ela assumiu, em 2019, a rede estadual tinha Ideb de 4,3 no ensino médio (resultado de 2017).
- Quando ela saiu, em 2026, a nota estava em 5,0, a melhor da série histórica, segundo o governo goiano.
- A gestão distribuiu uniformes escolares e criou o Bolsa Estudo, auxílio para manter os alunos na escola.
- Segundo números apresentados pela própria Gavioli durante a campanha, a gestão construiu 67 escolas, reformou mais de 700 unidades e fez concurso público para professores. (Esses números são da própria secretária, não de levantamento independente.)
O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é a nota oficial do governo federal que mede a qualidade do ensino. Ele combina o desempenho dos alunos em provas com a taxa de aprovação.
O desafio no Paraná: manter o topo
Gavioli assume uma rede que, pelos números, já está no topo:
- Paraná: Ideb 5,1 no ensino médio, o 1º lugar do país;
- Média nacional: 4,5;
- Média das redes estaduais: 4,3;
- Goiás, rede que ela deixou: 5,0.
A diferença entre o Paraná e Goiás é de apenas um décimo. O Ideb de 5,1 foi alcançado na gestão do atual governador, Ratinho Junior (PSD), que deixa o cargo. Em Goiás, Gavioli pegou uma rede com nota 4,3 e conseguiu mostrar evolução. No Paraná, a cobrança será outra: manter a liderança e aumentar a distância para os outros estados.
Um secretariado de fora do Paraná
A escolha segue um padrão. Os dois nomes confirmados por Moro até agora vieram de outros estados:
- Priscilla Santana, da Fazenda, comandava a Fazenda do Rio Grande do Sul. Segundo Moro, ela foi indicada pelo ex-ministro Paulo Guedes e por Daniella Marques.
- Fátima Gavioli, da Educação, vem de Goiás e foi indicada por Caiado.
Nenhum dos dois construiu carreira na máquina pública do Paraná. Segundo o Blog do Esmael, nos bastidores se esperava que o deputado Paulo Mac Donald (PP) assumisse a Educação, e a escolha de Gavioli desfez esse cenário. A indicação também mostra uma composição partidária mais ampla: Gavioli disputou a eleição pelo PSD, partido de Caiado, e Moro é do PL.
Para Rondônia, a nomeação mostra até onde pode chegar uma gestora que teve aqui a primeira experiência como secretária estadual. Para o Paraná, o teste começa em janeiro e é mais difícil do que o de Goiás. Melhorar uma rede com nota baixa permite mostrar avanço. Manter no topo uma rede que já lidera o ranking deixa pouca margem para crescer e expõe qualquer recuo. Moro disse que novos nomes serão anunciados durante a transição. Por enquanto, a Educação será a primeira prova da aposta dele em quadros vindos de fora do estado.
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