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Morre Benito Di Paula, voz de “Charlie Brown” e “Retalhos de Cetim”, aos 84 anos

Cantor e compositor fluminense, autor de clássicos como “Charlie Brown” e “Retalhos de Cetim”, morreu em São Paulo após cerca de um ano lutando contra um câncer de próstata

Morre Benito Di Paula, voz de “Charlie Brown” e “Retalhos de Cetim”, aos 84 anos
📷 Reprodução / Capa de disco
📋 Em resumo ▾
  • Benito Di Paula morreu na noite de domingo (18), aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, por complicações de um câncer de próstata que enfrentava havia cerca de um ano.
  • Nascido Uday Velloso, em Nova Friburgo (RJ), o artista criou um estilo próprio de samba ao piano, que ele chamava de “sambeiro pianeiro”.
  • Estourou nacionalmente em 1973 com “Retalhos de Cetim” e viveu o auge da carreira entre 1973 e 1977, período de hits como “Charlie Brown” e “Do Jeito que a Vida Quer”.
  • Em 2025, foi homenageado como enredo da escola de samba paulistana Águia de Ouro.
  • Ainda não há informações sobre velório e enterro.
  • Por que isso importa: Benito Di Paula é uma das figuras centrais da música popular brasileira dos anos 1970, com um estilo que influenciou o pagode paulista que surgiria duas décadas depois
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Um dos cantores e compositores mais populares do Brasil nos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo (18) aos 84 anos. O artista faleceu no Hospital 9 de Julho, em São Paulo (SP), em decorrência de complicações de um câncer de próstata, doença contra a qual lutava havia cerca de um ano. Ainda não há informações sobre o velório e o enterro do cantor.

Do Rio de Janeiro ao estrelato nacional

Cantor, compositor e músico fluminense, Benito Di Paula nasceu Uday Velloso em 28 de novembro de 1941, na cidade de Nova Friburgo (RJ), e foi criado no Rio de Janeiro. O Brasil o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, de “esquema novo”.

Benito Di Paula nunca se considerou um sambista da linhagem de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também fizeram grande sucesso no samba dos anos 1970. Ele sempre se definiu publicamente como “sambeiro” e “pianeiro”.

Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula construiu a própria batucada, com um suingue que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria difundido nos anos 1990 por grupos como o Raça Negra, com arranjos cheios de teclados. Diplomado, segundo ele mesmo definia, na “escola noturna das boates” — onde constatou que o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada —, Benito marcou época nos palcos dos programas de TV com um visual de gala informal, com anéis, casacas, colares, gravatas borboleta, pulseiras e os cabelos longos e cacheados.

A trajetória discográfica

O cantor debutou no mercado fonográfico em 1967 e lançou, em 1971, o primeiro álbum, “Benito Di Paula”. Em 1972, veio o segundo disco, “Ela”, que trouxe o primeiro sucesso do artista, “Violão não se Empresta a Ninguém”.

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O reinado de Benito Di Paula, no entanto, começou de fato em 1973, com o samba-canção “Retalhos de Cetim”, lançado em single e transformado em sucesso estrondoso naquele ano. A música foi o ponto de partida de uma obra que, baseada na combinação do piano tocado pelo próprio artista com instrumentos de percussão, rendeu sucessivos hits até 1984 — sobretudo entre 1973 e 1977.

Nesse período, Benito emplacou canções como “Charlie Brown” (1974), “Beleza que é Você Mulher” (1974), “Bandeira do Samba” (1975), “Como Dizia o Mestre” (1975), “Vai Ficar na Saudade” (1975), “Tudo Está no Seu Lugar” (1976), “Do Jeito que a Vida Quer” (1976) — com os versos confessionais “É que meu samba me ajuda na vida / Minha dor vai passando esquecida” —, além de “Assobiar e Chupar Cana” (1977) e “Proteção às Borboletas” (1977).

“É que meu samba me ajuda na vida / Minha dor vai passando esquecida”

Essas canções, lançadas ao longo do auge da carreira de Benito, entre 1973 e 1977, atestaram o talento do compositor para um samba desgarrado da matriz tradicional do gênero — ainda que o próprio artista reconhecesse como sua maior influência a obra do sambista Ataulfo Alves (1909–1969). Os discos foram lançados pela gravadora Copacabana, selo no qual Benito permaneceu até 1980 e para o qual voltou brevemente em 1987 e em 1992.

Os últimos sucessos e a trajetória recente

O cantor ainda emplacou hits na primeira metade dos anos 1980. “Ah! Como eu Amei”, composição dos irmãos Jota Vellozo e Nei Vellozo, garantiu a Benito boa presença nas rádios em 1981. Já “Amigo do Sol, Amigo da Lua” (1984), parceria com Márcio Brandão Carneiro, tocou bastante no rádio e na TV e se tornou tema da trilha sonora da novela “A Gata Comeu” (TV Globo, 1985) — o último grande sucesso de Benito Di Paula, embora o artista tenha continuado lançando discos com regularidade até 1996, ano do álbum “Baileiro”, sem repercussão relevante.

Afastado do mercado fonográfico tradicional a partir de então, Benito Di Paula lançou somente mais dois álbuns com músicas inéditas: “A Felicidade é Nossa” (2017) e “O Infalível Zen” (2021), disco com o qual celebrou os 80 anos de vida.

Nos últimos anos, a obra de Benito passou por um processo de reavaliação, que gerou tributos no mercado fonográfico e também no Carnaval. Em 2025, o artista foi tema de enredo da escola de samba paulistana Águia de Ouro, que desfilou com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito que a Vida Quer”, com a presença do próprio Benito, emocionado, em um dos carros alegóricos.

Benito Di Paula morre a um mês de completar 85 anos, deixando o nome gravado na história da música popular brasileira.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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