MP deflagra 3ª fase de operação contra regalias em presídios de GO

O órgão informou que são 15 mandados de prisão em Goiânia e Aparecida de Goiânia e 15 de busca e apreensão

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) deflagrou na madrugada desta sexta-feira (4) a 3ª fase da Operação Regalia, que visa combater uma série de benefícios a detentos em Goiás. O foco da investigação, desta vez, além de presos, são mulheres dos reeducandos, que entravam com objetos ilícitos durante visitas, e um ex-vigilante penitenciário temporário.

O órgão informou que são 15 mandados de prisão em Goiânia e Aparecida de Goiânia e 15 de busca e apreensão. Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação se todos tinham sido cumpridos.

Entre os mandados, há alguns na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional de Aparecida. Já foram apreendidos armas, munições e bebidas alcóolicas, entre outros itens ilícitos.

A ação é realizada em conjunto com as polícias Civil e Militar, além da Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP).

Entre aqueles que tiveram a prisão decretada, estão detentos, mulheres e um ex-servidor do sistema prisional, cujos nomes ainda não foram divulgados.

O MP-GO informou que mais detalhes sobre a operação devem ser repassados durante uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta.

Outras fases

A 2ª fase da Operação Regalia, ocorrida em novembro de 2017, cumpriu 11 mandados de prisão contra o diretor, supervisor, agente, mulheres de detentos e os próprios internos da Unidade Prisional de Anápolis. As investigações do MP-GO à época apontaram que presos saíam para festas, traficavam drogas e até mantinham um motel.

“Havia um verdadeiro escritório seguro do crime, tráfico de drogas, até homicídio a gente conseguiu levantar de um preso que, em tese, teria suicidado. É uma gama de pequenos crimes que se prolongaram por muito tempo e ultrapassaram todos os limites”, disse na ocasião o promotor de Justiça Thiago Galindo, que coordenou a operação.

MP-GO diz que presos tinham motel dentro de presídio em Anápolis, Goiás (Foto: Divulgação/MP-GO)

A investigação apontou ainda que muitos presos não trabalhavam, mas tinham os dias descontados da pena como se tivessem trabalhado a semana toda sem descanso. Eles também negociavam saídas para visitar a família ou festas.

Segundo os promotores, também havia detentos que íam quase todos os dias para agências bancárias. “A saída temporária só pode ser autorizada para visitar velório ou hospital, mas constatamos que era um método corriqueiro. Agentes até digitavam as senhas de presos”, detalhou o promotor.

Na sala do diretor os policiais apreenderam um caderno com o registro de pagamentos de vários presos e até cartões deles. Os promotores estimam que o valor negociado ultrapassa R$ 1 milhão.

Na 1ª fase, realizada em setembro, um agente prisional e três ex-agentes foram presos. Segundo o Ministério Público, um dos suspeitos chegou a receber R$ 500 mil para fornecer benefícios a um reeducando.

Um vídeo mostra o momento em que um preso é levado por agentes prisionais para visitar família na Região Metropolitana de Goiânia. Durante a visita, o detento, que havia sido condenado a 36 anos de prisão pelo crime de tráfico de drogas, encontra familiares e até abre uma bebida (veja acima).

Cerca de 20 minutos depois, um agente recebe algo do preso e divide com os demais. Segundo o MP-GO, seria um maço de dinheiro com a quantia de R$ 6 mil.

Fonte: g1

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