MST invade, em retaliação, fazenda de senadora que votou por impeachment

MST acusa a senadora de ter omitido, em declaração ao Supremo Tribunal Federal, que era dona de 36% da propriedade em 2011, quando foi iniciado o inventário de seu marido

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou, na madrugada de hoje (8), a fazenda Saco de Bom Jesus, que é, segundo informações da assessoria do movimento, “ligada” à senadora Ana Amélia (PP-RS). Cerca de 300 pessoas ocupam a propriedade, que fica no município de Formosa, em Goiás.
“O objetivo da ocupação é denunciar a existência de espaços improdutivos, ao mesmo tempo em que é negado a milhares de famílias um espaço de terra. A estimativa é que, em Goiás, haja de 5 mil  a 8 mil famílias acampadas à espera da terra”, diz o MST.
De acordo com o movimento, “as informações sobre a fazenda apontam várias contradições”, entre as quais incoerência sobre o tamanho da propriedade que teria 1,5 mil hectares segundo o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural, junto ao Incra, e 1,9 mil hectares de acordo com o inventário do marido de Ana Amélia, falecido em 2011.
O MST alega ainda que a fazenda tem 600 cabeças de gado, conforme escritura pública de inventário, o que a classifica como improdutiva em relação a seu tamanho. “Pela legislação vigente, as entidades signatárias entendem que a lotação de gado não atende aos índices de produtividade do estado de Goiás. Seiscentas cabeças em 1.909 hectares resultariam numa lotação de 0,31 cabeça por hectare, índice que os movimentos sociais consideram muito baixo para quem diz representar o moderno modelo do agronegócio. De acordo com o Artigo 184 da Constituição Federal, a fazenda que não cumpre a função social deve ser declarada de interesse social e destinada para fins de reforma agrária”, lembra o informe do MST.
Além disso, o MST acusa a senadora de ter omitido, em declaração ao Supremo Tribunal Federal, que era dona de 36% da propriedade em 2011, quando foi iniciado o inventário de seu marido. “Em setembro de 2014, a Via Campesina se reuniu com o superintendente regional do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre, Roberto Ramos, para exigir a vistoria da fazenda. Então candidata ao governo do estado do Rio Grande do Sul, a lei eleitoral exige que candidatos declarem integralmente seu patrimônio. O pedido de vistoria foi encaminhado à sede do Incra, mas a vistoria não teve andamento”, diz o movimento.
Retaliação
Em discurso no plenário do Senado, a senadora Ana Amélia disse que a ocupação foi uma retaliação do MST a ela por ter votado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ana Amélia acusou o movimento de agir com o PT para “assassinar reputações”.
Anúncios
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

2 thoughts on “MST invade, em retaliação, fazenda de senadora que votou por impeachment

  1. Assassinando reputações? Mas e a terra era dela mesmo? Se era há um erro de parte da senadora. Note que os politicos quando são acusados dão respostas incompletas e sempre colocam culpa em alguem, mas não explicam nada.

  2. Assassinando reputações? Mas e a terra era dela mesmo? Se era há um erro de parte da senadora.

Participe do debate. Deixe seu comentário

%d blogueiros gostam disto: