Navio porta-contêineres afunda no Estreito de Ormuz após ataque
GFS Pride afunda após ser atingido por projétil não identificado; no mesmo dia, Irã relata naufrágio distinto por mina naval, e ainda não está claro se os dois casos se confundem
📋 Em resumo ▾
- • O porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, afundou no Estreito de Ormuz após ser atingido por um projétil não identificado e sofrer incêndio
- • No mesmo dia, o Irã anunciou o afundamento de outra embarcação, atingida por uma mina naval — ainda não está claro se os dois relatos tratam do mesmo navio
- • Um segundo porta-contêineres, o GFS Giselle, também foi atingido por projétil nesta quarta, mas conseguiu chegar a um fundeadouro seguro
- • A UKMTO já registrou 24 alertas de segurança no Estreito de Ormuz só em outubro
- • Por que isso importa: o Estreito de Ormuz concentra parte decisiva do transporte mundial de petróleo e cargas, e a escalada de ataques eleva o risco para o comércio internacional
Um navio porta-contêineres, o GFS Pride, afundou nesta quarta-feira (14) no Estreito de Ormuz, após ser atingido por um projétil não identificado na terça-feira (13) e sofrer um incêndio a bordo. No mesmo dia, o Irã anunciou o naufrágio de outra embarcação, que carregava mais de 2,5 mil contêineres, após atingir uma mina naval — mas ainda não foi esclarecido se os dois relatos descrevem o mesmo incidente.
O que se sabe sobre o naufrágio do GFS Pride
Segundo a Reuters, o GFS Pride tinha capacidade para 2.824 TEUs e era administrado pela GFS Ship Management FZE, sediada nos Emirados Árabes Unidos. Um aviso internacional à navegação, emitido em 14 de outubro pelo serviço hidrográfico do Paquistão, confirmou que a embarcação havia afundado e alertou para a presença de contêineres flutuando nas proximidades.
De acordo com dados da Organização Marítima Internacional (IMO), citados pela Reuters, o GFS Pride é o segundo navio a afundar desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro.
A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA) informou que os 21 tripulantes foram retirados em segurança, sem registro de feridos.
A versão do Irã: afundamento por mina naval
Paralelamente, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que um navio transportando mais de 2,5 mil contêineres atingiu uma mina naval enquanto tentava atravessar uma rota que as autoridades iranianas classificam como "perigosa e não autorizada". Segundo a Anadolu Agency, a explosão teria provocado um incêndio que se intensificou até o naufrágio, ocorrido na manhã desta quarta-feira, em águas ao sul do estreito. O comunicado iraniano não identificou a embarcação, sua bandeira ou a situação dos tripulantes.
As autoridades iranianas também alertaram pescadores e outras embarcações sobre contêineres flutuando na região. Imagens divulgadas pela televisão estatal do Irã mostram um navio fortemente inclinado, com uma espessa coluna de fumaça escura. A Associated Press informou que não conseguiu verificar de maneira independente as imagens ou as circunstâncias apresentadas por Teerã, e destacou que esta foi a primeira vez, na atual guerra, que o Irã anunciou um naufrágio provocado por uma mina naval.
Ainda não está esclarecido se o navio citado pelo Irã é o próprio GFS Pride ou uma embarcação distinta.
Outro ataque no mesmo dia: o GFS Giselle
Conforme a Channel News Asia, outro porta-contêineres de bandeira singapuriana, o GFS Giselle, também foi atingido por um projétil nesta quarta-feira (14). Apesar dos danos no casco, a embarcação conseguiu continuar navegando até um fundeadouro seguro, com seus 22 tripulantes a salvo.
Uma sequência que se intensifica: os números de outubro
A sequência de incidentes ocorre em meio à deterioração da segurança marítima no Estreito de Ormuz. Segundo a Seatrade Maritime News, a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) registrou quatro ataques em 13 de outubro, envolvendo três porta-contêineres e um petroleiro. As embarcações foram identificadas pela empresa de segurança Vanguard Tech como GFS Pride, GFS Giselle, Al Saadiyat e Alfonso.
Com os novos registros, o número de alertas emitidos pela UKMTO em outubro chegou a 24, além de três avisos de segurança.
O Al Saadiyat conseguiu prosseguir viagem sem danos significativos ou vítimas, enquanto a situação do petroleiro Alfonso permanecia incerta até a apuração desta matéria. Além disso, o graneleiro Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, foi dado como em processo de afundamento após uma tentativa malsucedida de salvamento — a embarcação havia sido atingida em 23 de setembro, em um ataque que deixou um tripulante morto.
As restrições do Irã e a resposta dos EUA
Desde abril, o Irã vem impondo restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, incluindo corredores específicos de passagem e exigência de autorização prévia da Guarda Revolucionária. Em 30 de maio, Teerã anunciou que a passagem sem permissão seria considerada uma ameaça à segurança. Em resposta, forças americanas vêm orientando navios a utilizar uma rota próxima à costa de Omã, aprofundando a disputa pelo controle da passagem marítima.
Uma tensão que remonta a fevereiro
A tensão no Estreito de Ormuz ocorre após a guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Embora um cessar-fogo tenha sido alcançado em abril e um acordo-quadro tenha sido assinado em junho, os confrontos foram retomados diante de impasses nas negociações.
Com a sucessão de ataques, o Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de risco para o comércio marítimo internacional. A passagem é estratégica para o transporte de petróleo, commodities e cargas conteinerizadas — qualquer embarcação que a atravesse hoje soma à incerteza a possibilidade real de minas, projéteis não identificados e rotas sob disputa entre Irã e Estados Unidos. Para armadores e operadores logísticos globais, isso já se traduz em seguros mais caros, desvios de rota e atrasos que acabam repassados à cadeia de suprimentos em qualquer parte do mundo.
O episódio desta quarta-feira deixa em aberto uma pergunta que a apuração ainda não resolveu: se o navio citado pelo Irã é o próprio GFS Pride ou uma terceira embarcação, o número real de naufrágios na rota em outubro pode ser maior do que os relatos oficiais, isolados, sugerem até agora.
Enquanto EUA e Irã seguem sem um entendimento definitivo sobre quem controla a passagem, o Estreito de Ormuz testa, na prática, até que ponto o comércio marítimo global consegue absorver o custo de operar numa das rotas mais estratégicas — e agora também mais perigosas — do planeta.
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