No Rio de Janeiro, esposas de PMs promovem manifestação; governo nega crise

Vinte e duas mulheres protestam na porta do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na Rua Salvador de Sá, contra as condições de trabalho de policiais militares

O policiamento na cidade do Rio é normal na manhã desta sexta-feira, apesar das manifestações que acontecem em 20 batalhões no estado. Pelas redes sociais, o comando da Polícia Militar informa que a troca de turno está sendo feita normalmente nos batalhões.

Trens, barcas, metrô e ônibus circulam normalmente. O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, publicou durante a madrugada um vídeo no perfil oficial da Polícia Militar no Twitter informando que a rotina das tropas não foi alterada, e o policiamento estratégico está sendo mantido. O major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar do Rio, fez um apelo para que a saída dos agentes dos batalhões não seja impedida por seus parentes.

Ainda era madrugada, quando mulheres e parentes de policiais militares começaram a chegar à porta de vários batalhões da Região Metropolitana do Rio. No movimento articulado por elas, através de redes sociais, são reivindicados melhores condições de trabalho para os PMs, pagamento do décimo terceiro salário e do RAS, pagamento de insalubridade e periculosidade, entre outros.

O objetivo do movimento é não permitir que os policiais saiam das unidades para trabalhos nas ruas. Elas argumentam que a falta de salários e os perigos pelos quais maridos e parentes passam chegaram a uma situação “desesperadora”.

PROTESTO EM FRENTE AO BATALHÃO DE CHOQUE

Vinte e duas mulheres protestam na porta do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na Rua Salvador de Sá, contra as condições de trabalho de policiais militares no Rio de Janeiro. Elas gritam palavras de ordem, como “Choque”, e “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Nas blusas, a palavra de ordem “Basta!” Com a cobrança por dignidade no trabalho dos agentes de segurança. Uma faixa informa: “Eles não podem! Nós podemos”.

O grupo chegou por volta das 4h e pretende se revezar durante o dia.

– Nós não vamos deixar sair viatura, policiamento. Os policiais estão estrando, mas não vão sair. Só sairemos (as manifestantes) quando pagarem tudo. Décimo terceiro, metas do Choque. O salário de dezembro, que não foi pago, e o décimo terceiro – informou uma policial civil, cujo marido trabalha no Choque. Ela pediu para não ser identificada.

Um grupo de dez mulheres marca presença, também, em uma saída dos fundos do terreno do Batalhão de Choque, na entrada da Odontoclinica central da Polícia Militar. Elas dão os braços e tentam impedir a saída de agentes. Pouco antes das 8h, segundo os manifestantes, dez policiais militares saíram a pé. A ordem deles era passar por cima.

FAIXAS NO BATALHÃO DE OLARIA

Em frente ao 16º BPM (Olaria), na Zona Norte, mulheres de PMs montaram duas barracas e colaram faixas, com as frases “Sem salário. Sem polícia”, “Guerra covarde” e “Nossos policiais são guerreiros, não covardes”. Além disso, penduraram fardas com manchas que simulam sangue em homenagem a PMs mortos.

Os manifestantes dizem que ficarão acampados por tempo indeterminado no local. Trouxeram mantimentos e, segundo eles, receberam intenso apoio de moradores da região:

– Nós estamos buscando a dignidade dos nossos guerreiros. Eles estão com salários atrasados, carga horária excessiva, não têm fardas para trabalhar. Não têm alimentação. Meu marido leva marmita de casa – disse a mulher de um PM, que pediu para não ser identificada. – Isso está gerando desespero. Eu trabalho, e meu marido só pode contar com o meu salário. É um transtorno. Isso está acontecendo há mais de um ano. E não dá mais para ficar calada. Pessoas estão sofrendo, morrendo e se matando. Não dá para ver nossos maridos, filhos e irmãos sofrendo como eles estão sofrendo.

As mulheres argumentam que a culpa para a corporação ter chegado a essa situação é do “poder público”.

– Esse é um ato da família (dos policiais), que está cansada de tomar na cabeça – desabafou outra manifestante.

Além de Olaria, familiares de policiais militares se posicionaram nas portas de outros batalhões, em locais como Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e outros como o de Jacarepaguá, Campo Grande e Meiér, no município do Rio.

Similar à situação de Olaria, cinco parentes de PMs também acamparam na porta do 3º BPM (Méier). Elas empunham cartazes com dizeres como “Basta” e “Dignidade ao servidor público”. Elas afirmaram que impediriam as patrulhas de deixarem a unidade.

– As contas não esperam. A situação é tão difícil, que há esposas que sequer têm dinheiro para visitar um policial baleado ou até mesmo para enterrá-lo – disse a parente de um PM, na porta do batalhão do Méier.

Extra (RJ)

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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