Nubank conversou sobre compra do Monzo por até £ 10 bi, dizem fontes
Banco digital britânico com mais de 16 milhões de clientes contratou assessores para avaliar a operação; Nubank diz que não comenta rumores, e Monzo não se manifestou
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- O Nubank manteve conversas para comprar o banco digital britânico Monzo, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News. A Sky News publicou a informação primeiro.
- Um possível negócio avaliaria o Monzo entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões, cerca do dobro do valor atribuído ao banco em 2024.
- O Nubank afirma que não comenta rumores; o Monzo não quis comentar. Nada foi fechado.
- Por que isso importa: se concretizada, seria a entrada do maior banco digital brasileiro no Reino Unido e na Europa, mercados onde hoje não opera
O Nubank manteve conversas para adquirir o banco digital britânico Monzo, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News. Uma das fontes disse que o negócio poderia avaliar o Monzo entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões, o equivalente a cerca de US$ 10,6 bilhões a US$ 13 bilhões. A negociação foi revelada antes pela emissora britânica Sky News. As duas empresas não confirmaram as conversas.
O que dizem as empresas
Um representante do Nubank afirmou à Bloomberg que a empresa não comenta rumores ou especulações e que mantém o compromisso de comunicar ao mercado os assuntos relevantes de negócio. Um porta-voz do Monzo se recusou a comentar.
O Nubank não comenta "rumores ou especulações".
— Porta-voz do Nubank, à Bloomberg News
Segundo uma das fontes, o Monzo contratou o banco Morgan Stanley e o escritório de advocacia Slaughter and May para avaliar a possível operação. De acordo com a Sky News, a consultoria Qatalyst também assessora as conversas, e um eventual acordo provavelmente combinaria pagamento em dinheiro e em ações.
A venda não é o único caminho em estudo. Segundo a Sky News, o Monzo também avalia uma nova rodada de captação de recursos, que ajudaria o banco a se expandir pela Europa.
Quem é o Monzo
O Monzo tem mais de 16 milhões de clientes e oferece contas para pessoas físicas e empresas, além de cartão de crédito e seguro residencial. No ano fiscal de 2026, o banco registrou receita de £ 1,7 bilhão, e os depósitos subiram 55%, para £ 25,7 bilhões.
Em 2024, uma venda secundária de ações avaliou o banco em cerca de £ 4,5 bilhões. Pela faixa citada pelas fontes, o valor agora seria quase o dobro.
O banco passou recentemente por mudanças no comando. A atual presidente-executiva, Diana Layfield, assumiu em fevereiro. O antecessor, TS Anil, deixou o cargo no ano passado após divergências no conselho sobre os planos de crescimento e de abertura de capital. No início deste ano, o Monzo decidiu concentrar a atuação no Reino Unido e na Europa e encerrar as operações nos Estados Unidos, onde não conseguiu ganhar espaço.
Há ainda uma ligação entre as empresas: o diretor financeiro do Monzo, Tom Oldham, trabalhou antes no Nubank como chefe global de planejamento e análise financeira.
O que o negócio significaria para o Nubank
O Nubank tem 135 milhões de clientes na América Latina e ações listadas na Bolsa de Nova York. Hoje, não opera no Reino Unido nem na Europa. A empresa busca expandir-se para os Estados Unidos e, em 10 de setembro, anunciou parceria com o Lead Bank para acelerar esse lançamento.
Uma compra do Monzo colocaria o Nubank em disputa direta com a britânica Revolut, que tem 80 milhões de usuários no mundo. As duas empresas também tentam entrar no mercado americano, onde a Revolut obteve recentemente uma licença bancária.
Por que o leitor brasileiro deve acompanhar
Para o cliente brasileiro, nada muda por enquanto: o negócio não foi fechado e, se acontecer, envolve a operação no exterior.
O caso interessa por outro motivo. Um banco digital criado no Brasil, que cresceu atendendo clientes deixados de lado pelos grandes bancos, estaria em condição de comprar um concorrente europeu. Pela cotação de sexta-feira, a faixa de valor citada corresponde a algo entre R$ 55 bilhões e R$ 69 bilhões, segundo cálculo do Painel Político.
No Reino Unido, a operação seria um novo golpe para a Bolsa de Londres, que vem perdendo empresas para outros mercados. A concorrente Wise, por exemplo, transferiu neste ano sua listagem principal de Londres para os Estados Unidos.
Se o negócio sair, o Nubank deixará de ser uma história latino-americana para disputar clientes nos três maiores mercados de bancos digitais do Ocidente ao mesmo tempo. O próximo sinal virá do Monzo: se escolher a venda, e não a nova captação.
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