O vício se tornou mais caro

O reajuste médio de 14% nos preços dos cigarros vendidos pela Souza Cruz desde o último sábado, 2, nas regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste, além do Rio de Janeiro deve pressionar a inflação medida pelo índice oficial, segundo cálculos feitos pelos analistas a pedido do Broadcast. De acordo com os economistas, o aumento deve promover um impacto entre 0,03 e 0,06 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A elevação nos valores dos produtos da empresa, líder nacional no mercado de cigarros, ocorre em antecipação à cobrança da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevista para o começo de 2014.

Do total de 11 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o IPCA, apenas Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte não sentirão os efeitos do aumento nos preços dos cigarros. Isso porque a expectativa é de que nesses locais o reajuste só deva ser anunciado no final do ano.

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Segundo o analista Étore Sanchez, da LCA Consultores, o aumento nos valores dos cigarros já deve ser sentido no IPCA-15 deste mês. De acordo com ele, o reajuste deve levar a uma alta total de 3,36% no item Cigarro, de forma a promover uma elevação de 0,03 ponto porcentual no IPCA de 2013. Com isso, a expectativa da LCA para o índice fechado do ano passou de 5,95% para 5,98%. “Como o aumento foi anunciado em novembro, o maior impacto deve ser este mês”, disse.

Na Tendências Consultoria Integrada, a estimativa é de que o aumento nos valores dos cigarros – item que tem peso de quase 1% no IPCA – fique um pouco acima do calculado pelo colega da LCA Consultores. “Com um reajuste médio de 14% para as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Brasília, Goiânia, Belém e Fortaleza, o impacto no IPCA de novembro deve ser em torno de 0,035 ponto”, disse a analista da Tendências Adriana Molinari.

O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, também estima que o maior impacto será percebido no IPCA de novembro, podendo ficar em 0,05 ponto porcentual. O economista disse que não alterou a projeção para o índice fechado de 2013, em razão do reajuste da Souza Cruz. “Mas reforça a percepção de um número bem alto (para o IPCA) em novembro, possivelmente acima de 0,65%”, afirmou. Se a taxa estimada por Serrano se confirmar, será um pouco acima da apurada em novembro de 2012, de 0,60%.

Já o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, estima um impacto médio de 0,06 ponto porcentual no IPCA de novembro, com o item Cigarros podendo apresentar taxa de quase 6%. Também para ele o índice deve terminar o mês com inflação de 0,65%. “O anúncio não causa nenhuma surpresa. Até havia calculado um impacto maior”, disse, ao contar que estimava um aumento mais perto de 7% no item cigarro no IPCA de novembro antes do anúncio da Souza Cruz.

Cigarros

fabrica-souza-cruz_minDe acordo com a Souza Cruz, os preços das marcas Minister, Continental e Belmont não sofreram reajustes. Os cigarros que subiram foram: Charm SLS Box, Vogue Bleue, Lilás e Menthe, Free Slims, Vogue Perle Bronze, Dunhill Nanocut (todas as versões), Dunhill (todas as versões), Free Mix (todas as versões), Free Mano (todas as versões), Free Box ((todas as versões), Lucky Strike Click & Roll, Lucky Strike (Red e Blue), Free maço (todas as versões), Hollywood (todas as versões), Hilton Slims, Plaza KS e Slims, Ritz Slims Hilton KS (todas as versões) e Derby (todas as versões).

Apesar de a Souza Cruz não ter comentado quais foram as principais alterações de preços, fontes que tiveram acesso à nova tabela informaram que a marca Derby teve a alta mais significativa. O preço passou de R$ 4,25 para R$ 5,00 (17,6%). Na sequência, o maço de Hollywood subiu 16,6%, e ficou em R$ 5,25 (ante R$ 4,50). No caso do Free Box, o preço saiu de R$ 5,25 para R$ 6,00, e aumentou cerca de 14%.

A expectativa é de que a concorrente Philip Morris também adote o mesmo procedimento, elevando os preços dos seus produtos em breve. Procurada, a fabricante da marca de cigarros, como o Marlboro, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não comenta estratégia de preços”.

Fonte: O Estadão e Revista Exame

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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