ONU teme que ataque leve a uma escalada militar na Síria

Presidente da Comissão de Inquérito para os Crimes no país, brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro insiste que não há solução para a guerra civil.

O presidente da Comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Crimes na Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, insiste que não existe uma solução militar para a guerra em Damasco. Ele teme que a ação americana, os ataques químicos e uma nova retórica na região representem uma escalada militar no conflito que já dura seis anos.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Pinheiro indicou que sua função não é a de avaliar as motivações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Acompanhamos o discurso do líder americano, mas não entramos na análise de sua motivação. O que dizemos de forma consistente ao longo dos anos é que não existe uma solução militar para a Síria”, apontou.

Até o momento, a Comissão indica que não recebeu qualquer informação ou alegação de que o ataque americano tenha resultado em mortes de civis. “Como nosso mandato é investigar violações de direitos humanos, não há bases para que façamos uma investigação sobre esse incidente”, explicou.

Em sua análise, o que pode ser uma vítima do ataque é a negociação de paz em Genebra que tenta ser mediada pela ONU entre o regime, potências estrangeiras e a oposição. “A Comissão está, porém, preocupada como uma potencial escalada militar que possa ser resultado de eventos dos últimos dias e a retórica cada vez mais dura vinda de diversas partes que influenciam esse conflito”, disse.

Segundo Pinheiro, o mediador da ONU, Staffan de Mistura, havia conseguido manter o processo de diálogo e um novo encontro estava marcado para maio. “Agora, o novo cenário pode contribuir para afetar o processo”, disse.

O brasileiro também teme que o frágil cessar-fogo na Síria seja abandonado, impedindo que novas rodadas de diálogo entre oposição e regime possam ocorrer.

A meta da ONU é colocar em prática um acordo para promover a transição política, a criação de uma nova constituição e, em 18 meses, eleições gerais.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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