Alckmin detona Selic e propõe revolução no cálculo da inflação: “aumentar juros não faz chover”
Vice-presidente critica taxa de 14,25% e sugere excluir alimentos e energia do IPCA para aliviar economia
Em um discurso que promete acender debates acalorados, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu nesta segunda-feira (24) uma mudança radical na política monetária brasileira.
Durante o evento “Rumos 2025”, promovido pelo jornal Valor Econômico, Alckmin propôs que o Banco Central (BC) retire a inflação de alimentos e energia do cálculo que define a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano – o maior patamar desde 2016. “Não adianta aumentar os juros, porque não vai fazer chover”, disparou, apontando que fatores como clima e tensões geopolíticas inflacionam esses itens sem que a Selic consiga controlá-los.
Selic em alta: um freio na Economia
A taxa básica de juros, fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), subiu 1 ponto percentual na última reunião, alcançando 14,25% ao ano – o quinto aumento consecutivo em um ciclo de aperto monetário iniciado para conter a inflação. Segundo o BC, o objetivo é frear a demanda aquecida, encarecendo o crédito e incentivando a poupança. No entanto, Alckmin alerta que esse remédio amargo está sufocando a economia. “Uma taxa de juros elevada torna muito caro o custo de capital”, afirmou, destacando que cada ponto percentual a mais na Selic custa cerca de R$ 48 bilhões extras à dívida pública.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação oficial, medida pelo IPCA, atingiu 1,31% em fevereiro de 2025, puxada pela alta na energia elétrica. Em 12 meses, o índice acumula 5,06%, acima do teto da meta de 3% (com tolerância até 4,5%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Apesar disso, o Copom sinalizou que o próximo aumento, previsto para maio, será “em menor magnitude”, mas não descartou ajustes futuros.
Alimentos e energia: vilões fora de controle?
A proposta de Alckmin tem inspiração internacional: ele citou o Federal Reserve (banco central dos EUA), que exclui alimentos e energia – itens voláteis – de alguns indicadores para focar em uma inflação mais estável.
No Brasil, esses dois setores têm sido os grandes vilões do IPCA. “Alimentos dependem do clima. Se há seca, os preços sobem. Energia oscila com o barril de petróleo e crises geopolíticas. Aumentar juros não resolve isso, só prejudica a economia”, argumentou o vice-presidente.
A ideia, porém, divide opiniões. Enquanto o BC usa a Selic para domar a inflação cheia, a exclusão desses itens poderia mascarar o custo de vida real dos brasileiros, que sentem o peso de alimentos e energia no bolso diariamente. Em contrapartida, Alckmin aposta que focar em uma inflação “estrutural” traria alívio ao setor produtivo e evitaria o encarecimento generalizado do crédito.
Economia aquecida, mas sob pressão
O Copom reconhece que a economia brasileira segue aquecida, apesar de sinais de desaceleração. Em comunicado, o comitê destacou que tanto a inflação cheia quanto os núcleos (que excluem preços voláteis) continuam em alta, com risco de pressão nos serviços. Para 2025, o mercado financeiro prevê que a Selic chegue a 15% até o fim do ano, segundo o Boletim Focus, antes de recuar para 12,5% em 2026.
Alckmin, no entanto, vê luz no fim do túnel. Ele prevê uma queda nos preços dos alimentos ainda em 2025, impulsionada por uma safra agrícola mais robusta devido a condições climáticas favoráveis. “A agricultura pode dar um empurrão no PIB”, afirmou, otimista com o crescimento econômico.
Um debate que promete pegar fogo
A sugestão do vice-presidente coloca o BC sob pressão e reacende a discussão sobre o papel da Selic no controle inflacionário. Enquanto o governo busca formas de baratear o custo de vida – como zerar impostos de importação para alguns alimentos –, Alckmin insiste que a política monetária precisa de um ajuste de rota. “É uma medida inteligente que o Banco Central deveria estudar”, concluiu.
Resta saber se a proposta ganhará tração ou se será apenas mais um capítulo na guerra entre o Palácio do Planalto e o BC. Por ora, o brasileiro segue acompanhando, entre o bolso apertado e a esperança de dias melhores.
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