Para imprensa alemã, Trump tem problemas mentais

Presidente criticou grandes veículos de comunicação americanos e reclamou do “tom de ódio” contra ele. “The Guardian” afirma que seria engraçado se não fosse assustador, e Spiegel Online duvida da saúde mental de Trump

A polêmica e surpreendente entrevista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (16/02), na qual ele reclamou do “tom de ódio” de alguns veículos da imprensa americana, em especial da emissora de televisão CNN, repercutiu em todo o mundo.

Na entrevista, que originalmente seria dedicada à nomeação do novo secretário do Trabalho, Trump criticou quase todos os maiores veículos de comunicação do país. Ele chamou o New York Times de debilitado, acusou a CNN de difundir notícias falsas e afirmou que o Wall Street Journal é mal agradecido.

A CNN chamou a entrevista de “um momento inacreditável na história“, e o jornal alemão Die Welt comentou que as revelações feitas por Trump sobre si mesmo seriam chocantes. O periódico italiano La Repubblica escreveu que nenhum presidente havia declarado a mídia sua inimiga número um. Já o jornal britânico The Guardian afirmou que a apresentação de Trump seria engraçada se não fosse tão assustadora. O site alemão Spiegel Online duvidou até mesmo da saúde mental do presidente.

O apresentador Shepard Smith, da emissora conservadora Fox News, considerada pró-Trump, não se conteve e usou palavras claras para definir o que viu. “É impressionante o que nós vemos todos os dias. É completamente maluco”, afirmou, acrescentando que Trump repete “alegações tolas que simplesmente não são verdadeiras, e desvia das perguntas sobre a Rússia. Como se fôssemos idiotas ao fazer essas perguntas”.

Os jornalistas questionaram as conexões do ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn com a Rússia. O general reformado renunciou ao cargo nesta segunda-feira, depois de o Washington Post ter revelado que ele teria conversado sobre as sanções aplicadas pelo governo do presidente Barack Obama à Rússia com o embaixador do país em Washington.

No vídeo da transmissão ao vivo da entrevista pela Fox News, que já foi compartilhado milhares de vezes, Smith fala diretamente para a câmera: “Não, senhor, nós não somos idiotas quando fazemos essas perguntas. Nós queremos que o senhor as responda. O senhor deve isso ao povo americano”.

Após a entrevista, o apresentador da CNN Jake Tapper afirmou que Trump estava desequilibrado. Tapper disse que a performance do presidente pode ter agradado às pessoas que votaram nele, mas “muitas pessoas vão dizer ‘aquele cara não está focando em mim, eu não sei no que ele está focado'”.

“Herdei uma bagunça”

Em breve diálogo com Jim Acosta, correspondente da “CNN” na Casa Branca, Trump disse que o público já não acredita no que a imprensa diz. “O tom é tão odioso. Eu realmente não sou uma pessoa ruim”, afirmou.

O presidente criticou quase todos os veículos de imprensa que fizeram perguntas na coletiva sobre a nomeação do novo secretário de Trabalho americano, que durou mais de uma hora. Em várias oportunidades, ele disse que queria passar a vez da pergunta para “repórteres amigáveis”.

“A imprensa se tornou tão desonesta que, se não falarmos disso, estaríamos em falta com o povo americano. A imprensa está fora de controle, o nível de desonestidade está fora de controle”, afirmou.

Em artigo, o New York Times escreveu que a coletiva “foi marcada por uma defesa extraordinariamente crua e zangada, de forma nunca antes vista na Casa Branca moderna”.

“Às vezes abrupto, muitas vezes vacilante, caracteristicamente arrogante, mas aparentemente dolorido com as representações sobre ele, o Sr. Trump parecia tentar reproduzir a energia e o entusiasmo de sua campanha após um mês de governo”, diz o texto.

Trump insultou os maiores veículos de comunicação do país, como o “debilitado” The New York Times, a CNN e suas “notícias falsas” e o “mal-agradecido” The Wall Street Journal.

Eu ligo a TV, abro os jornais e vejo matérias sobre o caos [do meu governo]. É exatamente o oposto. Essa administração está funcionando como uma máquina bem regulada, apesar de eu não ter meu gabinete aprovado”, disse o presidente.

Ele fez a declaração ao responder perguntas sobre a renúncia de Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional, que mentiu ao negar às autoridades em Washington ter conversado com um embaixador russo sobre a retirada das sanções à Rússia impostas pelo governo do ex-presidente Barack Obama, em reação a uma suposta interferência russa nas eleições presidenciais americanas.

“Eu herdei uma bagunça”, afirmou Trump ao defender a performance do seu governo e criticar reportagens sobre a proximidade entre membros do atual governo e autoridades russas durante a campanha presidencial americana.

“Não acho que ele [Flynn] fez nada de errado”, afirmou ao ressaltar que ele e seus assessores não tiveram nenhum contato com Moscou durante a campanha e que notícias sobre o assunto “são falsas”.

FC/efe/dpa/afp/ots

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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