Perícia afirma que “objetos foram plantados” em carro de empresário assassinado por policial rodoviário em briga de trânsito

Defesa de PRF envolvido na confusão alega que houve falhas em vistoria

Duas garrafas Pet e dois flambadores. Esse é o novo mistério que permeia a investigação sobre a confusão no trânsito, que causou a morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, em 31 de dezembro de 2016 .

Por um lado, a perícia fala que eles teriam sido “plantados” na caminhonete da vítima, em Campo Grande. A defesa, por sua vez, prepara a argumentação ressaltando que a vistoria não foi realizada de maneira minuciosa e que os objetos estavam no veículo, sendo usados como forma de simular uma arma e ameaçar o agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), envolvido no acidente.

De acordo com a coordenadora do Instituto de Criminalística, Glória Suzuki, houve total isenção no trabalha da perícia. “A perita fez o exame no local, buscando os projetis, assim como a vistoria de forma minuciosa e tudo isso consta no conjunto probatório. Quando a família esteve aqui e foi no veículo, no pátio do IC, houve acompanhamento por parte dos servidores. A suspeita é que eles foram plantados entre os dias 2 e 4, após a visita da família”, afirmou a coordenadora.

Com a apreensão dos objetos, foi feita uma nova perícia. A servidora atuante nos exames também registrou boletim de ocorrência e todas as informações foram encaminhadas para conhecimento do juiz.

Ela ressalta que as garrafas plásticas “Catuaba Duelo” e “Jurubeba Duelo”, além de dois maçarico-flambadores não estavam no interior do veículo, sendo que as 270 fotos realizadas anteriormente apontam a ausência destes objetos.

Falta de segurança

Ainda conforme a denúncia da servidora, os objetos foram encontrados no dia 9 de janeiro deste ano. Até o momento, segundo o auto de investigação preliminar, os possíveis responsáveis por esta conduta não foram encontrados e a perícia alega ainda a falta de um sistema de video-monitoramento para um “controle mais efetivo do acesso de pessoas estranhas as dependências da coordenadoria”.

Justiça

As audiências para ouvir as testemunhas de defesa e acusação estão marcados para os dias 5 e 12 de abril. Por parte da defesa, a intenção é usar o “momento oportuno” para os novos fatos. O advogado criminalista Renê Siufi, que atua na defesa do agente da PRF, Ricardo Hyum Su Moon, conta que analisa “com muita calma estes fatos novos”, principalmente essa “questão da mistura da bebida alcoólica com ecstasy”, comentou em entrevista recente.

Segundo o jurista, a defesa está pedindo a comanda dos últimos 12 meses em que o empresário compareceu na boate. Nestas ocasiões, ele teria feito a “mistura de bebidas e o entorpecente. Outro ponto a ser discutido seriam os possíveis erros na reprodução simulada.

Indignação
A família do empresário, diante a tantas informações, diz estar indignada. “Ele foi brutalmente assassinado e estão encobrindo tudo isso. Nada justifica a forma como o policial agiu. E cada dia que passa é um sofrimento pior para a família, pois parece que meu tio se tornou um alcoólatra, drogado e depressivo. O cara matou, tem que pagar por isso e não é porque ele [Adriano] tinha substâncias no sangue que vai mudar a pessoa que ele era”, comentou a sobrinha Paula Barbosa Nascimento.

Ainda conforme a sobrinha, a vítima estava sempre na “correria” dos restaurantes e, nas horas vagas, estava sempre perto da família. “Nós saíamos junto com ele e não tínhamos conhecimento de ecstasy. Ele estava sempre com muito trabalho e passar por tudo isso, com as pessoas sempre querendo falar no assunto, é muito difícil”, finalizou.

Entenda o caso

O crime aconteceu às 5h40, do dia 31 de dezembro de 2016, na avenida Presidente Ernesto Geisel, esquina com a rua 26 de Agosto, região central de Campo Grande. Após uma briga de trânsito, o policial rodoviário começou a disparar contra a caminhonete de Adriano. Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, e o filho, de 17 anos, também estavam na caminhonete, que foi atingida por cerca de sete tiros.

A vítima foi atingida em regiões vitais, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Ele morreu no local. O suspeito estava sozinho no carro. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, sendo que isolaram a pista para os trabalhos da perícia e Polícia Civil.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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