PF realiza 2ª fase da operação Greenfield e tem como alvo ex-sócio de Joesley Batista, da Friboi

O nome da operação faz alusão a investimentos que envolvem projetos incipientes (iniciantes, em construção), ainda no papel, como se diz no jargão dos negócios

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (8) a 2ª fase da operação Greenfield, que investiga irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país, todos ligados a estatais. Os policiais cumprem cinco medidas judiciais em São Paulo e duas no Mato Grosso do Sul.

O preso é Mario Celso Lopes, ex-sócio de Joesley Batista, da Friboi e a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão nas empresas MCL Empreendimentos e Eucalipto Brasil.

Os alvos são acusados de esconder provas e cooptar testemunhas que poderiam auxiliar as investigações. A suspeita é que dois sócios de um dos maiores grupos empresariais investigados pela Greenfield fizeram um contrato de R$ 190 milhões para mascarar o suborno a um empresário concorrente. O objetivo era impedir que esse empresário revelasse informações de interesse da investigação.

Segundo a PF, a suspeita, revelada por uma testemunha, é que o contrato de fornecimento de massa florestal de eucalipto para produção de celulose fosse apenas uma forma de recompensar o silêncio de um ex-sócio da empresa.

O juiz Vallisney de Oliveira determinou o bloqueio de bens de Mario Celso Lopes e do filho Mario Celso Lincoln até o limite de R$ 1,7 bilhão.

A pedido do MPF, Vallisney também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da dupla. Um dos objetivos é identificar comunicações entre Mario Celso e Joesley Batista.

Operação

Na 1ª fase, realizada em setembro de 2016, os focos da operação Greenfield foram a Funcef (fundo de pensão de funcionários da Caixa), a Petros (Petrobras), a Previ (Banco do Brasil) e o Postalis (Correios). A investigação da PF contou com apoio do Ministério Público Federal, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em setembro de 2016, foram cumpridos 106 mandados de busca e apreensão, 34 mandados de condução coercitiva e 7 mandados de prisão temporária.

De acordo com a PF, as investigações foram motivadas após a revelação da causa de déficits bilionários de fundos do tipo. “De dez casos, oito são relacionados a investimentos realizados de forma temerária ou fraudulenta pelos fundos de pensão, por meio dos FIPs (Fundos de Investimentos em Participações)”, disse a polícia na época.

Quando a 1ª fase foi deflagrada, os investigadores observaram a configuração de quatro núcleos criminosos: o empresarial, o dirigente de fundos de pensão, o núcleo de empresas avaliadoras de ativos e o núcleo de gestores e administradores dos fundos de investimentos em participações.

 Entre os presos, estavam o ex-presidente da Funcef, Carlos Alberto Caser, o diretor da Funcef Maurício Marcellini Pereira, os ex-diretores da Funcef Carlos Augusto Borges, Demósthenes Marques e o ex-diretor da Petros Humberto Pires Grault Viana de Lima.

Na 1ª fase, foram alvos de busca as empresas Santander, Bradesco Asset Management, Brookfield, Deloitte, Ecovix, Engevix, Envepar, OAS, Sete Brasil e a vice-presidência de Gestão e Ativos da Caixa.

Também foram expedidos mandados de condução coercitiva para ouvir o dono da Gradiente, Eugênio Staub, ex-presidente da Petros Carlos Fernando Costa, o ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco, o ex-presidente da Previ Sérgio Rosa, e o empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix.

“A decisão judicial ainda determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos e de recursos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas que são alvos da operação no valor aproximado de R$ 8 bilhões”, informou a Polícia Federal na ocasião.

Greenfield

O nome da operação faz alusão a investimentos que envolvem projetos incipientes (iniciantes, em construção), ainda no papel, como se diz no jargão dos negócios. No sistema financeiro, o contrário de investimentos Greenfield é o Brownfield. Nesse tipo, os recursos são aportados em um empreendimento/empresa já em operação.

 (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

Carros bloqueados pela Justiça em setembro de 2016 como parte da operação Greenfield (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Carros bloqueados pela Justiça em setembro de 2016 como parte da operação Greenfield (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Com G1 e O Antagonista

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