Eleições 2026

Plano de governo de Hildon Chaves é o que mais detalha os 100 dias

Comparação dos seis planos registrados no TRE-RO mostra que, diante de um orçamento sem folga, o candidato prioriza diagnóstico e entregas verificáveis logo após a posse

Plano de governo de Hildon Chaves é o que mais detalha os 100 dias
📷 Assessoria
📋 Em resumo ▾
  • O plano de Hildon Chaves reserva um capítulo inteiro aos 100 primeiros dias de governo, com 19 ações e uma entrega verificável para cada uma.
  • A lei orçamentária de 2027 proíbe o próximo governador de criar despesas permanentes sem cortar outras ou aumentar a receita.
  • Parte dos adversários promete gastos de grande porte sem indicar de onde virá o dinheiro.
  • Por que isso importa: promessa que não cabe no orçamento vira frustração no primeiro ano de mandato, e quem paga a conta é o cidadão que espera atendimento
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O plano de governo de Hildon Chaves, candidato ao governo de Rondônia pela coligação Rondônia, com a Força do Trabalho e da União (Federação União Progressista/Republicanos), é o que mais detalha o que será feito nos 100 primeiros dias de mandato. A conclusão vem de uma comparação feita pelo Painel Político entre os seis planos registrados no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO). Num estado com orçamento sem folga para novas despesas, a diferença entre prometer e entregar começa na primeira semana de governo.

O que o plano prevê para os primeiros 100 dias

O documento de Hildon tem um capítulo próprio, chamado Plano Tático, com 19 ações para o início do governo. Cada uma traz uma "entrega verificável", ou seja, um resultado que o cidadão pode conferir se foi cumprido ou não.

Entre as ações previstas estão:

  1. Filas da saúde: uma força-tarefa estadual para identificar quem espera consulta, exame ou cirurgia, há quanto tempo e em qual região, e colocar em execução um plano para reduzir as filas prioritárias.
  2. Recursos federais da segurança: um levantamento do dinheiro do Fundo Nacional de Segurança Pública que já foi enviado a Rondônia e ainda não foi gasto, para destravar sua aplicação.
  3. Feminicídio: um plano integrado entre polícia, saúde, assistência social e Justiça, com mapa de risco por região e metas anuais.
  4. Escolas, estradas e pontes: um inventário de todas as escolas estaduais e de toda a malha rodoviária, para definir onde investir primeiro com base em critérios técnicos.
  5. Prioridades públicas: a divulgação de até 30 prioridades do governo, cada uma com responsável, meta para 2030 e fonte de financiamento, acompanhadas num painel aberto na internet.
"Não basta conhecer o tamanho da fila. É preciso transformar informação em atendimento e fazer a fila andar."
— Plano de governo de Hildon Chaves, capítulo sobre os 100 primeiros dias

Por que o orçamento de 2027 limita as promessas

Uma das ações dos 100 dias é fazer um levantamento completo das contas do Estado antes de comprometer dinheiro novo. O levantamento inclui receitas, despesas obrigatórias, previdência, contratos e dívidas.

A medida tem uma razão prática. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (Lei estadual nº 6.465/2026) fixou em zero a margem para novas despesas obrigatórias de caráter continuado. Na prática, o próximo governador não poderá criar cargos, conceder reajustes ou lançar programas permanentes sem cortar outro gasto ou aumentar a arrecadação na mesma proporção.

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Todos os candidatos citam o diagnóstico que o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) entregou às campanhas em agosto. Esse diagnóstico mostra o que está registrado nos sistemas oficiais. A experiência de gestão mostra que a conta real costuma ser maior.

O próprio plano de Pedro Abib (MDB) registra que o orçamento da saúde nasceu subestimado ano após ano. Segundo o documento, isso levou à edição de mais de 2.130 decretos de abertura de crédito extra em menos de cinco anos. Quem define gastos antes de conhecer o tamanho real das contas está calculando sobre um número que ainda não conhece.

O que os adversários prometem

A comparação com os outros cinco planos registrados mostra abordagens diferentes.

  1. Samuel Costa (PSB) promete uma gratificação permanente de um salário mínimo para policiais, bombeiros e socioeducadores, além de dobrar os auxílios-alimentação e saúde da categoria e criar uma universidade estadual. O plano não informa de onde viria o dinheiro para essas medidas. O próprio documento se apresenta como "esboço".
  2. Marcos Rogério (coligação Juntos por Rondônia) promete "aumento zero de impostos". No mesmo plano, propõe reduzir o ICMS de setores como querosene de aviação, aço naval e energia solar, e retomar a revisão geral dos salários dos servidores, que não ocorre desde 2014. Reduzir impostos e reajustar salários ao mesmo tempo significa perder receita e aumentar despesa.
  3. Expedito Netto (Federação Brasil da Esperança/PSOL-Rede) apresenta 90 compromissos numerados e indica fontes de recursos para cada área. Parte relevante do financiamento, porém, depende de programas do governo federal atual. Para a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD), o plano propõe reajuste real da tarifa entre 8% e 12%.
  4. Pedro Abib (MDB) organiza o plano em torno de um sistema de governança que ele chama de "grid", com poucas entregas imediatas definidas.
  5. Adailton Furia apresenta mais de 230 compromissos, a maioria condicionada a expressões como "conforme viabilidade". Para o Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (HEURO), promete concluir um estudo nos 100 primeiros dias, sem definir se a solução será concluir a obra, alugar ou comprar um prédio.

As obras com nome e endereço

Além das ações imediatas, o plano de Hildon identifica obras específicas:

  1. um novo hospital e pronto-socorro de alta complexidade;
  2. novos hospitais em Ji-Paraná e Ariquemes;
  3. a conclusão do asfalto da Rodovia do Boi (RO-370), entre o Trevo da Pedra e o município de Parecis, que liga o Cone Sul à Zona da Mata e oferece rota alternativa aos pedágios da BR-364;
  4. a convocação dos aprovados no último concurso da Polícia Civil.

Um problema que não é só de Rondônia

A situação de Rondônia se repete em outros estados. Arrecadação em alta convive com orçamento comprometido por folha, custeio e previdência. O dinheiro para obras pode ser obtido por empréstimo, mas o custo de manter um hospital ou uma escola funcionando precisa sair do caixa todos os anos.

Nesse cenário, a disputa estadual deixa de ser sobre quem promete mais. Passa a ser sobre quem sabe o que cabe no orçamento. É uma discussão que eleitores de todo o país deveriam acompanhar, porque o mesmo aperto chega a outros governos estaduais em 2027.

O que o próximo governador vai encontrar

Nenhum plano de governo resiste inteiro ao primeiro mês de mandato. Contratos, dívidas e obras paradas só aparecem por completo para quem assume a caneta.

Hildon Chaves, ex-prefeito de Porto Velho, apresentou o plano que parte dessa constatação. Primeiro ele se compromete a conhecer o tamanho real do problema. Só depois, a prometer o que o caixa suporta.

Em 1º de janeiro, a campanha acaba e a conta chega. Quem prometeu o que não cabe no orçamento vai passar o mandato explicando o que não entregou. Quem planejou os primeiros passos vai ter menos a explicar.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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