PM é preso por agredir menor aprendiz dentro de loja em GO; "achei que ia morrer", veja o vídeo
Suspeito de espancar adolescente em Catalão (GO) foi solto após fiança de R$ 3 mil. Caso reacende o debate sobre abuso de autoridade e a proteção a jovens trabalhadores
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- O policial militar Ricardo Lima Nascimento, suspeito de agredir um menor aprendiz de 16 anos em Catalão (GO), foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.
- A Justiça impôs medidas cautelares, incluindo o recolhimento da arma de fogo e a ordem de distanciamento da vítima.
- Imagens mostram o agente ameaçando de morte e agredindo o jovem, que apenas abria a loja onde trabalha.
- Por que isso importa: O caso expõe a vulnerabilidade de jovens no mercado de trabalho e testa a capacidade das instituições de coibir abusos de autoridade de forma efetiva
O policial militar Ricardo Lima Nascimento, suspeito de espancar e ameaçar de morte um adolescente de 16 anos em uma loja de autopeças em Catalão, no sudeste de Goiás, deve ser solto após o pagamento de fiança de R$ 3 mil. O alvará foi expedido nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, reacendendo o debate nacional sobre abuso de autoridade e a segurança de jovens trabalhadores.
A dinâmica da agressão e as ameaças registradas
O crime ocorreu na manhã de quinta-feira, 16 de julho, por volta das 7h30. O adolescente, que atua como menor aprendiz no local, foi filmado sendo agredido pelo investigador no momento em que abria a loja. As imagens, que circularam nas redes sociais, mostram o policial pressionando o jovem contra a parede, jogando-o ao solo e desferindo tapas em seu rosto.
Durante a agressão, o agente é ouvido gritando e questionando se o adolescente faz parte de grupos criminosos. Em um dos trechos mais graves do vídeo, o policial aponta sua arma para o jovem, que já estava no chão, e profere ameaças explícitas: "Por que você estava encarando a polícia? [...] Vou te matar aqui agora. Vontade de dar um tiro agora, bem na sua cara. Você tem que morrer".
"Se eu te achar de novo, eu arrebento a sua cara", gritou o policial ao jovem, ordenando que ele saísse da cidade. Veja as imagens divulgadas pelo Metrópoles.
A resposta da Justiça e as medidas cautelares
Diante da repercussão, a Justiça expediu o alvará de soltura condicionado ao pagamento da fiança. Segundo o advogado de defesa, Everson Rosa, além da liberdade provisória, foram impostas medidas cautelares rigorosas ao investigado.
Entre as determinações estão o recolhimento imediato da arma de fogo e a ordem de distanciamento da vítima. A medida visa proteger o adolescente, que, segundo relatos da mãe, sofreu machucados na costela e sangramento no rosto durante a abordagem.
"Não consegui nem ver todo o vídeo porque eu fico revoltada. Ele simplesmente chegou e bateu no meu filho por nada", afirmou a mãe do jovem em entrevista à TV Anhanguera, destacando que o filho trabalha desde os 11 anos de idade.
O posicionamento da Polícia Militar de Goiás
A Polícia Militar de Goiás emitiu uma nota oficial na quinta-feira, 16 de julho, informando que tomou conhecimento dos fatos por meio das imagens que circularam nas redes sociais. A corporação afirmou ter adotado, de imediato, "todas as providências legais, administrativas e disciplinares cabíveis para a devida apuração dos fatos".
O comunicado reforçou que a instituição não compactua com desvios de conduta e que os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório serão observados. A PM reafirmou seu compromisso com a transparência e a responsabilização de integrantes que agirem em desconformidade com os preceitos institucionais.
"A Polícia Militar de Goiás ressalta que não coaduna com qualquer desvio de conduta praticado por seus integrantes."
Vulnerabilidade no trabalho e o peso do uniforme
O episódio em Catalão não é um caso isolado de violência desproporcional contra jovens em ambiente de trabalho. Menores aprendizes, por sua condição etária e hierárquica, representam um grupo particularmente vulnerável a abusos de autoridade.
A agilidade com que as imagens se tornaram virais foi o principal catalisador para a abertura de inquérito e a aplicação de medidas cautelares. Sem a exposição pública, a dinâmica de tais abordagens muitas vezes se resume ao "disse-me-disse", dificultando a responsabilização do agente público. O caso coloca em xeque a formação e o controle interno das forças de segurança, especialmente no que tange ao uso progressivo da força e ao respeito aos direitos fundamentais.
A soltura mediante fiança de R$ 3 mil é um procedimento legal previsto, mas o valor simbólico e a rapidez do processo levantam questionamentos sobre a percepção de gravidade do crime. A agressão a um menor aprendiz, registrada em vídeo com ameaças de morte, não é um simples deslize de conduta; é uma violação frontal do monopólio estatal do uso da força.
A pergunta que resta não é apenas sobre a punição individual do policial Ricardo Lima Nascimento, mas sobre a eficácia dos mecanismos de correição em prevenir que o uniforme seja usado como instrumento de intimidação. Enquanto a apuração administrativa e criminal segue seu curso, a sociedade observa se a "tolerância zero" declarada nas notas oficiais se traduzirá em responsabilização efetiva, ou se ficará restrita a um comunicado de danos reputacionais.
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