PMs serão investigados por destruição de provas em cena de crime

A suspeita é que, na ação, os policiais tenham usurpado a função da Polícia Civil e destruído provas durante uma das maiores apreensões de armas da capital.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil vai investigar a atuação de policiais militares do Distrito Federal durante uma das maiores apreensões de armas da capital. A suspeita é que, na ação, os PMs tenham usurpado a função da Polícia Civil e destruído provas. A Polícia Militar do Estado de Goiás passou o nome e o endereço de dois suspeitos para a corporação brasiliense após uma tentativa de assalto a uma mineradora no município de Crixás (GO), em que 15 homens fortemente armados chegaram a render dois agentes de segurança pública.

No endereço indicado, uma loja de equipamentos elétricos na QE 7 do Guará I, militares do DF encontraram um arsenal com itens que vão desde um fuzil usado pelas forças especiais norte-americanas a máquinas de fabricar munições, além de cartuchos e projéteis de diversos calibres. A equipe da PM, no entanto, não acionou a perícia, levou o arsenal apreendido para o comando da corporação, no Setor Policial Sul, e os apresentou para a imprensa antes de entregá-lo à Polícia Civil. E o dinheiro recolhido na loja, cerca de R$ 40 mil, foi devolvido ao advogado de um dos suspeitos antes de ser entregue à Delegacia de Roubos e Furtos (DRF).

Um dos celulares dos suspeitos se perdeu no carro da corporação e só foi entregue no dia seguinte, sem o chip. Para completar, um irmão dos suspeitos, que é PM, esteve no local do flagrante durante a revista. A conduta das equipes da Polícia Militar envolvidas na ação causou desconforto entre as corporações.

O delegado à frente das investigações, o titular da DRF, Fernando Cesar Costa, lamentou a destruição de provas. Segundo ele, como os PMs recolheram os armamentos sem o uso de luva, possíveis impressões digitais se perderam. A presença de muitos homens no local também pode ter destruído outros indícios que comprovariam a ligação da dupla com os criminosos de Crixás. “Todos nós queremos ver criminosos longe das ruas. Mas queremos ter a certeza que são responsáveis pelas condutas ilícitas na exata medida de suas participações em crimes, com base em provas produzidas dentro do processo judicial-penal, submetidas ao controle judicial e ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT)”, lamentou.

O assalto à mineradora Serra Grande, que pertence à empresa AngloGold Ashanti, aconteceu entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira. Ninguém se feriu e os criminosos não conseguiram levar nada. Apesar disso, o bando rendeu dois policiais militares de um posto nas proximidades — bem como seguranças do local —, roubaram as armas deles e fuzilaram um carro da corporação goiana. Perseguido por outra equipe da PM, o grupo jogou um balde com pregos retorcidos, popularmente chamados de miguelitos, para furar o pneu do veículo. Os militares pararam e recolheram o balde, que continha o nome da loja Geral Elétrica JK, do Guará, onde o arsenal foi encontrado. O proprietário do local, José Aparecido Fernandes, e o irmão dele, Jozivaldo Fernandes Gonçalves, responderão, inicialmente, por porte de arma de fogo.

Quando a equipe da PM chegou à loja, o tenente à frente do grupo não tinha certeza da validade do flagrante. Ele conversou com os suspeitos e eles aceitaram que o local fosse revistado, mas somente com a presença de um advogado. Entre o armamento apreendido, estão um fuzil M16 calibre 556 Colt, uma escopeta calibre 12, um revólver calibre 22, três revólveres calibre 38, além de uma pistola calibre 380. Um dos revólveres foi encontrado na casa de José Aparecido, bem como a escopeta, uma prensa para fabricação de balas e vários projéteis. Outro revólver estava na casa de Jozivaldo, que disse ser o único dono dos equipamentos e que o irmão não sabia onde ele os escondia. Ele também assumiu ter viajado para Goiânia nas últimas semanas, mas para comprar roupas.

Sumiço de dinheiro

Um dos fatores que mais causou estranhamento na ação da Polícia Militar foi o sumiço do dinheiro apreendido. Segundo os suspeitos, a quantia recolhida pela PM era, na verdade, fluxo de caixa da Geral Elétrica JK. A PM divulgou, no site da corporação, a apreensão de R$ 40 mil e o dinheiro chegou a ser exposto ao lado do armamento, em uma foto postada na mesma matéria. Porém, a quantia não foi levada para a DRF na noite de quarta-feira. Somente na manhã de ontem, o advogado de José Aparecido, João Marcelo Caetano Costa, 41 anos, foi escoltado por um dos policiais militares que participou da operação e entregou a quantia de R$ 38.750 a agentes da DRF.

O advogado relatou à polícia que recebeu a quantia de um PM descaracterizado, sem nenhum recibo ou documento de devolução oficializando a entrega. Depois, ainda recebeu duas ligações, uma delas do policial que entregou o dinheiro, pedindo que ele devolvesse a quantia. “O que se viu foi uma atuação informal, à margem do Poder Judiciário. Até a finalização do flagrante, a DRF não tinha conhecimento da existência do dinheiro. A nossa preocupação, até então, se resumia à ausência de um procedimento técnico adequado para levantar provas”, explicou Fernando Cesar Costa.

A reportagem procurou a comunicação da Polícia Militar do DF para comentar a ação da equipe e as críticas recebidas pelo delegado. A corporação, no entanto, limitou-se a responder que “o dinheiro foi entregue na delegacia”. “Para mais informações, entre em contato amanhã (hoje) com esta assessoria”, concluiu o texto. Também por nota, a empresa AngloGold Ashanti se limitou a confirmar o crime na mineradora e que “não houve nenhum ferido e nada foi roubado”.

Fonte: correiobraziliense

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