Polícia Civil procura presidente da Expojipa por homicídio em RO
Sérgio Sussumo Suganuma é acusado de participar da morte de dois jovens em 2016, em Cujubim. Mandado de prisão foi expedido após suspensão de julgamento
📋 Em resumo ▾
- A Polícia Civil de Rondônia divulgou foto de Sérgio Sussumo Suganuma, presidente da Expojipa, como procurado por homicídio duplo.
- O mandado de prisão preventiva foi expedido em 14 de setembro, após a defesa abandonar a sessão de julgamento.
- Suganuma é acusado de contratar segurança clandestina para impedir ocupações em fazenda de Cujubim em 2016.
- Por que isso importa: O caso reacende o debate sobre violência no campo, a morosidade processual e a eficácia na localização de suspeitos de alta periculosidade no estado.
A Polícia Civil de Rondônia divulgou, nesta quinta-feira (8), a foto de Sérgio Sussumo Suganuma, presidente da Expojipa e da Associação Rural de Rondônia, como procurado. Ele é acusado de participar da morte de dois jovens, Ruan Lucas Hildebrandt, de 18 anos, e Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23 anos, em um conflito agrário na zona rural de Cujubim (RO), em 2016.
Mandado de prisão e suspensão do julgamento
O mandado de prisão preventiva de Suganuma foi expedido em 14 de setembro. Naquela data, o julgamento do caso foi suspenso após os advogados de defesa abandonarem a sessão. Segundo o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), a justificativa da defesa foi a suposta falta de acesso a "novas provas". No entanto, a corte esclareceu que os documentos apenas foram digitalizados recentemente, não configurando novidade processual.
Diante do abandono da sessão, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) requereu a prisão preventiva dos acusados para garantir a aplicação da lei penal e a regularidade da instrução processual até a realização de um novo julgamento. A Justiça também determinou que os réus arquem com os custos e despesas decorrentes do cancelamento da audiência.
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A acusação e o crime em Cujubim
De acordo com a denúncia do MP-RO, os crimes ocorreram entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2016. A acusação sustenta que Sérgio Sussumo Suganuma foi contratado pelo proprietário da fazenda, Paulo Iwakami, para organizar um grupo de segurança privada e clandestina. O objetivo seria impedir a entrada de ocupantes na propriedade, mediante o pagamento de R$ 105 mil.
Em 1º de fevereiro de 2016, o corpo de Alysson Henrique de Sá Lopes foi encontrado carbonizado dentro de um veículo nas proximidades da fazenda. No mesmo dia, iniciaram-se as buscas por Ruan Lucas Hildebrandt, cujo corpo nunca foi localizado, tendo as diligências oficiais sido encerradas quatro dias depois.
"O mandado de prisão preventiva foi expedido em 14 de setembro, depois que o julgamento do caso foi suspenso porque os advogados de defesa abandonaram a sessão."
Prisão de outros acusados e próximos passos
Enquanto Suganuma permanece foragido da Justiça há mais de 20 dias, outros três réus foram presos no dia do julgamento, em 14 de setembro. Segundo o MP-RO, Rivaldo de Souza, Moisés Ferreira de Souza e Jonas Augusto dos Santos Silva foram detidos e aguardam a marcação da nova data para a sessão do Tribunal do Júri.
O caso remete a um período de intensos conflitos agrários na região de Cujubim, no Vale do Jamari. A demora de uma década para o julgamento de crimes dessa natureza reflete os desafios do sistema de justiça criminal em Rondônia, especialmente em casos que envolvem disputas por terras e poder local.
Com a divulgação da foto e do mandado, a pressão sobre as autoridades de segurança pública aumenta para localizar Suganuma antes que ele consiga deixar o estado ou o país. O desfecho deste capítulo não dependerá apenas da captura do acusado, mas da capacidade do sistema judicial de conduzir um novo julgamento sem novas manobras protelatórias. A justiça, neste caso, já tarda há dez anos.
Versão em áudio disponível no topo do post.
