As falhas nos programas de Bolsonaro e Haddad, segundo especialistas em educação

Bolsonaro defende ensino à distância, inclusive para crianças, e quer evitar educação sexual nas escolas. Já Haddad propõe foco em educação em tempo integral e ações contra homofobia no ambiente escolar. Especialistas analisaram essas e outras propostas e apontaram alguns retrocessos.

Melhorar a qualidade do ensino no Brasil será um dos principais desafios do futuro presidente da República. Tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto Fernando Haddad (PT) afirmam, em seus programas de governo, que darão atenção especial à área da educação. Mas cada um tem ideias bem diferentes do que seriam melhorias nesse setor e dos caminhos a serem seguidos para alcançar um salto de qualidade.

Bolsonaro sugere que os atuais recursos aplicados em educação já dariam conta de melhorar o sistema de ensino. Já Haddad quer viabilizar a meta de destinar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação.

O candidato do PSL fala em foco no ensino fundamental, médio e técnico. E apresenta como uma das principais propostas abrir uma escola militar por capital. O do PT diz que a ênfase deve ser no ensino médio, com a transferência da gestão dos Estados para o governo federal.

E enquanto Bolsonaro quer impedir ações de educação sexual nas escolas e menções ao termo “identidade de gênero” nas diretrizes curriculares, Haddad propõe adotar políticas contra a discriminação a alunos LGBT+.

Analistas em educação analisaram, à pedido da BBC News Brasil, as ideias dos dois candidatos e apontaram alguns retrocessos.

Do programa de Bolsonaro, as ideias que mais preocupam os analistas são: promover educação à distância em áreas rurais, inclusive para crianças no ensino fundamental; ‘militarizar’ o ensino, com a reintrodução de disciplinas que existiam durante a ditadura militar e a abertura de escolas militares; e o foco em “português, matemática em ciência”.

Do de Haddad, alguns especialistas questionam a “federalização” do ensino médio e a revogação por completo da medida provisória do governo Michel Temer de reforma dessa etapa de ensino.

Veja abaixo as opiniões dos analistas sobre os principais pontos dos programas de governo dos dois candidatos:

10% do PIB x estagnar investimentos

O projeto de governo de Fernando Haddad propõe a criação de um “novo padrão de financiamento” da educação, para progressivamente alcançar a meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no setor.

Atualmente, são investidos cerca de 5% do PIB em educação. Já o programa de Bolsonaro diz que com os recursos que o país já tem é possível fazer “muito mais”, dando a entender que não há necessidade de novos investimentos.

Para os especialistas, as propostas vão de “8 a 80”. Por um lado, no atual cenário de desequilíbrio fiscal do país, não parece “factível” a meta de destinar 10% do PIB à educação. Por outro, estagnar os investimentos impediria melhorias efetivas na qualidade do ensino.

“Bolsonaro coloca que basta boa gestão para melhorar os investimentos. Mas não é suficiente só boa gestão. Claro que, na falta de recursos, alguns programas podem deixar de ser feitos. Mas não tem como avançar sem investir em formação de professor e atratividade da carreira. E essas duas medidas custam caro”, diz a professora Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Agora, 10% do PIB eu não consigo enxergar acontecendo no curto prazo, porque vai ter que ter gasto em saúde, segurança, e no social, como Bolsa Família. Tenho dúvidas de como efetivar essa meta”, completa Costin, que foi diretora do departamento de educação do Banco Mundial.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA BBC.

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