[COLUNA] – Alguém avisa o governador que Facebook não é jornal, ele ainda não sabe disso

Marcos Rocha adota rede social como canal de comunicação oficial, mas desconhece algoritmos e limitações. Ao mesmo tempo elege parte da imprensa como inimigos e tenta evitar críticas e dar explicações. E ainda, Justiça federal dá um presente para a população de Rondônia, a permissão para que Energisa enfie 27,1% de aumento nas contas de energia elétrica. Bem vindo a 2019

Criador de ruídos

A imprensa existe e tem uma razão de ser, ela é especializada em divulgar informação, assim como médicos são especialistas em tratar pessoas e engenheiros em projetar estruturas. Quando ocorrem ruídos na comunicação, tudo fica mais difícil, e quando esses ruídos são provocados por quem deveria reduzi-los, a situação é ainda mais complicada. Não se sabe por qual motivo o governador Marcos Rocha elegeu parte da imprensa como sua adversária, e me incluo nesta lista. Durante a campanha eleitoral, PAINEL POLÍTICO foi um dos poucos veículos que deu espaço para o então candidato falar por mais de 40 minutos sobre seus projetos, planos e se apresentar, ao menos ao nosso público. E Marcos Rocha foi informado na ocasião, que por aqui a gente não tem “contratinho de publicidade” com o governo, coisa que ele até se espantou.

Pois bem

Desde que foi eleito, Rocha se mostrou arredio, passou a falar apenas com a imprensa que “tem contratões”, como é o caso das emissoras de TV (que recebem uma bolada enorme de recursos públicos) e passou a generalizar as críticas a jornalistas e parte da imprensa, ao invés de dar transparência, prefere se fechar e pior, acha que Facebook é jornal, e resolve “se comunicar” por lá.

Alô Marcos Rocha

Né assim que o Facebook funciona não. Lá existem algoritmos que limitam o acesso às postagens e atinge público-bolha, ou seja, você vai sempre estar falando para as mesmas pessoas. Em Rondônia dezenas de sites de notícias estão no ar, e cada um tem seu público, alguns tem leitores fiéis, outros esporádicos, mas é onde as pessoas buscam informações, principalmente nos que já possuem um nome estabelecido, com credibilidade. Por vezes, na velocidade da informação, a primeira mensagem chega truncada, com alguns atravessados, mas é corrigida em seguida. Jornalista é uma profissão que deve ser respeitada. Assim como existem maus médicos, maus policiais, existem maus jornalistas, mas nem por isso você deixa de chamar a polícia ou de ir ao médico quando precisa.

Desça do palanque

A eleição acabou e desde o dia 1 de janeiro, tanto o senhor quanto seus assessores precisam prestar contas à população. E isso deve ser feito através da imprensa. Críticas e cobranças vão continuar até o fim deste seu mandato e de outros (ou nenhum), mas na vida pública não existe essa de seletividade. Por causa desses ruídos que o caos se instala, e surge o disse-me-disse. Facebook é para fotos de família e papo furado.

Presente de ano novo

E nesta quarta-feira a Justiça Federal nos brindou com a derrubada da liminar que impedia o reajuste na tarifa de energia, que estava em vigor desde 20 de dezembro. Com isso, a Energisa vai poder empurrar até 27,1% de aumento nas contas. E esse deve ser o primeiro de pelo menos mais dois reajustes que devem acontecer até o fim do ano. Este primeiro, segundo nota da empresa, foi quase um favor que nos fizeram, “era para ser bem maior”. Quem está insatisfeito, pode reclamar no Facebook, seus amigos vão curtir e compartilhar, mas a conta é você quem vai pagar (até rimou).

Não é ilegal

Mas gera mais um desgaste para a imagem de Marcos Rocha a nomeação de sua ex-esposa como adjunta da Policlínica Osvaldo Cruz. Desnecessário e provinciano.

Queda de braço

Os agentes penitenciários anunciaram uma greve porque o governador vetou o PCCS da categoria, alegando “desconhecer o projeto”. Na sequencia o governo emitiu uma nota, dizendo que a culpa é do deputado estadual Anderson do Singeperon, que teria alterado o projeto. O deputado rebateu dizendo que tudo foi feito de acordo com o combinado. Esse é o resumo. Agora falta ver se de fato os agentes farão a greve.

Momento delicado

Para os agentes a hora não é muito boa. No Brasil, governadores e o presidente avaliam a possibilidade de privatizar o setor prisional. Falta consenso, já que nesse modelo o custo chega até a R$ 4,5 mil por preso. A solução que mais se aproxima do ideal é colocar os apenados para trabalhar, fazer a própria comida e até produzi-la. Se Rocha meter a cara para privatizar, os agentes terão mais motivos para protestar.

Saiba mais sobre a Peste, a doença que matou 25 milhões na idade média e está de volta

A peste é uma doença infecciosa aguda e que se manifesta sob três formas clínicas: bubônica, septicêmica e pneumônica. Ela é transmitida, principalmente, por picada de pulga infectada presente em roedores, em especial os ratos. Estevão Portela Nunes, infectologista e vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), explica que a bubônica é o tipo mais brando da patologia, e seus sintomas mais significativos são febre alta e gânglios aumentados (bubões) e doloridos próximos ao local da picada. Nos estágios mais avançados, os nódulos linfonodos costumam abrir e ficar cheios de secreção contagiosa. Vale salientar que, no caso da pneumônica, há o agravante se ela ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de objetos infectados com muco e por gotículas aerogênicas lançadas pela tosse no ambiente. Segundo o Ministério da Saúde, “a maior transmissibilidade da peste bubônica se dá no período sintomático, em que o bacilo circula no organismo em maiores quantidades. A da peste pneumônica ocorre no início da expectoração, permanecendo enquanto houver bactérias no trato respiratório”. O tempo de incubação geralmente é de 2 a 6 dias na bubônica e de 1 a 3 dias na pneumônica. O diagnóstico da patologia é feito por meio de exames de sangue, do fluido presente nos bubões ou do escarro. Nunes diz que o tratamento deve começar o mais rápido possível, até mesmo antes da chegada dos resultados laboratoriais – o ideal é instituí-lo nas primeiras 15 horas após o início dos sintomas devido à gravidade e à rapidez da instalação do quadro clínico. Ele é feito com o uso de antibióticos (tetraciclinas, estreptomicina, cloranfenicol são alguns) injetáveis ou orais por um período de 10 a 14 dias. A internação e o isolamento do paciente, muitas vezes, são necessários no princípio, a fim de definir a melhor conduta e acompanhar a evolução do caso. A bactéria Yersinia pestis é causadora da enfermidade que assolou a Europa no século 14 – historiadores estimam que 25 milhões de pessoas, mais de um terço da população do continente na época, morreu em decorrência da patologia entre 1347 e 1351.


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