[Coluna] – O que Marcos Rocha (deveria) pode fazer para economizar milhões no sistema prisional

Primeiro o meu

Na lista parcial de secretários, anunciada pelo governador eleito Marcos Rocha (PSL), está o nome de sua esposa, Luana, como secretária de Ação Social (porque é papel de quase toda primeira-dama) justificou o coronel que foi eleito com o compromisso de “fazer diferente”. A SEAS tem um orçamento milionário e no governo de Confúcio Moura não serviu para absolutamente nada.

Olha essa

Estava eu zapeando pela Netflix e eis que encontro uma série sobre as prisões mais perigosas do mundo, e lá estava o “Ênio Pinheiro” de Porto Velho. O apresentador gringo, se dispôs a passar uma semana no sistema prisional de Rondônia e mostrar como é a realidade dos apenados. Ele estava por aqui quando Rocha era secretário de Justiça. Duas coisas me chamaram a atenção no programa.

Duas coisas

A primeira foi a alimentação dos detentos. Lá pelo terceiro dia, o apresentador inglês Raphael Rowe acompanhou a entrega dos marmitex aos presos, e os detentos reclamaram (e com razão) da comida. Em determinada cena, um preso pega um pedaço de carne da marmita e tenta dar a um filhote de cachorro, que rejeita. É o suficiente para que todos comecem a dizer que “nem cachorro come aquilo”. Os presos então mostram que eles fazem comida em uma cozinha improvisada na própria cela. A segunda coisa que me chamou a atenção foi a fragilidade do sistema, e a percepção que todo mundo manda ali, menos os agentes penitenciários.

Ainda a comida

Semanas atrás em conversa com o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Walter Waltenberg, falávamos sobre a incrível inércia do sistema em relação a alimentação dos detentos. Waltenberg disse que os presos deveriam trabalhar em uma fazenda, porque isso ajudaria na ressocialização. Concordo com ele, mas vou além. Se os presos rejeitam a comida, que é produzida em cozinhas externas, porque o Estado não implanta uma cozinha industrial no presídio, monta uma equipe com os próprios detentos e eles mesmo ficam responsáveis por isso? Qual a dificuldade? Porque o Ênio Pinheiro não tem uma horta própria? A resposta é simples, isso não dá lucro.

E o efetivo?

Agentes penitenciários estão largados à própria sorte quando saem de suas casas e vão para o presídio. Um efetivo que beira o ridículo, mostra que basta uma carreira e os detentos tomam todo o complexo, usando os agentes como reféns. Em sua curtíssima aparição no programa, Marcos Rocha se limita a dizer que nada é feito por falta de orçamento. Pois bem, veremos agora qual será a desculpa.

Um acerto

José Hélio Cysneiros Pachá no comando da Secretaria de Defesa. Oficial reconhecidamente competente em sua área, e se tiver carta branca para agir, vai conseguir resultados positivos. O maior desafio será trabalhar com orçamento apertadíssimo em 2019.

Um erro

Nomear para Sibra uma pessoa que não conhece absolutamente nada em Brasília. Nada contra a senhora que vai assumir a representação do governo na capital federal, exceto o fato de que a função exige um pré-requisito que se chama experiência. Brasília não é para amadores, e para que a representação funcione mesmo, e não seja um mero cabide de empregos, é preciso ter gente que conheça gente.

Não vai rolar

Marcos Rocha pretende estar em Brasília no dia 3 de janeiro onde quer “discutir com Bolsonaro” a dívida do Beron. O problema é que a dívida está judicializada, e a decisão é do Supremo. A dívida tem que ser paga até 2020, é o que diz a lei. O STF pode reduzir de R$ 2 bilhões para R$ 1 bi, e parcelar, mas o Estado tem que pagar. Não depende do Executivo, e se dependesse, os demais estados entrariam na briga para perdões de dívidas também. Portanto, se a pauta da viagem for apenas essa, pode ficar aqui mesmo em Rondônia.

Acharam o Queiroz

A jornalista Débora Bergamasco, do SBT, encontrou o tal motorista dos Bolsonaro, Fabrício Queiroz que concedeu entrevista ao SBT Brasil que vai ao ar na noite desta quarta-feira. Na internet, dizem que ele está apenas fazendo uma “defesa prévia” e que a entrevista, na verdade, não passa de uma “conversa de comadres”. Vamos aguardar.

Enquanto isso

Em Vitória (ES) o ex-governador e ex-senador por três mandatos pelo Espírito Santo, Gerson Camata foi assassinado no meio da rua em Vitória, com pelo menos três tiros. Um crime chocante, cuja motivação ainda não foi esclarecida. Um homem, apontado como autor dos disparos foi preso. Gerson era irmão do radialista Valdemar Camata, radicado em Ji-Paraná.

Infecções na infância podem desencadear doenças psiquiátricas

Um grande estudo populacional dinamarquês descobriu fortes evidências de uma associação entre infecção na infância, tratamento antimicrobiano e transtorno psiquiátrico subsequente. Os pesquisadores descobriram que o risco de transtorno psiquiátrico aumentou mais de 80% após internação por infecção grave. O uso de medicamentos contra a infecção, especificamente antibióticos, foi associado a risco 40% maior de transtorno psiquiátrico subsequente. “Apesar das várias limitações que impossibilitam estabelecer qualquer relação de causalidade, nossos achados sobre a relação entre as infecções e as doenças psiquiátricas em um cérebro em desenvolvimento trazem novas informações sobre a conexão entre o corpo e o cérebro”, disse ao Medscape o Dr. Ole Kohler-Forsberg, da unidade de pesquisa em psicoses do Aarhus Universitetshospital, na Dinamarca. O estudo foi publicado on-line em 05 de dezembro no periódico JAMA Psychiatry.

Participe do debate. Comente!