Parabéns, prefeito e governador! – Professor Nazareno*

O prefeito de Porto Velho Dr. Hildon Chaves e o recém-eleito governador do Estado coronel Marcos Rocha tomaram recentemente uma heroica decisão: não vão colocar dinheiro público para patrocinar o Carnaval de Porto Velho em 2019. Decidiram também que qualquer verba disponível será (?) investida nas áreas da saúde e da educação do município e do Estado. Para se ter uma ideia, as escolas de samba daqui pediram à prefeitura “somente” meio milhão de reais para sair às ruas. Um acinte, uma piada de mau gosto, um desrespeito aos contribuintes. Um Estado cuja capital tem um “açougue” como o João Paulo Segundo não pode mesmo investir um só centavo público numa festa que só serve para sujar as já emporcalhadas ruas. Uma cidade como Porto Velho, a pior dentre as capitais do Brasil em IDH, não pode gastar dinheiro com orgia.

Porto Velho e Rondônia não têm cultura. Aliás, nunca tiveram. E não adianta citar a Sociologia, a Filosofia ou a Antropologia para dizer o contrário. Tudo aqui é cópia, e muito mal feita, do que acontece lá fora. O Carnaval daqui é uma porcaria que não chega nem aos pés do que acontece no Rio de Janeiro. O mês de junho é uma desgraça só, que sequer imita Parintins ou mesmo Manaus. Festas juninas iguais a Campina Grande na Paraíba nem em sonho. Futebol, se esta bobagem for cultura, também não existe por aqui. Só um tal de Genus faz a alegria de cinco ou seis torcedores. Aqui só se torce pelos times de fora. Então, para que se gastarem milhões em reais com estádios ou estrutura desportiva? Até o “ginásio de esportes” da cidade, o Cláudio Coutinho, tem servido para tudo menos para a verdadeira prática de esportes.

Não tenho nada contra o Carnaval, o São João, a quadrilha, o boi, o futebol ou outra “manifestação cultural” qualquer. Elas têm que existir e em alguns casos até divertem as pessoas. Mas tudo tem que ser bancado com o seu próprio dinheiro. Agora, se não têm recursos para existir, que desapareçam e deixem o Erário em paz. Não sei se a famosa banda consegue sobreviver sem verbas oficiais. Se conseguir, ótimo. Desfile com os seus brincantes e dê estrutura para todos eles. Nada de sujar e emporcalhar as já imundas ruas com lixo, imundície, sujeira e depois não mandar limpar nada. O Poder Público, na maioria dos casos, oferece a rua, a polícia para fazer segurança e ainda tem seus horrorosos hospitais entupidos de gente baleada, esfaqueada e ferida por acidentes de trânsito, tudo consequência da folia. Verbas para educação e saúde é o mais correto.

Porém, tomara que essa verba seja mesmo investida nessas áreas tão carentes do nosso Estado e de nossa cidade. É preciso que haja fiscalização. Chega de “açougue” e de UPAS sem remédios e médicos. Não votei em nenhum dos dois, mas sou obrigado a admitir que eles estão certíssimos nesta decisão. Agiram como estadistas de Primeiro Mundo: primeiro as necessidades, depois as festas e o supérfluo. A tal “Marcha para Jesus” se recebe ajuda oficial, essa prática tem que ser abolida também. Da mesma forma, nada contra a religião de ninguém. Mas é preciso se levar em conta que não há nada mais rico e cheio de dinheiro do que essas Igrejas. Claude Lévi-Strauss, antropólogo franco-belga, disse que se quiser acabar com um povo, basta acabar com a sua cultura. Em Porto Velho e em Rondônia acontece o contrário: se acabar essas tolices, salvará esse povo do desperdício e da miséria. E lhe dará uma melhor existência.

*É Professor em Porto Velho.

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