Mais política

PSDB pode pedir desculpas e se reinventar ou dar guinada à direita e desaparecer, diz cientista político

0

Para José Álvaro Moisés, partido deve fazer autocrítica para mudar de rumos e assumir papel de moderação entre polos ideológicos extremos.

Mesmo com resultado ruim nas eleições, o futuro do PSDB pode ser bom, acredita o cientista político José Álvaro Moisés. O partido precisaria apaziguar brigas internas, pedir desculpas por seus erros e ir às ruas para falar com a população, mas uma reconstrução seria possível.

Haveria, no entanto, um entrave: João Doria.

Para o professor da USP, que foi um dos fundadores do PT e integrou o governo Fernando Henrique Cardoso, o candidato do PSDB ao Estado de São Paulo tem atitudes pouco democráticas, como a de declarar apoio a Jair Bolsonaro (PSL) antes de uma decisão coletiva do partido.

Sua ascensão, pondera, poderia levar ao desaparecimento da sigla como ela é hoje, fazendo-a caminhar para cada vez mais para a direita.

“Não faz sentido imaginar que, pelo fato de ter adquirido muita força na campanha e eventualmente ser eleito, ele (Doria) possa impor sua vontade unilateralmente ao partido. Isso seria um desastre. Aí, sim, é a profecia do (fundador do PSDB) Bolívar Lamounier, aí seria funesto.”

Na terça-feira, a legenda anunciou que não apoiará nenhum dos candidatos ao segundo turno da eleição presidencial. Na reunião da Executiva Nacional, Doria reafirmou sua fidelidade a Bolsonaro.

Houve também um desentendimento entre o empresário e seu padrinho político e candidato derrotado à Presidência, Geraldo Alckmin. O último teria dito que não era “traidor”, alfinetando o pupilo por seu aceno ao capitão reformado ainda no primeiro turno. O episódio evidenciou o racha entre os tucanos.

Segundo Moisés, o fortalecimento do grupo de Doria conduziria o PSDB para a direção oposta à que ele considera ideal, de autocrítica e revisão de rumos. Autor de três livros sobre a democracia brasileira, o professor defende que a legenda assuma um papel de moderação entre os extremos, ajudando a combater a violência que cresce no cenário político do país.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – O que achou da decisão do Comando Nacional do PSDB de liberar os filiados para apoiar qualquer um dos candidatos no segundo turno?

Moisés – Talvez neste momento seja a melhor decisão, tendo em vista que há uma divisão interna muito forte. Isso vai permitir que algumas lideranças definam melhor sua posição.

BBC News Brasil – Um dos fundadores do PSDB, Bolívar Lamounier disse em entrevista recente que, após as eleições, o partido enfrentará um longo “período fúnebre”, por causa dessas rixas. Você concorda?

Moisés – Não sei se será um período fúnebre, mas certamente será um período de muita discussão interna, de controvérsia, e espera-se que seja um período também em que o partido tenha capacidade de fazer uma autocrítica, uma avaliação de seu desempenho.

Não só nessa eleição, mas no período recente, que vem desde 2014.

O PSDB desempenhou um papel muito importante no Brasil. Estou entre as pessoas que acham que no espectro político ideológico brasileiro, que agora tem uma direita expressiva, é importante ter um partido como o PSDB que, ao mesmo tempo, tenha um pé no mercado e uma preocupação social.

E que ofereça uma alternativa para as posições que estão nos extremos de direita e de esquerda. Mas, para isso, o PSDB vai ter que passar por uma profunda fase de reavaliação para entender onde o partido se desconectou dos eleitores a ponto de chegar ao resultado que seu candidato teve na eleição presidencial, de 4% dos votos.

Para um partido que esteve duas vezes na Presidência e por um período muito longo em São Paulo, não faz sentido. Esse resultado indica que houve falhas importantes.

BBC News Brasil – Que tipo de falhas?

Moisés – O PSDB teve um comportamento errático, por exemplo, com o governo Temer.

Embora ele tenha apoiado o impeachment, em determinado momento houve uma discussão interna sobre se deveriam participar do governo ou não. Prevaleceu a ideia de participar inicialmente, e depois uma parte do PSDB saiu do governo, mas nunca sinalizou com clareza qual era sua posição. Isso confundiu os eleitores e os deixou sem alternativa clara.

Seria extremamente negativo para a política brasileira, principalmente com a onda conservadora que está se expressando no país, se um partido com o conteúdo ideológico do PSDB desaparecesse.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA BBC.

Painel Político
Painel Político, é um blog de notícias de Rondônia, com informações sobre política regional, nacional, economia, jurídico e variedades. Siga-nos nas redes sociais, visite-nos diariamente e fique sempre bem informado.

Rondônia lambe o “Mito” – Professor Nazareno*

Previous article

Bolsonaro diz que deverá participar de dois debates

Next article

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may also like