Painel Econômico

Porto de Santos libera canal após guindaste romper cabos de energia

O guindaste de uma barcaça de combustível rompeu quatro cabos de alta tensão sobre o canal e interrompeu parte da navegação por quase 24 horas. Ninguém se feriu

Porto de Santos libera canal após guindaste romper cabos de energia
📷 Divulgação
📋 Em resumo ▾
  • Uma barcaça de abastecimento de combustível, com o guindaste levantado, atingiu a linha de transmissão que cruza o canal do Porto de Santos na quinta-feira (29).
  • Quatro cabos de 44 kV, com cerca de três toneladas no total, caíram sobre a água e o cais.
  • A Capitania dos Portos suspendeu a navegação em parte do canal. A liberação total veio no início da tarde desta sexta (30).
  • Ninguém se feriu, e o porto não ficou sem energia.
  • Por que isso importa: Santos é o maior porto da América Latina. Um dia de bloqueio parcial já mexe com a programação de navios e com os prazos de exportadores e importadores
Compartilhar: WhatsApp X LinkedIn

Uma barcaça que abastece navios com combustível atingiu os cabos da rede elétrica que atravessam o canal do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, na tarde de quinta-feira (29). O choque rompeu quatro cabos de transmissão, que caíram sobre a água e em trechos do cais. A Capitania dos Portos de São Paulo suspendeu parte da navegação, e o acesso a terminais do complexo ficou bloqueado até o início da tarde desta sexta-feira (30), quando o canal foi totalmente liberado. Ninguém ficou ferido, e o fornecimento de energia foi mantido.

Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa pública que administra o porto, o acidente foi causado pelo guindaste instalado na própria barcaça, que estava levantado no momento da passagem.

“O acidente foi causado por um guindaste a bordo da barcaça, que estava elevado.”
— Autoridade Portuária de Santos

Como foi a interdição

A Capitania suspendeu a navegação às 16h25 de quinta-feira. A restrição começava na altura do armazém 29, no bairro do Outeirinhos, e seguia em direção ao interior do estuário.

Os terminais entre a entrada do porto e o armazém 29 continuaram recebendo navios normalmente, segundo o jornal A Tribuna. A travessia de passageiros entre Santos e Guarujá também não foi afetada.

A retirada dos cabos levou quase um dia. As equipes pararam durante a noite por causa da baixa visibilidade e voltaram ao trabalho às 7h de sexta-feira. Até as 9h30, dois dos quatro cabos já tinham sido removidos, segundo a VTV News. Juntos, os quatro pesam cerca de três toneladas, de acordo com a APS. A liberação total do canal foi confirmada pela Capitania e pela APS no início da tarde.

Apoie o jornalismo independente
Leia o Painel Político por inteiro
Assine e tenha acesso ao arquivo completo e a tudo que publicamos. Você sustenta um jornalismo que não se dobra ao poder.
Assinar por R$ 19/mês
ou acompanhe de graça
São canais, não grupos: só o Painel publica, ninguém comenta, seu número fica oculto. Saia quando quiser.

Quem estava na barcaça

A Guarda Portuária abordou a tripulação para identificar os envolvidos. Até a publicação desta reportagem, porém, as autoridades não tinham divulgado o nome da embarcação nem a empresa responsável. As circunstâncias exatas do acidente também não foram esclarecidas.

Impacto nas cargas

O bloqueio atingiu só parte do complexo, mas afetou navios que precisavam chegar aos terminais além do armazém 29. Na prática, isso obriga os operadores a reorganizar horários de atracação, operações de carga e descarga e o transporte por caminhões e trens.

Para importadores e exportadores, atraso pode significar custos extras. Dependendo do contrato, o tempo a mais de navio parado, de contêiner retido ou de carga armazenada é cobrado de alguém. Até agora, porém, não há números oficiais sobre quantos navios foram afetados nem sobre o tamanho do prejuízo.

A mesma linha, um mês antes

Os cabos atingidos fazem parte da linha de transmissão da Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga, que pertence à própria APS. Segundo o portal Portogente, a linha tem cerca de 30 quilômetros e opera em 44 kV, uma tensão alta. Mesmo com o rompimento, a CPFL, concessionária de energia, manteve o abastecimento do porto.

O acidente aconteceu exatamente um mês depois de uma operação especial envolvendo a mesma linha. Em 29 de setembro, a APS desligou a transmissão de Itatinga para deixar passar o navio Zhen Hua, que levava guindastes gigantes para o terminal da DP World. Na época, a autoridade portuária explicou que o desligamento era necessário por causa da altura dos equipamentos, já que os cabos passam sobre o canal. A passagem foi concluída sem problemas.

O outro lado

A reportagem procurou a Autoridade Portuária de Santos e a Capitania dos Portos para saber o nome da embarcação e da empresa, se haverá investigação sobre o acidente e quantos navios foram afetados.

O episódio de setembro mostra que o porto sabe lidar com equipamentos altos passando sob os cabos: desliga a linha, planeja e libera a passagem com segurança. Por isso a pergunta que fica é por que isso não aconteceu na quinta-feira. Ainda não há informação suficiente para dizer se houve falha de planejamento, de comunicação ou de procedimento por parte da tripulação ou da empresa. Essa resposta deve vir da apuração das autoridades. O que já se sabe é que uma linha elétrica atravessando o canal do maior porto do continente é um ponto vulnerável, e que um único guindaste levantado foi suficiente para travar parte da operação por quase 24 horas.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

Gostou? Compartilhe: WhatsApp X LinkedIn
💬 Comentários

Carregando comentários…

#painelpolitico #infraestrutura #PortoVelho #Economia #segurancapublica