Prefeito de Cacoal quer cassar vereadores que investigaram sua ex-chefe de gabinete

Francesco Vialetto (PT) diz que vereadores viajaram MG com dinheiro público. Pedido está sendo analisado pelo setor jurídico da Câmara

O prefeito de Cacoal (RO), Francesco Vialetto (PT), protocolou na segunda (22), na Câmara Municipal, um pedido de cassação dos mandatos dos vereadores Maria Simões (PT), Adailton Furia (PRB) e Cesar Condack (PSDC). Os três integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apuravam denúncias de irregularidades no setor da saúde do município, e que terminou arquivada pela Câmara. Na justificativa para o pedido, o prefeito alegou uma viagem feita pelos vereadores com dinheiro público, para Uberaba (MG). Os vereadores investigavam a ex-chefe de gabinete da prefeitura, que está presa por corrupção.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Vialetto diz que a lei orgânica do município proíbe que os membros de CPI viagem para fora do município custeados por dinheiro público. “No anseio de encontrar irregularidades contra a administração municipal, os membros da CPI cometeram irregularidades graves. Essa viagem é uma delas, era algo que poderia ser feito via Correios, mas agora terão que responder pelos seus atos”, explica.

Conforme o prefeito, o mais “absurdo” é que os vereadores ficaram três dias em Minas Gerais, custeados por dinheiro público, e não encontraram irregularidade alguma contra os membros da administração, naquele estado. O prefeito de Cacoal diz ainda que os vereadores fizeram outras viagens para Porto Velho. “Esse foi um gasto desnecessário. Agora espero que a Justiça seja feita”, diz.

Explicações

De acordo com a vereadora Maria Simões, que foi presidente da CPI, a viagem foi feita para investigar denúncias de enriquecimento ilícito da ex-chefe de gabinete do município, Maria Ivani Araújo, presa durante a Operação Detalhe, porém, em Minas Gerais, nada foi provado contra a investigada.

“Antes de a ex-secretária vir morar em Cacoal ela residia naquela cidade. Com isso fomos a todos os cartórios locais para investigar a origem de seus bens, mas não conseguimos encontrar nenhuma prova concreta contra ela, tendo em vista que os documentos apontam que os bens foram adquiridos antes de ela entrar para a administração pública de Cacoal”, esclarece.

A vereadora Maria Simões afirma ainda que a viagem não pode ser considerada como prejuízo para o município. “Foi com base nas informações dessa CPI, que infelizmente foi arquivada pela câmara, que o Ministério Público e Polícia Civil realizaram a Operação Detalhe, que desarticulou uma verdadeira quadrilha dentro da prefeitura, responsável por desviar milhões dos cofres públicos”, expõe.

Para a vereadora, o pedido é uma retaliação por parte do prefeito ao trabalho membros da CPI. “O pedido foi encaminhado para o setor jurídico da câmara, mas estou tranquila porque acredito que estou apenas fazendo o trabalho para o qual fui eleita.  Não vou me intimidar com isso”, diz a vereadora.

Já o vereador Adailton Furia, que ocupou o cargo de relator na CPI, diz que a viagem até Minas Gerais era necessária, tendo em vista que os cartórios não disponibilizavam os dados via internet, telefone ou fax. “Os dados só foram liberados mediante nossas assinaturas. Por isso penso que, mesmo custeada com recursos públicos, a viagem não trouxe prejuízos para o munícipio, até porque a CPI foi o pontapé inicial para a desarticulação de uma organização criminosa dentro dos órgãos públicos do munícipio”, expressa.

O vereador Cesar Condack, também incluído no pedido de cassação de mandato, não foi encontrado para falar sobre o caso.

As informações são do G1

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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