Presos são suspeitos de exigir quase R$ 1 milhão de resgate após sequestro de esposa de traficante

A Polícia Civil desencadeou, na manhã desta quarta-feira (10) uma operação contra uma quadrilha suspeita de sequestrar a esposa de um preso da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Metropolitana de Porto Alegre. O detento teria pago em poucas horas quase R$ 1 milhão de resgate.

Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva contra suspeitos já recolhidos no sistema prisional, além de sete mandados de busca e apreensão. Um sexto suspeito está foragido.

Ao todo, nove pessoas foram identificadas como responsáveis pelo crime, sendo que duas delas já no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Na época do crime, eles já cumpriram pena na Pasc. A ação dos detentos gerou ainda um clima de enfrentamento entre quadrilhas rivais, sendo que duas pessoas que participaram do sequestro foram mortas em retaliação.

O sequestro da esposa do apenado ocorreu no dia 4 de maio de 2016, logo após a visita dos presos. Ao sair do presídio, a vítima, de 31 anos de idade, foi abordada por quatro homens. Ela foi levada para a cidade de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde ficou em cárcere privado por algumas horas.

O companheiro da vítima, um traficante conhecido como Nenê, pagou então o resgate de aproximadamente R$ 1 milhão por intermédio de outras pessoas. O dinheiro foi entregue em mochilas no bairro Porto Seco, Zona Norte de Porto Alegre.

Segundo a polícia, a esposa do preso que havia sido sequestrada reportou à polícia apenas o roubo de veículo, uma vez que o carro foi levado no dia do sequestro e abandonado em um local desconhecido. Chamou a atenção dos investigadores a capacidade do preso de conseguir reunir R$ 1 milhão em poucas horas. Para a polícia, o dinheiro também é fruto de atividades criminosas.

“Acreditamos que a quantia tenha sido de aproximadamente R$ 960 mil , com base na troca de mensagens”, afirmou o delegado Joel Wagner, um dos responsáveis pela investigação na 1ª Delegacia de Repressão a Roubos, que faz parte do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Um áudio interceptado pela polícia mostra a vítima pedindo que o marido pagasse o resgate.

Três dos integrantes do grupo, conforme a polícia foram responsáveis por planejar o crime, sendo que uma delas fez contato com o marido da vítima por meio de mensagens de SMS e Whatsapp, todas monitoradas pela Polícia Civil.

Preso negocia com sequestradores o pagamento do resgate de quase R$ 1 milhão (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Preso negocia com sequestradores o pagamento do resgate de quase R$ 1 milhão (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Outras três pessoas foram identificadas como responsáveis pelo sequestro e recebimento do dinheiro do resgate.

Mais duas pessoas foram responsáveis por manter a vítima em cárcere, mas segundo a polícia, ambos foram mortos em represália pelo crime. A polícia investiga ainda a participação de um adolescente no crime.

Possível cativeiro

Casa que seria usada copmo cativeiro para outros crimes em Canoas tinha câmeras de monitoramento (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Casa que seria usada copmo cativeiro para outros crimes em Canoas tinha câmeras de monitoramento (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

A quadrilha era bastante estruturada, conforme o delegado. Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão foi encontrada em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, uma casa que seria usada como cativeiro de outras vítimas.

“Todos cometiam o crime de extorsão mediante sequestro, além de tráfico de drogas, armas. Em Canoas foi encontrada uma casa estruturada, com dois portões de ferro, um quarto que aparentava ser o cativeiro, com placas ferro na janela, abertura para passagem de uma corrente, um lugar com característica de um possível cativeiro, e que pode ter sido usado para outras situações”, afirma o delegado Joel Wagner.

Local que seria usado como cativeiro pelos criminosos, conforme a polícia (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Local que seria usado como cativeiro pelos criminosos, conforme a polícia (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
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