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Privatização da Sabesp: o que liga o caso ao Banco Master?

Representação no MP-SP aponta deságio de 44% na venda da Sabesp e conexões financeiras com o Banco Master nas privatizações paulistas de 2024

Privatização da Sabesp: o que liga o caso ao Banco Master?
📷 Sabesp
📋 Em resumo
  • MP-SP analisa representação que conecta Banco Master às privatizações da Sabesp e EMAE em 2024
  • Documento aponta deságio estimado em 44% na venda do controle da Sabesp para a Equatorial Energia
  • Fundo Phoenix, criado menos de 30 dias antes do leilão, intermediou operação da EMAE com participação do Master
  • Nomes como Carlos Piani e Fabiano Zettel aparecem na representação como elos entre as operações
  • Por que isso importa: o caso testa a transparência de processos de desestatização e pode ampliar investigações sobre o colapso do Banco Master para o âmbito das privatizações estaduais.
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A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo analisa uma representação que relaciona o colapso do Banco Master às privatizações da Sabesp e da EMAE, realizadas entre abril e junho de 2024. O documento, apresentado pelo deputado estadual Antônio Donato (PT), pede a abertura de inquérito civil e o compartilhamento de informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

O deságio de 44% na venda da Sabesp

A representação destaca que, durante as negociações de julho de 2024, a Sabesp valia mais de R$ 56,2 bilhões no mercado, com ações negociadas a R$ 82. Mesmo assim, o governo paulista vendeu o bloco de controle equivalente a 15% das ações por R$ 67 cada papel, em operação de R$ 6,9 bilhões.

A Equatorial Energia foi a única interessada na disputa. Especialistas do Observatório Nacional das Águas, da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado e da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp calcularam um deságio de aproximadamente 44% em relação ao valor de mercado.

Em fevereiro de 2026, as ações da Sabesp chegaram a R$ 152,50. A representação também afirma que o BTG Pactual coordenou outra oferta pública de 17% das ações pelo mesmo valor de R$ 67, mesmo com demanda superior a R$ 200 bilhões para uma oferta de apenas R$ 7,9 bilhões.

"A operação levanta questões sobre critérios de seleção e avaliação de ativos públicos em processos de desestatização", aponta trecho da representação analisada pelo MP-SP.

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Banco Master e o Fundo Phoenix na compra da EMAE

O documento também aponta o Banco Master como peça importante na estruturação financeira das operações. Segundo a representação, o banco participou de intermediações financeiras ligadas à compra da EMAE por meio do Fundo Phoenix.

O fundo venceu o leilão da EMAE em abril de 2024 com proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão. Porém, a representação destaca que o Fundo Phoenix surgiu menos de 30 dias antes do leilão — fato que, segundo os autores do documento, merece apuração sobre a origem dos recursos e a capacidade operacional da estrutura.

A denúncia também cita valorização superior a 800% nas ações da Ambipar entre abril e outubro de 2024. De acordo com o texto, fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag participaram das movimentações financeiras investigadas.

Os nomes no centro da representação

O texto entregue ao Ministério Público destaca o nome de Carlos Piani, que presidiu simultaneamente conselhos ligados à Ambipar e à Equatorial e depois assumiu a presidência da Sabesp privatizada em outubro de 2024.

Também aparece na representação Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e colaborador do Grupo Master. Segundo o documento, ele teria atuado na parceria financeira ligada à compra da EMAE.

Zettel, Nelson Tanure, a Trustee DTVM e a gestora Reag são investigados nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras — apurações que agora podem ganhar novo capítulo com a análise do MP-SP.

"A delação só terá valor se abrir portas que as investigações ainda não alcançaram", resume um interlocutor próximo às apurações sobre o caso Master.

Contexto: privatizações sob escrutínio

As privatizações da Sabesp e da EMAE foram apresentadas pelo governo de São Paulo como marcos de eficiência e atração de investimentos. No entanto, a representação agora em análise pelo MP-SP reacende o debate sobre transparência, avaliação de ativos e critérios de habilitação em processos de desestatização.

Para o leitor que acompanha os desdobramentos do caso Banco Master, a conexão com as privatizações paulistas amplia o raio de investigação: se confirmadas as irregularidades, o esquema pode ter usado empresas de infraestrutura como veículo para movimentação de recursos — e não apenas como ativos estratégicos.

O que dizem os envolvidos

Em resposta a questionamentos, a Equatorial Energia afirmou que todo o processo envolvendo a Sabesp aconteceu dentro da legalidade e seguindo todos os critérios legais da empresa.

"O Grupo Equatorial esclarece que todo o processo de desestatização da Sabesp ocorreu no âmbito de uma oferta pública estruturada e conduzida com o apoio de assessores e instituições experientes, obedecendo ampla divulgação, legalidade e transparência."

Até o momento, a Sabesp e Carlos Piani não haviam se manifestado sobre os questionamentos enviados pela reportagem.

O que está em jogo além do deságio

Mais do que discutir percentuais de desconto, a representação no MP-SP coloca em xeque a governança de processos de privatização em um momento de reavaliação institucional sobre parcerias público-privadas. Se as apurações avançarem, o caso pode estabelecer precedentes para auditorias retroativas em outras desestatizações.

Enquanto isso, a conexão com o Banco Master mantém o caso sob holofotes: se houver evidências de que estruturas financeiras investigadas por fraude participaram de operações com ativos públicos, a pergunta que fica não é apenas sobre valores — mas sobre quem, de fato, controlou o processo.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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