Procurador demitido agredir esposa recorre ao STF alegando “perseguição política”

Douglas Kirchiner foi demitido por bater na mulher com cinto e mantê-la em cárcere privado

Brasília – Acusado de agredir a esposa com um cinto, mantê-la em cárcere privado e assistir a sucessivos maus tratos cometidos contra a mulher por sua tia, o Procurador do MPF de Rondônia Douglas Kirchiner alega estar sendo “perseguido politicamente” e tenta, no Supremo Tribunal Federal reassumir suas funções.

Douglas foi demitido em abril deste ano pelo Conselho Nacional do Ministério Público após julgamento em que foi defendido por Janaína Paschoal. Mas além desse problema com a esposa, ele também foi alvo de comentários do ex-presidente Lula, que em uma conversa com o ex-ministro Paulo Vannucchi, o ex-presidente afirma que estava colocando a senadora Fátima Bezerra (PT-PB) e a deputada Maria do Rosário (PT-RS) para acompanhar de perto o procurador que o investigava, Douglas Kirchner. No diálogo, Lula se refere às feministas do partido de forma grosseira, como “grelo duro”, o que causou indignação nas redes sociais.

“Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”, disse Lula a Vannucchi.

E é nesse ponto que a defesa do ex-procurador tenta se pegar. O advogado que entrou com a ação, Ivan Morais Ribeiro, o mesmo que conseguiu suspender a Operação Métis da Polícia Federal no STF, diz que decidiu recorrer ao Supremo porque suspenderam o estágio probatório de Douglas. “Nós entendemos isso como um equívoco”, disse.

O ministro Celso de Mello, decano do STF, será o relator do processo, que não tem prazo para julgamento.

O problema é Douglas não foi demitido por isso, ele foi exonerado de suas funções por maus tratos contra sua ex-esposa.

Relembre o caso:

Em agosto de 2014 o Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher determinou medidas protetivas urgentes a favor da esposa do procurador da República Douglas Ivanowski Kirchiner, do Ministério Público Federal em Rondônia, devido a acusações de agressões físicas cometidas por ele e por uma pastora evangélica contra a mulher.

Tamires , a esposa do procurador, foi submetida a diversos episódios de violência, incluindo surras de cinto e cipó, agressões verbais, cárcere privado e outros maus- tratos e humilhações. Ela relatou ter sido trancafiada no alojamento de uma igreja evangélica pela pastora, onde apanhava, passava fome e sofria outros tipos de maus tratos, tudo com apoio do marido ou praticados por ele.

De acordo com a denúncia, Tamires afirma que após se casar com o procurador passou a residir no alojamento da igreja que frequentavam. Porém, ao tentar se separar do marido a pastora da igreja teria lhe dado uma surra de cipó após a trancar no alojamento. A denúncia diz ainda que Kirchiner teria consentido com as agressões contra a mulher e que ele próprio também teria dado surras de cinto e cipó na suposta vítima.

Ao descrever os maus tratos que sofria, Tamires relatou ainda que passou a ficar trancada na igreja e só podia se alimentar depois que todos comessem. Ela foi também obrigada a dormir no chão com um ventilador, sem cobertor, e por isso ficou doente.

A mulher declarou ainda que após ficar doente passou a ser agredida pelo marido com golpes de cinto e que ainda ficou dois dias sem comer e trancafiada no alojamento da igreja, situação que lhe causou anemia a ponto de desmaiar. Ela afirma que o marido aceitava tudo o que a pastora da igreja fazia contra ela.

Após conseguir fugir, ela passou a dormir na rua e foi acolhida na casa de pessoas que a encontraram nessa situação. Ela conseguiu na justiça a medida protetiva para que não seja levada de volta para a igreja. Ele foi transferido de Rondônia.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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