Raízen e GPA lideram onda recorde de recuperações extrajudiciais no Brasil
Com dívidas que somam bilhões, Raízen e GPA apostam em mecanismo ágil e menos oneroso para renegociar passivos — tendência impulsionada por reforma legal e juros elevados

A busca por mecanismos mais ágeis e menos disruptivos para reestruturar dívidas ganhou força no cenário corporativo brasileiro. Dois dos maiores nomes do país — a Raízen, gigante do setor de bioenergia, e o Grupo Pão de Açúcar (GPA), líder do varejo alimentar — protocolaram recentemente pedidos de recuperação extrajudicial para renegociar passivos que, somados, ultrapassam R$ 70 bilhões. O movimento reflete uma tendência nacional: em 2025, 68 empresas recorreram ao instrumento, maior volume desde a reforma da legislação em 2020, segundo dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).
O que é a recuperação extrajudicial e por que ela cresce?
A recuperação extrajudicial (REJ) é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005 — atualizada pela Lei nº 14.112/2020 — que permite à empresa em desequilíbrio financeiro negociar diretamente com seus credores, sem a intervenção imediata do Poder Judiciário. Diferentemente da recuperação judicial (RJ), que suspende execuções e impõe um processo mais burocrático, a REJ oferece maior autonomia às partes, menor custo operacional e exposição pública reduzida.
“A recuperação extrajudicial é uma ferramenta cirúrgica. Ela permite que a empresa isole o problema financeiro (dívidas), sem contaminar o passivo operacional (fornecedores, funcionários). O empresário que tem ‘timing’ entende que a REJ resolve a asfixia da dívida de forma privada, enquanto a engrenagem da empresa continua rodando e gerando receita”, afirma Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF, especialista em reestruturação empresarial
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