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Reestruturação Raízen: plano prevê cisão e diluição de até 45%

Plano extrajudicial prevê segregação de negócios e conversão de dívida em ações. Goldman Sachs vê riscos de diluição para a Cosan e mantém recomendação neutra

Reestruturação Raízen: plano prevê cisão e diluição de até 45%
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • Plano de reestruturação prevê cisão entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis até 2027.
  • Conversão de 45% da dívida em ações pode diluir significativamente acionistas atuais.
  • Shell e veículo da Cosan podem injetar até R$ 4 bilhões em novo capital.
  • Contingências tributárias de R$ 7,2 bilhões serão reembolsadas por controladoras se perdidas.
  • Por que isso importa: O desfecho redefine o valuation da Cosan e a competitividade do setor de combustíveis.
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A Raízen (RAIZ4) detalhou, na última quarta-feira (27), as diretrizes de seu plano de reestruturação extrajudicial. A proposta inclui a possibilidade de separar as operações de açúcar e etanol das atividades de distribuição de combustíveis. Além disso, prevê a conversão de parte significativa da dívida em novas ações, o que deve provocar forte diluição dos acionistas atuais.

O mercado reagiu com volatilidade. Às 10h41, as ações da companhia recuavam 19,05%, negociadas a R$ 0,34. O movimento reflete a incerteza sobre o impacto financeiro da medida e o futuro da participação da Cosan (CSAN3) no capital da empresa.

Cisão operacional visa reduzir alavancagem

O núcleo da estratégia apresentada é a criação de duas entidades distintas. A Raízen Energia ficaria responsável pela produção de açúcar, etanol e energias renováveis. Já a Raízen Combustíveis concentraria a distribuição de combustíveis no Brasil.

Segundo a proposta, a maior parte da dívida pós-reestruturação seria alocada na nova Raízen Combustíveis. O cronograma indica que a segregação dos negócios pode ocorrer até o final de 2027. A conclusão total do processo de reestruturação está prevista para 31 de março de 2027.

"A criação de uma companhia voltada apenas à distribuição, potencialmente sem carga relevante de dívida, pode aumentar a competitividade da operação", avalia o Goldman Sachs.

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O banco de investimentos ressalta, contudo, que essa visão ainda não define o desfecho final. A segregação é vista como uma medida de longo prazo, dependente da aprovação dos credores e das condições de mercado.

Diluição acionária e novos aportes

Para equacionar o passivo, o plano prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada — que soma R$ 65 bilhões — em novas ações. Considerando que o valor de mercado atual da Raízen é de aproximadamente R$ 4,4 bilhões, a medida implica uma diluição substancial para os acionistas existentes.

A Cosan, controladora da Raízen, já reconheceu valor contábil zero para seu investimento na subsidiária no primeiro trimestre. O Goldman Sachs aponta que, se o valor da participação na Raízen for excluído do cálculo devido à potencial diluição, o desconto de holding da Cosan cairia de 20% para 13%.

Em contrapartida, há previsão de injeção de capital fresco. A Shell poderá investir R$ 3,5 bilhões. Paralelamente, a Aguassanta Investimentos, veículo ligado ao presidente do conselho da Cosan, tem opção de aportar R$ 500 milhões. Não há indicação, até o momento, de que a Cosan realize novos aportes diretos.

Riscos tributários e cenário para a Cosan

Um ponto crítico do documento refere-se às contingências tributárias. A Raízen possui R$ 25,1 bilhões em disputas fiscais. Destes, R$ 7,2 bilhões são relativos a processos anteriores à formação da joint venture, em 2011.

"Shell e Cosan se comprometeram a reembolsar a empresa por disputas judiciais existentes antes da formação da companhia", lembra o relatório.

Caso a Raízen perca esses processos na Justiça, as controladoras deverão arcar com o reembolso. O documento não especifica a divisão exata desse custo entre Shell e Cosan.

Diante do cenário, o Goldman Sachs mantém recomendação neutra para a Cosan, com preço-alvo de R$ 5,10. O banco enxerga méritos no plano de reorganização, mas não identifica assimetria positiva suficiente para alterar a tese de investimento no curto prazo. Os principais riscos incluem variações nas taxas de juros, intervenção política e desempenho da atividade econômica.

Para outras players do setor, o banco mantém recomendação de compra para a Vibra, com alvo de R$ 43,20, e visão neutra para a Ultrapar, com alvo de R$ 36,30.

A reestruturação da Raízen não é apenas um ajuste contábil; é um teste de resistência para o modelo de negócios das grandes controladoras brasileiras. Se a cisão se concretizar, o mercado terá dois ativos distintos para precificar: um gigante de commodities agrícolas e um distribuidor de combustíveis alavancado. A pergunta que fica não é apenas sobre quem pagará a conta, mas qual das duas novas empresas terá fôlego para crescer em um cenário de juros ainda desafiadores.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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