Decreto de posse de armas será divulgado nesta terça, diz Casa Civil

A Presidência da República fará uma cerimônia oficial para anunciar o conteúdo e realizar a assinatura da medida

A Casa Civil da Presidência da República informou nesta segunda-feira (14/1) que o decreto que facilita a posse de armas de fogo será divulgado nesta terça-feira (15) pelo governo Jair Bolsonaro.

A Presidência da República fará uma cerimônia oficial para anunciar o conteúdo e realizar a assinatura do decreto. O evento ocorrerá no Palácio do Planalto, às 11h, de acordo com a assessoria de imprensa da Casa Civil.

Os detalhes do texto não foram divulgados. No entanto, de acordo com Onyx Lorenzoni, será esclarecido que se trata de “posse”, que permite ao cidadão ter a arma em casa ou no local de trabalho. Já o porte diz respeito à circulação com arma de fogo fora de casa ou do trabalho.

Fonte: metropoles

MEC volta atrás e anula mudanças que davam margem a erros em livros

Governo de Bolsonaro havia publicado nova versão de um edital que orienta produção de material escolar; no documento, deixava de exigir referência bibliográfica e permitia propaganda

O Ministério da Educação (MEC) voltou atrás da nova versão do edital que orienta a produção de livros escolares. A pasta havia publicado uma atualização do documento e, entre outros pontos, deixava de exigir das editoras referências bibliográficas que apoiem a estrutura editorial dos livros, o que, na prática, pode permitir a aprovação de livros sem qualidade, com erros e ainda visões de mundo particulares.

Além disso, o novo edital suprimia trechos, como o compromisso com a agenda da não violência contra as mulheres e a promoção das culturas quilombolas e dos povos do campo.

Para membros do time do presidente, esses seriam temas da esquerda. O primeiro ato do novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, foi desmontar uma secretaria do MEC responsável por ações de diversidade, como direitos humanos e relações étnico-raciais.

Além disso, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, publicou no Twitter no último dia 5 que os professores não deveriam ensinar sobre feminismo.

O novo edital de compras de livros didáticos ainda excluía orientação às editoras para que ilustrações retratassem “a diversidade étnica da população brasileira, a pluralidade social e cultural do país”. Um trecho que vetava publicidade nos livros didáticos também havia sido excluído. A publicidade em material didático é vetada por resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente por ser considerada abusiva.

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Entenda o que é o Pacto de Migração da ONU, que o Brasil abandonou

o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a decisão de abandonar o pacto foi motivada pela preservação dos valores nacionais

O Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular (GCM), conhecido como Pacto Global de Migração da ONU, é basicamente um conjunto de diretrizes visando a colaboração em questões migratórias. Não vinculante (sem caráter de lei), permite que os signatários continuem responsáveis por suas próprias políticas de imigração, mas aumentem a cooperação internacional sobre o tema.

Quantos países participam?

193 participaram da negociação no âmbito da ONU, mas 164 assinaram o documento, entre eles o Brasil.

Quem se recusou a adotar o pacto?

EUA, Hungria, Itália, Áustria, Polônia, Eslováquia, Chile e Austrália. O Brasil assinou, mas o governo Bolsonaro anunciou sua retirada do pacto.

O que o pacto prevê?

  • O migrante que estiver irregular no país não poderá ser deportado imediatamente, mas terá de ter seu caso analisado individualmente;
  • O migrante ilegal terá acesso a Justiça, saúde, educação e informação;
  • Ficam proibidas deportações coletivas e discriminação na análise sobre a permanência ou não do migrante no país;
  • A detenção de migrantes deve ser o último recurso e, caso seja necessária, deve ser o mais curta possível;
  • Migrantes ilegais devem obter um documento de identificação.

Que objetivos o pacto recomenda?

  • Obter melhores informações sobre a migração internacional;
  • Minimizar fatores que obriguem as pessoas a deixarem seus países;
  • Reduzir vulnerabilidades durante a migração;
  • Combater o contrabando e o tráfico de pessoas.

Quais são as críticas ao pacto?

Vários países, como os EUA, argumentam que o documento é incompatível com sua soberania e suas decisões sobre política imigratória. Outros, como a Polônia e a Hungria, dizem que vai incentivar a migração ilegal.

Em sua conta nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a decisão de abandonar o pacto foi motivada pela preservação dos valores nacionais. “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes”, disse. Com informações da Folhapress.

Fonte: noticiasaominuto

Youtubers apostam em conteúdo anti-Bolsonaro e atraem paixão e ira

Internet é palco de discussões políticas

“Sempre que você achar que não é bom o suficiente, lembre-se: o comentarista do SuperPop e deputado que ficou 30 anos sem aprovar um projeto virou PRESIDENTE”, escreveu no segundo dia de 2019 Felipe Neto, um dos maiores influenciadores digitais do Brasil, a seus 8,3 milhões de seguidores no Twitter –três vezes mais que os 2,85 milhões que Jair Bolsonaro tem na rede social.

“Você pode alcançar tudo o que sonhar”, ele continua. “Basta não ter escrúpulos e mentir descaradamente para um público-alvo desesperado.”

Gestada no 2018 eleitoral, a politização do Twitter de Neto veio junto com uma onda de haters, como são chamados aqueles que se dedicam a odiar alguém na internet.

Como este que, ante o tuíte de quarta-feira (2), ironizou: “Verdade, grande Felipe, mas isso já foi demonstrado por um garoto que faz vídeos ensinando como cagar na casa da namorada, imitar foca, entre outras imbecilidades, e mesmo com zero de conteúdo ficou muito rico e famoso”.

Neto não está só no grupo de estrelas digitais que costumavam falar à geração 2000 e agora despertam a fúria de admiradores de todas as idades do novo presidente. Outros nomes pop nas redes sociais também viraram alvo preferencial da direita nacional.

O MBL (Movimento Brasil Livre) pôs na mira a youtuber Kéfera Buchmann, que teria dado “um show de arrogância” na edição de 13 de dezembro do Encontro com Fátima Bernardes (Globo), ao bater boca com um rapaz na plateia.

Foi Fátima quem o interpelou. O tema: feminismo. Ele, que se identificou como Wallace, disse então que, “na teoria, elas falam que tem que respeitar, tem que ser isso e tem que ser aquilo, mas na prática começam com agressões”.

Citou o caso de um homem que excluiu seus perfis em redes sociais após parecer que “atacou uma colmeia” ao falar algo que desagradou feministas. “Os direitos não são iguais. Quando elas falam em assédio, de direitos, tudo bem, mas…”

Kéfera o interrompe: “Oi? Explica mais? Wallace, o que você está fazendo é mansplaining, que é o homem explicando o feminismo para uma mulher. Não é necessário. A gente sabe muito bem o que é”.

Ele tenta se explicar, e Kéfera o detém mais uma vez: “Agora você está manterrupting, que é quando você tenta interromper uma mulher explicando o feminismo pra ela”.

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Indígenas pedem à PGR abertura de inquérito contra medida de Bolsonaro

Índios querem “investigar e monitorar os atos e processos administrativos de demarcação de terras indígenas”

Uma das principais entidades representativas de indígenas informou nesta quinta-feira (3) que representou na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) pela decisão que transferiu da Funai (Fundação Nacional do [índio) para o Ministério da Agricultura a tarefa de identificar e demarcar terras indígenas no país.

Os indígenas pedem que seja aberto um inquérito civil com o objetivo de “investigar e monitorar os atos e processos administrativos de demarcação de terras indígenas” e apurar “eventual responsabilidade administrativa atentatória à moralidade administrativa, a democracia e ofensa aos direitos culturais dos povos indígenas”.

É a primeira medida tomada no âmbito judicial por organizações indígenas contra um ato administrativo de Bolsonaro. A transferência do poder de demarcação foi feita por medida provisória no primeiro dia de governo, na terça-feira (1º).

A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) reúne organizações indígenas do Norte e do Centro-Oeste. A peça é subscrita pela coordenadora executiva da Apib, Sonia Guajajara (foto), que nas últimas eleições foi candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL), e pelo assessor jurídico da entidade, Luiz Eloy Terena.

A entidade afirma que houve “um desvio de finalidade” quando Bolsonaro repassou a ruralistas uma das principais tarefas da Funai.

Tereza Cristina, a ministra de Agricultura, era até poucas semanas atrás a presidente da frente parlamentar de agricultura no Congresso e seu auxiliar no ministério, que ficará responsável pelas demarcações, é o pecuarista Nabhan Garcia, presidente da UDR (União Democrática Ruralista).

“De forma flagrante, o presidente Jair Bolsonaro transferiu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a atribuição para decidir o que será ou não terra de ocupação tradicional. Não é preciso muito esforço intelectual para concluir que tal transferência visa nitidamente acatar reivindicação da classe ruralista, mas sobretudo colocar os interesses privados acima dos interesses coletivos de toda a coletividade indígena e não indígena, visto que terra indígena é bem da União”, diz a peça.

“E ainda, é público e notório que a ministra que irá chefiar a pasta da Agricultura, sra. Tereza Cristina, é notadamente contra a demarcação de terras indígenas, sendo assídua militante e representante do agronegócio. Como pode alguém com este perfil ditar o que será ou não terra indígena? Caso os processos demarcatórios sigam esta lógica procedimental, comprometido estará o princípio da impessoalidade e finalidade, fundamentos da administração pública”, diz a representação da Apib.

A Apib afirma que a decisão de Bolsonaro afronta a Convenção número 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), promulgada por decreto de abril de 2004, que prevê “obrigatoriedade da realização de consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas” sempre que “sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”.

Além do inquérito civil, a Apib pede também “medidas urgentes a fim de evitar risco de dano irreparável aos povos indígenas pela suspensão e/ou interferência política nos procedimentos demarcatórios, atingidos por eventual comportamento da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e seus respectivos subordinados”.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Tereza Cristina não foi localizada. A assessoria da ministra durante a transição informou que outros profissionais assumiram o trabalho de assessoria no ministério.

No telefone fixo da assessoria do ministério, procurada às 20h, ninguém atendeu aos telefonemas. A assessoria da PGR informou que, até aquele momento, não poderia confirmar o protocolo da representação da Apib. Com informações da Folhapress.

Fonte: noticiasaominuto

Presos 3 suspeitos de divulgarem ameaças contra Bolsonaro e colocarem bomba perto de igreja no DF

Apontados como integrantes de um grupo que atua na internet, eles teriam deixado artefato caseiro dentro de uma mochila em Brazlândia

A Polícia Civil prendeu três pessoas suspeitas de colocar uma mochila com uma bomba próxima à igreja Santuário Menino Jesus, em Brazlândia , a 48 quilômetros de Brasília, às vésperas do Natal, segundo disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso. Os três fazem parte de um grupo suspeito de divulgar pela internet ameaças de que poderiam promover um ataque contra o presidente Jair Bolsonaro , no dia da posse. Os três foram presos no dia 31, depois que policiais civis e federais fizeram buscas em sete endereços do grupo em São Paulo, Brasília e Goiás. A Polícia Federal divulgou nota com a informação sobre as buscas, mas não mencionou as prisões, que ficaram a cargo da Polícia Civil.

A Polícia Civil investiga a relação entre os três e uma bomba deixada perto do santuário. A bomba foi localizada e desativada por policiais militares.

Logo depois, integrantes do grupo chamado Maldição Ancestral assumiram, na internet, a responsabilidade pela bomba. A intenção declarada seria explodir e matar fiéis que iriam à missa na igreja no Natal. “O santuário é o segundo maior templo católico do país. No local, que estava lotado de cristãos miseráveis, era celebrada uma missa de véspera de Natal, e esperávamos provocar um grande massacre durante a saída dos fiéis da igreja”, diz um comunicado do suposto grupo.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NO O GLOBO.

Posse e ‘Fora, Bolsonaro’ ficam entre assuntos em alta no Twitter

As expressões #PossePresidencial e #Fora Bolsonaro estão entre os assuntos do momento no Brasil e no mundo

Publicações enaltecendo a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, concorrem com comentários criticando o futuro presidente neste momento no Twitter. As expressões #PossePresidencial e #Fora Bolsonaro estão entre os assuntos do momento no Brasil e no mundo, de acordo com a rede social.

Entre os internautas brasileiros, há destaques para o desfile do cortejo presidencial. “Vejo a #PossePresidencial pela TV, e não consigo enxergar nenhuma bandeira vermelha no meio da população. Esse é o melhor começo que poderíamos ter para o nosso País”, escreveu o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. As publicações críticas com maior repercussão, por outro lado, defendem “resistência” ao novo governo.

Fonte: noticiasaominuto

Médium que previu prisão de Pezão faz apostas para Bolsonaro

Saiba o que disse a Mãe Solange de Oyá sobre o cenário político de 2019

Em 2017, a Mãe Solange de Oyá previu dois dos principais acontecimentos de 2018 para o Rio de Janeiro: a prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, ocorrida em novembro, e a eleição de um novato no cargo, que foi assumido nesta terça-feira (1º) por Wilson Witzel (PSC). Sabendo disso, o jornal ‘Extra’ convidou a médium para fazer novas previsões sobre o cenário político em 2019.

Mãe Solange prevê que Witzel fará um bom governo neste ano. “Ele terminará obras e projetos inacabados em outros governos. Irá administrar (o estado) muito bem”, afirma.

No entanto, a médium diz que o novo governador do Rio vai precisar tomar cuidado com sua segurança pessoal.

Mãe Solange diz ainda que 2019 será complicado para o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e para o presidente Jair Bolsonaro. Segundo a leitura dos búzios, os dois terão uma grande dificuldade para governar e vão enfrentar fortes embates políticos.

Fonte: noticiasaominuto

Dinheiro e Mais Médicos serão grandes desafios de Bolsonaro na saúde

Com a aproximação do dia da posse, muitos são os desafios que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), deverá enfrentar no primeiro ano de gestão. Um deles é com relação ao sistema de saúde.

Com um investimento de apenas 3% do PIB, dinheiro será um dos principais desafios enfrentados pela nova gestão a partir de 1° de janeiro, segundo Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Na visão do especialista, o congelamento de gastos do Estado poderá prejudicar ainda mais um sistema que já é falho no país.

Outro problema que o futuro presidente enfrentará será a situação gerada pela saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos.

Em entrevista à EXAME, Vecina avalia o panorama da saúde pública brasileira e analisa quais serão os maiores problemas que o governo Bolsonaro encontrará a partir de 2019.

Qual será o principal problema que o governo vai enfrentar?

A crise está trazendo consequências econômicas para o financiamento de toda área social, em particular da área da saúde. Esse será o problema número um. A emenda constitucional 95 que congelou gastos do Estado certamente vai ter consequências na saúde. Acho difícil, com o nível de comprometimento do orçamento, que não haja algum constrangimento do financiamento da saúde. A emenda limita o gasto do Estado, não da saúde. Hoje há várias fontes, dizem que 90, 92% do gasto do Estado é o que está congelado. O Estado tem uma margem de manobra muito pequena. Acho que o principal problema vai ser com financiamento, sem sombra de dúvidas. Essa crise é basicamente uma crise de arrecadação. Não houve um crescimento importante de despesa, mas uma redução importante da receita com essa paralisia econômica do Brasil. Os estados, municípios e o governo federal perderam capacidade de financiar as despesas públicas e, portanto, sua capacidade de construir um estado de bem estar social. É basicamente disso que estamos falando.

O segundo grande problema está meio dentro disso, é o problema gerado pelo Mais Médicos. Este, em tese, não seria um problema federal, porque está na área da assistência básica, que é um problema municipal, mas é um programa federal. O Mais Médicos dificilmente vai ter qualquer tipo de cobertura que seja adequada. Nós tínhamos muitos médicos. O governo jamais vai conseguir cobrir. Está uma guerra de números, tantos se candidataram, tantos já foram, só que grande parte dos médicos que se candidataram ou que foram contratados saíram de outras posições em que eles estavam sendo importantes. Saíram da estratégia de saúde da família, de pronto-atendimento, e acabaram indo para o Mais Médicos. Então o problema continua. O grande mérito da solução do Mais médicos é que os médicos vinham de fato de fora. Eram médicos a mais. Agora eles foram embora os cubanos, particularmente, e o buraco ficou. Ficou e vai ficar.

Mas tem solução o Mais Médicos?

Isso não será resolvido. Não é que não será fácil. Não será resolvido, porque isso só se resolve com mais médicos, que são dos 300 cursos de medicina abertos. Só que demora seis anos para eles se formarem. A estimativa é que essa situação se normalize só com brasileiros em 2026. Até lá, vamos continuar com falta de médicos. Mesmo chegando 2026, terá que ter uma solução mais criativa, o que não passa, na minha opinião, por criar uma carreira de estado para médicos. Passa por criar condições locais de absorver esses médicos. É uma solução que tem que nascer descentralizadamente ou a gente vai criar mais uma jabuticaba.

O governo pode encontrar problema para gerir o SUS?

Os dois problemas que eu estou mencionando são problemas que afetam diretamente o SUS, o problema do financiamento e o problema do Mais Médicos. É óbvio que nós temos questões na área gerencial, questões de corporação de tecnologia de informação que poderia melhorar a resolutividade do sistema. Mas esses dois problemas são de curto prazo que ele vai enfrentar no início do mandato. Tem os problemas de manutenção dos programas de assistência farmacêutica. Não sei como este governo vai deixar para o próximo governo a compra de medicamentos que hoje são fornecidos exclusivamente pelo Estado e que são críticos, falando especificamente dos tratamentos de AIDS, medicamentos para o paciente não rejeitar órgãos transplantados, medicamentos para doenças metabólicas, diabetes, tem um grupo grande. Esta é uma despesa pesada, que chega a 7 bilhões de reais (este ano).

Tem dois problemas, o primeiro é até onde o governo atual deixou esses medicamentos comprados. O problema número dois é o quanto o governo tem para dar continuidade ao projeto de assistência farmacêutica. Este ano nós sentimos em vários momentos a possibilidade de interrupção desses programas, seja por falta de dinheiro dos estados para comprar esses medicamentos, porque eles são comprados com dinheiro que o Ministério transfere para os estados. Em alguns estados está havendo crise desse financiamento. É um problema federal. Grande parte do que a gente chama de média e alta complexidade é financiado pelo governo federal. Programas de hemodiálise,por exemplo. Enquanto o paciente não fizer o transplante, precisa fazer hemodiálise. Hoje existe muita dificuldade para conseguir colocar um paciente para fazer hemodiálise porque as vagas estão ocupadas e não tem criação de novas. Demora-se em média, na cidade de São Paulo, de cinco a sete meses. Mas tem pouca judicialização em torno isso. Inclusive, isso é outro problema que o governo terá que enfrentar, embora esteja ganhando um caminho um pouco melhor do que foi nos últimos anos.

Todas as questões que eu citei têm a ver com dinheiro, depois têm a ver com gestão. Alguns dos programas que fornecem medicamentos nós não sabemos como o governo federal vai querer tocar, estou falando particularmente das parcerias de desenvolvimento produtivo, que são parcerias do Estado com a indústria para o desenvolvimento de cópias de moléculas de produtos de alto custo. Essas parcerias são importantes para a indústria farmacêutica e para os pacientes que conseguem ter acesso a medicamentos mais baratos.

O medicamento para hepatite C entra nisso?

Aparentemente não foi resolvida essa situação. Não tenho fonte dentro do governo neste momento, mas parece que não se resolveu. Tem uma briga surda entre a empresa que produz o sofosbuvir e o governo na sua ideia de fazer o licenciamento compulsório da molécula para fazer medicamento.

Uma das propostas do Bolsonaro para saúde foi a implantação do prontuário eletrônico. É factível e pode resolver problemas na saúde?

Tecnologia da informação ajuda a resolver qualquer problema. Não resolve o problema, mas ajuda, porque faz parte do conjunto. Então, ter prontuário eletrônico, mas não ter médico, o que adianta? Nada. Mas, se tiver médico e o prontuário eletrônico, melhora a solução com a tecnologia. A gestão de um serviço de saúde melhora com prontuário eletrônico. Mas se eu não tenho gestão, o prontuário eletrônico é um lixo eletrônico. Ele é um componente muito importante, mas qual a chance de ter um prontuário eletrônico nacional? Muito pequena. É um sistema de saúde muito descentralizado.

Das experiências que eu participei nos últimos anos de tentar fazer coisas na área de tecnologia da informação centralizadas em Brasília, foram desastrosas. O cartão do SUS é um exemplo. Não conseguimos fazer um cartão nacional efetivo até agora. Os municípios que fizeram conseguiram melhores resultados. Mas acho que vale mais a pena o governo federal criar um incentivo monetário e financeiro e repassar para os municípios e estados criarem suas soluções do que criar um prontuário nacional em Brasília. Acho que se essa tentativa for levada à frente, a chance de dar certo é pequena.

Outra promessa de campanha do presidente eleito foi de fazer mais com o mesmo dinheiro. É possível fazer mais com o investimento que se tem hoje?

Acho que ele tem que tentar. Mas ele vai quebrar a cara. Minha opinião como especialista é que não é possível fazer mais com o mesmo dinheiro. Existe certa elasticidade que você ganha com processos de gestão, mas tem um limite para este ganho. Certamente esse limite é diferente do que nós precisaríamos ter diante da necessidade. É uma crise, não tem jeito.

Alguns dos cargos são indicadas pelo governo. Pode haver politicagem na saúde? Isso pode atrapalhar a gestão?

Existe espaço para politicagem e pode prejudicar muito a gestão. recentemente, nos governos recentes do PT e do PMDB, alguns dos cargos foram distribuídos politicamente e estamos tendo consequências por isso.

Como é a experiência de gerir a Anvisa?

Os desafios são de conseguir conciliar as atividades que são voltadas para garantir segurança sanitária, não tem jeito de garantir segurança sanitária de produtos que são consumidos pela população sem você gerar algum tipo de constrangimento econômico. Quando faço inspeção em uma fábrica e encontro um problema que precisa ser melhorado, é preciso gastar para garantir a segurança do produto. Isso significa diminuir o lucro e aumentar a segurança. É um problema complicado. As empresas querem gastar menos e fica complicado.

É preciso ter um mercado homogêneo do ponto de vista da oferta. Esse jogo entre a atividade econômica e sanitária é sempre complicado e existe muita intervenção política no mau sentido. O que o agente do poder público tem que ter é sensibilidade para jogar esse jogo sem pôr a saúde pública em risco, mas olhando também para o fato de que estamos falando de empregos.

A economia não é um evento a ser ignorado. Nós temos que olhar para a questão econômica. O agente do poder público, mesmo dirigido pelo interesse sanitário tem que ter a preocupação econômica porque a sociedade precisa funcionar. Essa questão é muito importante. Dosar essas duas coisas, o objetivo principal que é o sanitário, com o secundário, que é o econômico, é um desafio. A atividade de gerenciar uma agência é de alta responsabilidade.

Fonte: exame

Por que buscar por ‘idiota’ no Google mostra Jair Bolsonaro como resultado?

Se você acessou o Google para pesquisar pela palavra “idiota” na manhã desta segunda-feira (17), provavelmente se deparou com links sobre o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Apesar de ser um prato cheio para a oposição do vencedor da eleição presidencial deste ano não tem, esse resultado específico da busca não tem, porém, nada de partidário nem se trata de uma campanha de difamação promovida pela empresa norte-americana.

A situação guarda semelhanças com a que ocorreu nos Estados Unidos com o presidente Donald Trump e com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Idiota de Ouro

Tudo começou com a premiação do programa de TV Je t’aime, da emissora francesa France 2. O nome do troféu “Le cons d’or 2018” pode ser traduzido como “Os idiotas de ouro” ou “Os babacas de ouro”.

Os apresentadores do programa julgaram que Bolsonaro foi campeão de duas categorias, a de misógino do ano e a de racista do ano. Ele ainda concorria como ignorante do ano, mas perdeu para o rapper Kanye West.

Veículos brasileiros de imprensa passaram a noticiar a homenagem recebida por Bolsonaro, com títulos que resumiam a situação como “TV francesa elege Jair Bolsonaro como racista e misógino do ano”, caso do site “Notícias da TV”, parceiro do UOL.

Outros, porém, deram os seguintes títulos: “Bolsonaro recebe prêmio ‘Idiota do Ano’ (Jornal Opção) e “Bolsonaro ganha ‘Idiota do Ano’ na França e Brasil já campeão no seu governo” (Sensacionalista).

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