Santander pagou R$ 19,4 milhões e Campos Neto apenas R$ 300 mil: o acordo que está chocando Brasília
Para Renan Calheiros o ex-presidente do BC foi blindado em acordo que pode gerar processo criminal; veja os detalhes

Em um desdobramento que reacende debates sobre transparência e regulação no sistema financeiro brasileiro, o Banco Santander firmou um termo de compromisso com o Banco Central do Brasil (BC), pagando R$ 19,4 milhões para encerrar apurações sobre supostas irregularidades em operações de câmbio ocorridas entre 2015 e 2017 – período em que Roberto Campos Neto, atual vice-presidente do Conselho de Administração e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank, atuava como executivo na tesouraria do banco espanhol. A revelação foi feita nesta terça-feira (25) durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, convocada pelo presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), para esclarecer os termos desses acordos e suas implicações.
O evento, que contou com a presença do presidente do BC, Gabriel Galípolo, do diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino Santos, e do presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, serviu como palco para defesas institucionais e críticas políticas. As irregularidades apontadas pelo BC envolviam falhas no monitoramento de 51 pessoas jurídicas que contrataram operações de câmbio totalizando US$ 255 milhões, além de ausência de documentos sobre sócios e omissões na verificação de legalidade em um conjunto de transações no valor de US$ 83 milhões. Especificamente, o processo identificou nove operações com preenchimentos inadequados no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e sete operações de câmbio envolvendo empresas sem histórico suficiente de qualificações.
Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do BC, foi o primeiro a detalhar o acordo com o Santander, confirmando que o pagamento de R$ 19,4 milhões – valor não divulgado anteriormente – foi parte de um compromisso para aprimorar controles internos. “_Independentemente da multa, a instituição financeira tem que melhorar os seus controles e é isto que o Santander fez. Este é o ponto central”, afirmou Aquino, enfatizando que as deficiências observadas eram de natureza administrativa, não criminais. Ele esclareceu que o banco se comprometeu a reforçar procedimentos de conformidade, alinhando-se a práticas globais do Grupo Santander, como destacado em nota oficial da instituição: “_O Santander reafirma que atua em estrita observância às normas do Banco Central, às boas práticas de compliance e às políticas globais do Grupo Santander, mantendo constante diálogo com as autoridades regulatórias e empenho em contribuir para a integridade e a solidez do sistema financeiro nacional”.
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