Servidor recebe salário de R$ 32 mil como ‘chefe da xerox’ – Alan Alex

Em artigo publicado na última segunda-feira falava sobre a incoerência do serviço público no Brasil, que contrata, através de concursos, funcionários para todos os cargos. Pois bem, nos últimos dias vem circulando pelos grupos de Whatsapp cópia do contracheque do “chefe de serviços de reprodução e digitalização de documentos oficiais”, da Câmara dos Deputados, ou traduzindo ao bom e velho português, “chefe da xerox”, cujo salário bruto é de R$ 32.806,31 e ele recebe líquido R$ 22.783,72.

Ele é servidor efetivo da Câmara dos Deputados desde 1998 e ao longo desse período, é claro, acumulou aquele monte de penduricalhos salariais que só o Brasil tem. Esse felizardo, vai se aposentar daqui a pouco tempo e deverá ganhar bem mais que um operador de máquinas pesadas, que tenha trabalhado o mesmo período no setor privado. Com uma diferença, o operador de máquinas pesadas fez um curso que o qualificou para tal função. Trabalhou duro nas mais adversas condições. Mas os defensores do “concurso” irão dizer, “quem mandou não estudar e fazer um [su_frame align=”right”] [/su_frame]concurso?”. Pois é essa mentalidade que nos mantém na condição de um país de terceiro mundo, que não consegue se recuperar economicamente e está com a previdência quebrada. Não sou contra o ingresso por concurso, pelo contrário, sou contra o concurso para quadros que não exigem qualificação, tais como operador de xerox, auxiliar de serviços gerais, auxiliar técnico, enfim, essas funções que podem ser executadas por qualquer um sem grandes habilidades. Basta saber ler e escrever.

Atualmente temos 39 ministérios no Brasil, que não tem metas, não servem para nada, a não ser contratar gente através de concursos para desviar o foco da crise. Os Estados Unidos tem 15 ministérios e o Chile, que vai muito bem, 20. O Brasil tinha, em 2010, 2.039.499 servidores públicos federais, em 2014 eram 2.159.021. O Poder Executivo é o que mais emprega, com 1.986.228 servidores trabalhando em todos os órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e Banco Central, além dos militares. O Judiciário tinha em 2010, 130.989 e em 2014, 137.393 servidores públicos. e o Legislativo, 35.400. O Ministério Público da União, que não é ligado a nenhum dos Três Poderes, conta com 10.487 servidores. Mais de 60% desses cargos poderiam ser extintos, trocados por trabalhadores terceirizados. Entre junho de 2009 a junho de 2010, a União gastou com salários de servidores públicos, R$ 173,6 bilhões. Em 2014 foram pagos R$ 241,7 bilhões em salários.

No Brasil todo, são cerca de 10 milhões de servidores públicos, federais, estaduais e municipais, o que representa, a grosso modo, a 5% da população brasileira trabalhando no setor público. E é insuficiente. Grande parte dos órgãos está com defasagem de pessoal, principalmente dos chamados “cargos técnicos”. Agora em 2016, mais de 140 concursos têm inscrições abertas para 34 mil vagas entre União, estados e municípios.

E todo esse contingente vai se aposentar. Atualmente os pagamentos de aposentadoria de pessoal civil e militar representam uma despesa de R$ 47,1 bilhões. O Brasil precisa encontrar um equilíbrio, ou vamos quebrar. Literalmente.

É editor de www.painelpolitico.com

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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