STJ determina análise de equipamento usado pela Força-Tarefa da Lava Jato em investigação sigilosa
Decisão do STJ reverte posição da PGR e autoriza perícia em aparelho que registrou cerca de 30 mil ligações; Deltan Dallagnol nega irregularidades e defende uso como medida de segurança

A Polícia Federal encaminhou para perícia técnica um aparelho de gravação telefônica utilizado pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná, com o objetivo de esclarecer se o equipamento foi empregado em interceptações ilegais sem autorização judicial. A informação foi revelada em reportagem do jornalista Aguirre Talento, publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 14 de dezembro de 2025.
O aparelho em questão é o modelo Vocale R3, utilizado entre 2016 e 2020 – período que abrange eventos centrais da operação, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a divulgação da chamada “Lista de Fachin” em 2017, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018 e a eleição de Jair Bolsonaro. Dados preliminares indicam que o sistema registrou aproximadamente 30 mil gravações, das quais pelo menos 341 teriam sido acessadas.
A medida foi determinada por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após voto do ministro Luís Felipe Salomão, que reverteu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) favorável ao arquivamento do caso. No voto, Salomão destacou que: “Para além de uma busca por elementos altamente técnicos relacionados ao funcionamento do equipamento Vocale R3, a perícia requerida pela autoridade policial não está direcionada ao conteúdo dos diálogos que foram gravados, mas como esse material foi armazenado, quem eram os responsáveis pela gestão do equipamento e quem teve acesso às gravações”.
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