Suspeito de ataque a jornal nos EUA é indiciado por homicídio

Polícia identifica suspeito como Jarrod Ramos, que processava o jornal por difamação e constantemente ameaçava jornalistas através de redes sociais

O homem armado que atacou uma redação de jornal em Maryland, nos Estados Unidos, deixando ao menos cinco mortos, foi indiciado por homicídio hoje, relatou o grupo jornalístico alvo do ataque.

Jarrod Ramos, de 38 anos, enfrenta cinco acusações de homicídio qualificado no tribunal criminal do distrito de Anne Arundel, onde uma audiência de fiança será realizada ainda hoje, segundo o jornal The Capital em seu site.

A polícia não havia divulgado o nome do suspeito, mas registros judiciais indicam um homem de mesmo nome indiciado pelo crime de cinco assassinatos. Ramos é acusado de entrar no escritório do The Capital Gazette na tarde de ontem e disparar por uma porta de vidro atirando contra a redação.

Rob Hiaasen, de 59 anos, Wendi Winters, de 65, Rebecca Smith, de 34, Gerald Fischman, de 61, e John McNamara, de 56, foram mortos a tiros, disse o chefe de polícia interino do departamento de polícia do distrito de Anne Arundel, William Krampf, em coletiva de imprensa. Rebecca Smith era assistente de vendas. As outras quatro vítimas eram jornalistas.

O jornal The Capital, parte do grupo Gazette, publicou uma edição nesta sexta-feira com fotos de cada uma das vítimas com a manchete “5 mortos no The Capital” em letras grandes na primeira página.

Vítimas do ataque ao jornal de Maryland nos EUA (The Capital/Reprodução)

Segundo o jornal, Ramos processava e ameaçava a redação desde a publicação de uma coluna em 2011 na qual relatava um episódio de assédio cometido pelo suspeito. A coluna, assinada pelo jornalista Eric Hartley, contava que Ramos havia adicionado uma ex-colega de escola no Facebook e começou a conversar com ela. Ele teria dito que ela havia sido “a única pessoa que o cumprimentara e que fora legal com ele”. Depois disso, o suspeito começou a ofendê-la e persegui-la, até que um juiz o considerou culpado de perseguição.

Após a publicação da coluna, Ramos criou um perfil no Twitter com o avatar e apelido do autor do artigo e do então editor do jornal, Thomas Marquardt. Ele utilizava a conta para ameaçar ambos os jornalistas. O editor chegou a cogitar uma ordem de restrição e avisara que o suspeito um dia agrediria a redação.

Sobre o processo que Ramos moveu contra o jornal, o tribunal decidiu que o conteúdo do artigo era verdadeiro e baseado em registros públicos, segundo documentos policiais. Em 2015 uma corte superior de Maryland confirmou a decisão, rejeitando o recurso de Ramos.

(Com Reuters)

Fonte: veja

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