Justiça de SP condena cafeteria por demitir funcionária que bebeu água durante expediente

Franquia da rede Casa do Pão de Queijo não disponibilizava filtro, segundo TRT. A GR Serviços e Alimentação diz que decisão não condiz com condições de trabalho no local e vai recorrer.

A Justiça do Trabalho de São Paulo condenou a empresa GR Serviços e Alimentação, proprietária de uma franquia da cafeteria Casa do Pão de Queijo, pela demissão de uma funcionária que bebeu uma garrafa de água de 500 ml durante o expediente. Cabe recurso à decisão.

Pela condenação, ficou determinado o pagamento de indenização por dano moral no valor de R$ 11.291, além das verbas relativas à demissão sem justa causa, que totalizam aproximadamente R$ 35 mil. A GR Serviços e Alimentação informou que a decisão não condiz com as condições de trabalho no local e vai recorrer.

Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), foi constatado durante o julgamento que a empresa não fornecia água nem disponibilizava filtro ou bebedouro para os empregados, descumprindo as normas previstas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“A reclamada não contratou robôs. Seus empregados são seres humanos. Não se trata de luxo ou capricho, mas de necessidade fisiológica. A atitude de despedir sua empregada por justa causa por beber uma garrafa de água é, além de um exagero, um exemplo de desrespeito ao mais elementar direito de qualquer ser humano, que é o de matar a própria sede”, afirmou a juíza Luciana Bezerra de Oliveira na sentença.

Versões

A mulher demitida tem 21 anos e trabalhou como atendente nas lojas do grupo por pelo menos três anos, no Terminal Rodoviário do Tietê, Zona Norte de São Paulo. Ela mora no município de Arujá, na Grande São Paulo, e todos os dias fazia uma viagem de ônibus de aproximadamente uma hora pela Rodovia Presidente Dutra para chegar ao trabalho.

“Havia um bebedouro no local, mas um dia removeram o equipamento dali e a orientação que recebi era de que poderíamos consumir uma garrafa de água da loja desde que anotássemos no caderno. Foi o que eu fiz”, conta a atendente demitida.
Ela segue desempregada desde o mês de dezembro.

“Na volta do almoço, o gerente imediatamente me chamou para comparecer ao RH, onde me mostraram uma foto minha bebendo água. Perguntaram se eu sabia que a atitude era quebra de procedimento da loja e insistiram para que eu assinasse o documento que atestasse a minha própria demissão por justa causa. Eu respondi que sabia da existência da câmera de monitoramento e não vi qualquer problema em ser filmada tomando água. Me recusei a pedir demissão”, continuou.

Estudante do curso de direito, o cunhado da funcionária demitida soube do caso, viu arbitrariedade na postura da empresa e sugeriu que ela acionasse um advogado.

“Nós pleiteamos dano moral por conta da condição degradante do ambiente de trabalho, que não oferece água ao funcionário”, explicou a advogada Vanessa Antunes de Oliveira. “Na verdade, nós deveríamos ter sido mais rigorosos na indenização, mas a nova lei trabalhista nos deixa cautelosos sobre os pedidos porque, caso sejam julgados improcedentes, a pessoa demitida passa a ter dívida com o patrão”, completa.

O que diz a empresa

Em nota, a GR Serviços e Alimentação informa que vai recorrer da decisão judicial, “ [A decisão judicial] foi baseada em uma versão que não reflete o verdadeiro motivo da demissão e não condiz com as condições de trabalho oferecidas aos seus colaboradores”.

Segundo a empresa, todos os funcionários têm acesso permanente e de forma adequada à água e alimentação. Além disso, reforça que tem “práticas e políticas voltadas a priorizar o bem-estar de seus colaboradores”.

Fonte: g1

Ceará planeja usar água do mar para consumo a partir de 2020

Plano é usar a dessalinização – processo que retira o sal da água – para abastecer cerca de 720 mil habitantes de Fortaleza a partir de 2020

A seca histórica que há seis anos não dá trégua à região Nordeste levou o governo do Ceará a adotar uma medida extrema para garantir o abastecimento humano de água. O governo cearense decidiu instalar, no litoral de Fortaleza, uma unidade de dessalinização da água do mar, para complementar o atendimento à população. O plano é que, até 2020, parte dos habitantes da cidade passe a matar a sede bebendo água do mar.

Até maio, o estado vai receber dois estudos técnicos sobre o projeto, que tem orçamento estimado em cerca de R$ 500 milhões. Uma empresa sul-coreana e outra espanhola foram escolhidas no fim de 2017 para apresentar propostas de engenharia, com indicação do melhor modelo tecnológico para retirar o sal da água e o melhor local para sua instalação.

A meta do governo é de que a água retirada do Oceano Atlântico atenda pelo menos 720 mil habitantes de Fortaleza. A capital consome hoje cerca 8 m³ de água por segundo. A planta de dessalinização tem projeção de entregar 1 m³ de água tratada por segundo, o equivalente a 12% do consumo na cidade.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, disse que o empreendimento vai a leilão no segundo semestre, com previsão de entrar em operação em dois anos. “Vivemos em uma cidade do tamanho de Fortaleza, que tem 9 milhões de habitantes, em um Estado do Semiárido, olhando para o mar. A alternativa de futuro que temos é complementar o abastecimento humano com a dessalinização da água do mar. Não temos mais dúvidas disso”, disse ele, ex-ministro da Integração Nacional.

O plano do governo é contratar uma empresa para construir e ficar responsável pela operação. A contrapartida estadual será a de comprar toda água tratada por essa empresa, que se ligará a um ponto de distribuição da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

O governo vai estabelecer uma tarifa máxima que pretende pagar para cada litro de água dessalinizada. Vencerá a licitação a companhia que apresentar a menor tarifa, que será paga pelo consumidor final.

Experiências internacionais apontam que cada metro cúbico de água dessalinizada teria um custo médio de U$ 1 (cerca de R$ 3,31). Hoje, o valor médio praticado pela Cagece para tratar cada metro cúbico de água doce é de cerca de R$ 3, segundo Francisco Teixeira.

“Veja que, portanto, não devemos ter aumento muito grande nos preços da água”, declarou. “Plantas de dessalinização de maior porte, como as de Israel, por exemplo, conseguem chegar a US$ 0,60 para cada metro cúbico de água tratada”, disse.

Numa segunda etapa, a ideia é fazer uma segunda unidade de tratamento, dobrando a capacidade de dessalinização.

Escassez
O objetivo é reduzir a dependência de Fortaleza das águas do Açude do Castanhão, que fica a 280 quilômetros da capital. Principal caixa d’água que abastece a cidade, o reservatório vive sua pior situação desde 2002, quando entrou em operação, com apenas 3% do que teria capacidade de armazenar.

Em 2017, o governo do Ceará entrou em conflito com usinas térmicas de energia instaladas no Porto de Pecém, que vinham utilizando muita água do Castanhão para resfriar suas turbinas. O governo acusou ainda as empresas de terem abandonados planos de dessalinizar a água do mar para usar em suas operações. Hoje, porém, a ideia é que essas termoelétricas passem a utilizar águas de reúso em suas atividades. Para a população, a fonte será o oceano.

Para entender: 150 países usam o método
Pelo menos 150 países utilizam processos de dessalinização para produzir água potável, segundo estimativa mais recente da Associação Internacional de Dessalinização. Entre as nações que mais exploram a técnica estão países desérticos ou com dificuldades em oferecer abastecimento regular para a sua população, como os do Oriente Médio e os do norte da África.

Países desenvolvidos, como Austrália, também têm centros de dessalinização. Um dos líderes nessa tecnologia é Israel, onde cerca de 80% da água potável consumida pela população é proveniente do mar.

Atualmente, cerca de 300 milhões de pessoas no mundo dependem de água dessalinizada para algumas ou todas as suas necessidades. Ainda de acordo com a associação, já são mais de 18 mil usinas em todo o mundo capazes de dessalinizar a água do mar. Juntas, elas geram 86,8 milhões de metros cúbicos de água por dia.

Fonte: metropoles

Aprovado uso obrigatório de torneiras automáticas em banheiros coletivos

A matéria seguirá à sanção presidencial

O uso de torneiras com dispositivo de vedação automática de água será obrigatório em todos os banheiros de uso coletivo, tanto em prédios públicos quanto privados. É o que determina o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 51/2014, aprovado nesta terça-feira (20) em Plenário. A matéria seguirá à sanção presidencial.

De acordo com o projeto (PL 3636/200, na Casa de origem), todos os banheiros de uso coletivo localizados em edifícios públicos comerciais e residenciais construídos após a aprovação da lei deverão ter torneiras com dispositivo de vedação automática de água.

A fiscalização sobre o cumprimento dessa exigência deverá ser feita por órgãos municipais. Os novos edifícios que não seguirem a regra não receberão o habite-se. A iniciativa pretende minimizar o risco de colapso no abastecimento hídrico.

Autor da proposta, o deputado Lincoln Portela (PR-MG) explica que o objetivo da medida é diminuir o risco de colapso no abastecimento hídrico, uma ameaça real para os próximos anos.

No Senado, o texto passou por três comissões. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), os pareceres recomendaram a sua aprovação, com emenda de redação para deixar claro que banheiros residenciais não precisavam seguir a regra. Na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), o parecer foi pela rejeição do texto.

Fonte: agenciasenado

MST ocupa fábrica da Nestlé em MG contra privatização da água

A ação denuncia a entrega das águas às corporações internacionais, conduzida a passos largos pelo governo de Michel Temer, afirmou o MST

Brasília – Aproximadamente, 600 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem terra (MST) ocuparam uma fábrica de água mineral da Nestlé em São Lourenço, Minas Gerais, nesta terça-feira em protesto contra a privatização da água, o que, segundo o grupo, é negociado no 8º Fórum Mundial da Água que acontece em Brasília.

De acordo com o comunicado divulgado pelo MST, o objetivo da ação é fazer um alerta sobre as “negociatas que ocorrem neste momento no Fórum Mundial das Águas, em Brasília”. O grupo entrou no local às 6h. Conforme o texto, elas denunciam a “entrega das águas às corporações internacionais, conduzida a passos largos pelo governo golpista de Michel Temer”.

Em declarações à Agência Efe, Maria Gomes de Oliveira, da direção de MST, disse que o Fórum “promove mesas de negociações com presidentes de corporações, como Nestlé e Coca Cola”, que se disfarçam de “marketing sustentável” para enganar às pessoas.

“A Nestlé se estabeleceu aqui há décadas e por décadas faz a exploração predatória e inclusive irregular. A água é um bem comum da humanidade, defendê-la é questão de soberania”, disse ela.

Maria afirmou ser “muita petulância fazer um fórum internacional para comercializar nossas reservas de água”.

De acordo com o comunicado do movimento, em janeiro de 2018 Temer e o presidente de Nestlé, Paul Bulcke, se reuniram para discutir a exploração do Aquífero Guarani, uma reserva que abrange quatro países (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

“A empresa, que controla 10,5% do mercado mundial de água, está instalada na cidade mineira desde 1994, quando comprou as fontes e o Parque das Águas de São Lourenço. Desde 1997, a população local denuncia a exploração das águas minerais que, antes de serem privatizadas, eram amplamente utilizadas para tratamentos medicinais. Além da redução da vazão, nota-se a mudança no sabor da água, ou seja, a exploração está fazendo com que ela perca seus sais minerais”, informou o grupo no texto.

Fonte: exame

ONU estima 5 bilhões vivendo em risco de escassez hídrica até 2050

Relatório alerta que apenas investimento em infraestrutura não vai resolver o problema e recomenda soluções baseadas na natureza

A demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de 1% por ano, em razão do crescimento da população e de mudanças nos padrões de consumo. Por outro lado, cenários de secas e cheias têm ficado cada vez mais extremos e estima-se que o número de pessoas que vivem em áreas com potencial de apresentar escassez hídrica ao menos uma vez por ano pode saltar dos atuais 3,6 bilhões para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050.

É o que alerta o relatório mundial que a Organização das Nações Unidas lança nesta segunda-feira (19/3), sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, no Fórum Mundial da Água, que é realizado em Brasília. A recomendação da ONU é que, diante desse quadro, é preciso buscar saídas para a gestão da água nas chamadas “soluções baseadas na natureza” (SbN).

Relatório da Unesco sobre água propõe soluções baseadas na natureza

Banheiros secos que evitam o lançamento de dejetos em tubulações ligadas a centros de tratamento de água ou em rios estão no documento

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lança nesta segunda-feira (19/3) o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018, durante a abertura oficial do Fórum Mundial da Água, em Brasília. A edição incentiva a busca por soluções baseadas na natureza (SbN), que usam ou simulam processos naturais para contribuir com o aperfeiçoamento da gestão da água no mundo.

O documento mostra que apesar da disseminação das tecnologias que envolvem a conservação ou a reabilitação de ecossistemas naturais, esses processos correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos. Segundo a oficial do Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos da Unesco, Angela Ortigara, o objetivo da publicação é incentivar a adoção de soluções baseadas na natureza para que sejam sejam efetivamente consideradas na gestão da água.

“O que acontece, muitas vezes, é que, por facilidade, praticidade ou falta de conhecimento, ninguém pensa que se pode utilizar a natureza para gerenciar, por exemplo, enchentes ou prevenir um caso de seca. E, no entanto, o que a gente quer nesse relatório é mostrar que não é preciso necessariamente construir grandes obras de infraestrutura para melhorar a gestão da água”, afirmou Angela, em entrevista exclusiva aos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O relatório da Unesco ressalta que abordagens tradicionais não permitem que a segurança hídrica sustentável seja alcançada. Já as soluções baseadas na natureza trabalham diretamente com a natureza, não contra ela e por isso oferecem meios essenciais para ir além das abordagens tradicionais, de modo a aumentar os ganhos em eficiência social, econômica e hidrológica no que diz respeito à gestão da água. “As SbN são especialmente promissoras na obtenção de progressos em direção à produção alimentar sustentável, à melhora dos assentamentos humanos, ao acesso ao fornecimento de água potável e aos serviços de saneamento, e à redução de riscos de desastres relacionados à água. Elas também podem ajudar na resposta aos impactos causados pela mudança climática sobre os recursos hídricos”, diz a publicação.

“O relatório quer que as pessoas abram os olhos para soluções que talvez não estejam tão claras do ponto de vista de engenharia, não sejam tão conhecidas, mas que podem trazer soluções que não são banais. Se decidir reflorestar uma área, a primeira coisa que vai pensar é: essa área estará coberta, terá animais, mas também ajudará a recarregar a água subterrânea, os aquíferos”, disse a oficial da Unesco. “Há uma série de benefícios que são difíceis de ser quantificados economicamente e talvez essa seja uma das razões pelas quais essas soluções não venham sendo utilizadas. No entanto, são benefícios que têm que ser considerados se pensarmos em longo prazo”, completou Angela.

Entre os exemplos dados pela publicação está a ampliação de banheiros secos, aqueles que evitam o lançamento de dejetos em tubulações ligadas a centros de tratamento de água ou em rios. Esse tipo de banheiro também permite a produção de composto orgânico ao final do processo. Em uma proposta de solução mais ampla, o relatório apresenta a experiência das cidades-esponjas, na China, em que construções absorvem água da chuva de forma rápida e segura.

Economia
De acordo com o relatório, as soluções baseadas na natureza apoiam a “economia circular”, aquela considerada restauradora e regenerativa, que busca reduzir os desperdícios e evitar a poluição, inclusive por meio do reúso e da reciclagem. Além disso, a tecnologia apoia os conceitos de crescimento verde e de economia verde, que promovem o uso sustentável dos recursos naturais e aproveitam os processos naturais como fundamento das economias. “Essa utilização das SbN no setor hídrico também gera benefícios no campo social, econômico e ambiental, incluindo a melhoria da saúde humana e dos meios de subsistência, o crescimento econômico sustentável, empregos dignos, a reabilitação e a manutenção de ecossistemas, e a proteção/desenvolvimento da biodiversidade”, ressalta a publicação.

O relatório diz que a demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de aproximadamente 1% ao ano, devido ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico e às mudanças nos padrões de consumo, entre outros fatores, e continuará a aumentar de forma significativa durante as próximas duas décadas. No entanto, ao mesmo tempo, o ciclo hídrico mundial está se intensificando devido à mudança climática, com a tendência de regiões já úmidas ou secas apresentarem situações cada vez mais extremas.

Atualmente, estima-se que 3,6 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) vivem em áreas que apresentam potencial escassez de água de, pelo menos, um mês por ano. A expectativa, segundo a publicação, é de que essa população poderá aumentar para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050.

Desafios
De acordo com o relatório da Unesco, a degradação dos ecossistemas é uma das principais causas dos desafios relativos à gestão da água. A publicação estima que, desde 1900, entre 64% e 71% das zonas úmidas de todo o mundo foram perdidas devido às atividades humanas. Todas essas mudanças têm gerado impactos negativos na hidrologia, desde a escala local até a escala regional e mundial.

Outro desafio mostrado pela publicação é a qualidade da água. Desde a década de 1990, a poluição hídrica piorou em quase todos os rios da América Latina, da África e da Ásia. O documento prevê que a deterioração da qualidade da água se ampliará ainda mais durante as próximas décadas, o que aumentará as ameaças à saúde humana, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

O relatório prevê ainda que o aumento de exposição a substâncias poluentes será maior em países de renda baixa e média-baixa, principalmente devido ao crescimento populacional e econômico e à ausência de sistemas de gestão das águas residuais.

A publicação também estima que o número de pessoas que se encontram em situação de risco de inundações aumentará do atual 1,2 bilhão, para cerca de 1,6 bilhão, em 2050 – o correspondente a aproximadamente 20% da população mundial. A população atualmente afetada pela degradação e/ou pela desertificação e pelas secas é estimada em 1,8 bilhão de pessoas, o que torna essa categoria de “desastres naturais” a mais significativa, com base na mortalidade e no impacto socioeconômico relativo ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

Uso do solo
De acordo com o documento, os ecossistemas exercem importante influência no ciclo das chuvas, em escala local e continental. Em vez de ser considerada uma “consumidora” de água, a publicação ressalta que a vegetação deve ser vista como uma “recicladora” de água. Em âmbito mundial, até 40% da precipitação terrestre são gerados pela transpiração vegetal e pela evaporação do solo, também responsáveis pela maior parte das precipitações em algumas regiões.

“Portanto, as decisões relativas ao uso do solo em um determinado lugar podem ter consequências significativas para os recursos hídricos, as pessoas, a economia e o meio ambiente em lugares distantes – o que indica as limitações das bacias de drenagem (em oposição às “bacias de precipitação”) em servir como bases para o gerenciamento da água”, diz o texto.

Como alternativa, o relatório indica a parceria entre a tecnologia tradicional com o uso de infraestrutura verde, voltada para os recursos hídricos, que usa sistemas naturais ou seminaturais para oferecer opções de gestão da água, com benefícios equivalentes ou similares à tradicional infraestrutura hídrica cinza (construída/física).

“Em algumas situações, as abordagens baseadas na natureza podem oferecer a principal ou a única solução viável (por exemplo, a recuperação de paisagens para combater a degradação do solo e a desertificação), ao passo que para outras finalidades apenas uma infraestrutura cinza funcionaria (por exemplo, o fornecimento de água para uma casa por meio de canos e torneiras). Contudo, na maioria dos casos, as infraestruturas verdes e as infraestruturas cinzas podem e devem trabalhar em conjunto”, acrescenta a publicação.

Riscos relacionados à água
Atualmente, o mundo todo tem presenciado os riscos de desastres relacionados à água, como inundações e secas associadas a uma crescente mudança temporária de recursos hídricos em virtude de alterações climáticas. Segundo o relatório, cerca de 30% da população mundial vive em áreas e regiões afetadas rotineiramente por inundações e secas. A degradação dos ecossistemas é a principal causa dos crescentes riscos e eventos extremos relacionados à água e, além disso, ela reduz a capacidade de aproveitar plenamente o potencial das soluções baseadas na natureza.

“Vemos que cada vez mais estão se intensificando os eventos extremos, desastres naturais, justamente nas áreas que já estão sujeitas a esses desastres. Onde há seca, em zonas extremamente áridas, haverá cada vez mais secas, com cada vez mais impactos. Onde há inundações, vai ter cada vez mais inundações. O que vai acontecer é que áreas que nunca vivenciaram desastres naturais também poderão viver esses fenômenos. Isso é o principal desafio, que em parte pode ser controlado, mas grande parte, não”, afirmou o oficial de projetos de Meio Ambiente da Unesco, Massimiliano Lombardo.

Para a Unesco, a infraestrutura verde é capaz de desempenhar importantes funções relacionadas à redução de riscos. A combinação de abordagens de infraestrutura verde e cinza pode levar à redução de custos e a uma redução geral dos riscos. “As SbN podem melhorar a segurança hídrica geral, aumentando a disponibilidade e a qualidade da água e, ao mesmo tempo, reduzindo os riscos de desastres relacionados à água e gerando cobenefícios sociais, econômicos e ambientais. Elas permitem a identificação de resultados positivos para todos os setores”, diz o texto.

Inércia política
De acordo com o relatório, ainda existe uma inércia histórica contra as soluções baseadas na natureza, devido ao predomínio contínuo de soluções de infraestrutura cinza nos atuais instrumentos dos países em relação às políticas públicas, aos códigos e normas de construção. A consequência disso, em conjunto com outros fatores, é a frequente percepção de que as soluções baseadas na natureza são percebidas como menos eficientes, ou mais arriscadas do que os sistemas construídos (com infraestrutura cinza).

“Muitas vezes, as SbN exigem cooperação entre as várias partes e instituições interessadas, o que pode ser difícil de alcançar. Os arranjos institucionais atuais não evoluíram, levando em consideração a cooperação no que diz respeito às SbN. Faltam conscientização, comunicação e conhecimento em todos os âmbitos, das comunidades aos planejadores regionais aos formuladores de políticas nacionais, sobre o que as SbN realmente podem oferecer”.

“Continuam a existir mitos e/ ou incertezas sobre o funcionamento da infraestrutura natural ou verde, assim como sobre o que significam os serviços ecossistêmicos, em termos práticos. Também não é totalmente claro, às vezes, o que constitui uma SbN. Faltam orientação técnica, ferramentas e abordagens para determinar a combinação correta de opções de SbN e infraestrutura cinza”, adverte o documento.

Limites
O relatório alerta que é necessário reconhecer os limites da capacidade de suporte dos ecossistemas e determinar os valores a partir dos quais pressões adicionais causarão danos irreversíveis aos próprios ecossistemas. “Há limites ao que os ecossistemas são capazes de alcançar, e esses limites devem ser identificados com maior precisão. Por exemplo, os “pontos críticos”, além dos quais as mudanças negativas nos ecossistemas se tornam irreversíveis, são bem estudados na teoria, mas raramente são quantificados”, indica a publicação.

Segundo o documento as soluções baseadas na natureza não necessariamente exigem recursos financeiros adicionais, mas normalmente envolvem o seu redirecionamento, ou o uso mais efetivo dos financiamentos já existentes. “Investimentos em infraestrutura verde estão sendo mobilizados graças ao crescente reconhecimento do potencial dos serviços ecossistêmicos em oferecer soluções que tornam os investimentos mais sustentáveis e mais custo-efetivo no longo prazo”.

“O investimento nas soluções verdes é ainda muito baixo. Se você tiver que tomar uma decisão para o gerenciamento da água, eu diria: por favor, considere coisas que são diferentes das usuais. Pense em soluções mais verdes, que possam trazer benefícios não só para levar água do ponto A para o ponto B, mas para que nesse caminho possa gerar benefícios para o meio ambiente”, avaliou Angela Ortigara. “É necessário, principalmente para um país grande como o Brasil, em que a gente sempre pensa que tem muita água, suficiente para tudo, e acontece como em 2015, a seca em São Paulo, e a gente não sabe por quê”, completou.

O documento apoia ainda a incorporação de conhecimentos e práticas tradicionais às já consolidadas por comunidades locais sobre o funcionamento dos ecossistemas e a interação natureza-sociedade. Nesse sentido, a publicação sugere que devem ser feitas melhorias quanto à incorporação desses conhecimentos nas avaliações e no processo decisório.

“O relatório demonstra que o ser humano pode fazer uma parceria com a natureza, em vez de lutar e querer que ela se conforme com as nossas necessidades, é [importante] tentar acomodar a necessidade da natureza, no caso da água, de se espalhar, inundar uma planície, porque isso é importante para preservar a qualidade e a quantidade da água que, depois, o ser humano vai utilizar”, concluiu o oficial de projetos Massimiliano Lombardo.

Publicação
O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (World Water Development Report – WWDR) é publicado anualmente, com foco em questões estratégicas sobre a água. O documento oferece um quadro geral do estado dos recursos de água potável no mundo e visa a proporcionar as ferramentas sustentáveis a serem utilizadas pelos tomadores de decisões.

Fonte: metropoles

Por que o uísque fica melhor quando misturado com água, segundo a ciência

Por que o uísque fica melhor quando misturado com água, segundo a ciência

Alguns bebem puro, outros com gelo e há quem prefira diluído com algumas gotas de água. Mas o que realmente deixa o uísque com melhor sabor?

Como tudo, isso é uma questão de gosto. Mas de acordo com uma nova pesquisa científica, o sabor do uísque é potencializado, paradoxalmente, quando diluído com água.

Bjorn Karlsson e Ran Friedman, químicos da Universidade de Linnaeus, na Suécia, chegaram a essa conclusão depois de criar um modelo computadorizado que permitiu analisar as interações entre água, etanol e o composto orgânico chamado guaiacol, proveniente de barris de carvalho onde o uísque é envelhecido e que dá à bebida o seu sabor característico.

Eles descobriram que quando o licor tem uma porcentagem de álcool igual ou superior a 40%, as moléculas de guaiacol tendem a ficar no líquido.

Diluir o álcool no uísque de 45% paraa 27%, afirmam, aumenta a densidade de guaiacol na superfície em mais de um terço

No entanto, quando a porcentagem de álcool diminui para 25%, essas moléculas se aproximam da superfície do líquido, levando consigo o aroma esfumaçado e o sabor do uísque.

Diluir o álcool no uísque de 45% para 27%, afirmam, aumenta a densidade de guaiacol na superfície em mais de um terço.

Quanta água?

A questão é por que os produtores não envasam a bebida diretamente com sua porcentagem perfeita de álcool?

Na opinião dos pesquisadores, isso ocorre porque os fabricantes querem evitar o risco de que os compostos que dão sabor à bebida escapem pelo topo da garrafa e sejam perdidos quando abertos.

E, por outro lado, adicionar água é uma tarefa mais do que simples.

Mas, sendo assim, quanto de água é preciso adicionar?

Cientistas vão pesquisar como drogas com moléculas semelhantes às dos uísque, como remédios, se comportam no corpo humano

“A maneira como experimentamos sabor e aroma é muito individual”, diz Karlsson.

“Algumas pessoas preferem colocar gelo para resfriá-lo e dar um sabor mais suave. É por isso que não há uma resposta genérica sobre o quanto adicionar para torná-lo melhor”, diz o pesquisador.

Agora, os cientistas – que reconhecem não ser grandes bebedores de uísque – se propõem a descobrir como as drogas que contêm uma mistura similar de moléculas (como remédios para a tosse) se comportam dentro do nosso corpo.

Fonte: bbc.com

Desaparecimento repentino de rio no Canadá assusta cientistas

Desaparecimento repentino de rio no Canadá assusta cientistas

Trata-se do primeiro caso conhecido de “pirataria fluvial” nos tempos modernos por influência das mudanças climáticas.

Geralmente, são necessários milhões de anos para um rio desaparecer ou reverter seu curso natural. Mas para o rio Slims, no Canadá, quatro dias foram suficientes.

Em artigo publicado nesta semana na revista Nature Geoscience, cientistas descrevem o sumiço repentino do rio, em maio do ano passado, como o primeiro caso conhecido de “pirataria fluvial” nos tempos modernos por influência das mudanças climáticas, o que levanta preocupações.

A pirataria de rios, também chamada de captura fluvial (do inglês “river capture” ou “stream piracy”), corresponde ao desvio natural das águas de uma bacia hidrográfica para outra, processo que promove a expansão de uma drenagem em detrimento da vizinha.

Segundo os pesquisadores, as altas temperaturas registradas na primavera passada contribuíram para um derretimento abrupto do glaciar Kaskawulsh, que alimenta o rio Slims, fenômeno que acabou gerando um novo canal de drenagem da água.

Ao invés de fluir para o norte e alimentar o rio Slims (que se une ao rio Yukón e desemboca no mar de Bering), a água do degelo foi desviada para o sul, rumo ao rio Alsek, que deságua no oceano Pacífico, um fenômeno geológico que normalmente levaria milhões de anos para acontecer.

Anteriormente, os dois rios tinham quase o mesmo tamanho. Mas, agora, o rio Alsek — popular pela prática de rafting e considerado um Patrimônio Mundial da Unesco — está maior do que o rio Slims.

“Podemos nos surpreender com o que a mudança climática nos reserva e alguns dos efeitos podem ser muito mais rápidos do que esperamos”, disse o principal autor do estudo, Daniel Shugar, da Universidade de Washington, ao jornal The New York Times.

Mudança abrupta

Segundo Shugar, até agora, muito do trabalho científico que envolve as geleiras e as mudanças climáticas tem se concentrado no aumento do nível do mar, porém o novo estudo mostra que pode haver outros efeitos subestimados e imprevistos.

A alteração do padrão de drenagem de um rio reserva ameaças preocupantes. O caso do rio canadense ocorreu em área selvagem relativamente pouco povoada e, portanto, sem grande impacto nas populações humanas.

Porém, o sumiço do rio teve um impacto dramático sobre o ecossistema, redistribuindo as populações de peixes, alterando a química dos lagos próximos e assolando a região com uma série de novas tempestades de areia.

No contexto global, outros rios alimentados por glaciares, que fornecem energia hidrelétrica e abastecimento de água a regiões mais povoadas, também poderiam estar em risco.

“Este não será o último [evento], avisou Lonnie Thompson, paleoclimatologista da Universidade Estadual de Ohio, em entrevista ao The Guardian. “Incidentes semelhantes podem acontecer nos Himalaias, nas montanhas dos Andes da América do Sul, ou outras partes do Alasca e Canadá, a medida que a mudança climática se acelera”.

Fonte: exame.com

Produção de alimentos e até de celulares pode reduzir reservas de água

Produção de alimentos e até de celulares pode reduzir reservas de água

Criação de apenas um smartphone consome cerca de 12,7 mil litros de água, o equivalente a um caminhão-pipa médio.

As ações cotidianas para economizar água envolvem, geralmente, hábitos como diminuir o tempo no banho, fechar a torneira na hora de escovar os dentes ou usar um balde em vez da mangueira para lavar o carro ou a calçada. Mas, grande parte da população desconhece a chamada água invisível, usada em processos como a produção de alimentos e até de celulares, e que pode reduzir ainda mais as reservas hídricas em tempos de crise de abastecimento.

De acordo com pesquisa da Mind your Step, feita a pedido da entidade de proteção ao meio ambiente Friends of the Earth, a produção de um smartphone consome em torno de 12.760 litros de água — o equivalente ao volume transportado por um caminhão-pipa médio.

Cada pessoa consome diariamente de dois mil a cinco mil litros de água invisível contida nos alimentos, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgados esta semana pelo Instituto Akatu, para marcar o Dia Mundial da Água, na quarta-feira (22/3). Para chegar a esse volume, os pesquisadores analisaram toda a cadeia de produção de bens de consumo.

Uma única maçã, por exemplo, consome 125 litros de água para ser produzida, segundo a Waterfootprint, rede multidisciplinar de pesquisadores e empresas que estudam o consumo de água nos processos produtivos.

A pecuária também é responsável por um alto consumo de água. “Para cada quilo de carne bovina, são gastos mais de 15 mil litros de água. Essa quantidade se refere à água e alimentação utilizadas para o gado até que ele atinja a maturidade e também a tudo que é gasto no processo do frigorífico, como limpeza e resfriamento do ambiente”, informa o Instituto Akatu, organização não governamental que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente.

Essa água invisível não está somente na produção de alimentos. Para fazer uma calça jeans, são consumidos 10.850 litros de água durante toda a cadeia produtiva. O volume é suficiente para suprir o consumo de uma residência média no Brasil por mais de três meses, segundo a instituto. “Essa quantidade contabiliza desde a água gasta na irrigação do algodoeiro, material usado para fabricar o tecido, até a água da confecção da peça.”

Segundo a ONG, as empresas precisam melhorar os processos de produção para conseguir usar a água de forma mais eficiente.

“Do ponto de vista empresarial, é preocupante ser dependente desse recurso que é cada dia mais escasso. E essa preocupação não deve ser só das empresas. As políticas públicas devem contribuir para evitar desperdício hídrico e garantir a preservação dos mananciais. E, além disso, cada pessoa e cada família pode fazer a sua parte buscando consumir apenas o necessário, evitando o desperdício desse recurso tão essencial”, destaca o presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar.

Confira dicas de economia da água:

– Dê preferência aos itens duráveis em vez dos descartáveis;
– Faça o uso compartilhado de bens e serviços. Se possível, alugue-os temporariamente ou combine o uso comunitário, entre várias pessoas;
– Produtos concentrados, como de higiene ou limpeza, utilizam menos água em sua produção e transporte; por isso, devem ter preferência em relação aos produtos diluídos;
– Dê preferência aos alimentos produzidos próximos ao local onde você mora e compre aqueles que são da estação, pois isso fará com que durem mais e não haja desperdício;
– Aproveite cascas, sementes, talos e folhas de legumes, verduras e frutas. Essas partes, que muitas vezes são jogadas fora, têm nutrientes e podem ser aproveitadas em muitas receitas;
– Diminua o consumo de carne bovina, que exige muita água em sua produção. Você não precisa eliminá-la de sua dieta, mas pode consumi-la com menos frequência, substituindo-a por outras fontes de proteína – e assim diminuir o impacto negativo de sua produção no meio ambiente e, consequentemente, na vida das pessoas;
– Antes de fazer qualquer compra, reflita sobre a necessidade de adquirir um novo item. Pense se você não pode pegar o item emprestado, comprar o produto usado, ou fazer uma troca com outra pessoa;
– Promova uma feira de trocas com os amigos e parentes. Artigos como roupas, acessórios, bijuterias, livros, entre outros, podem ser reaproveitados e ganhar uma nova vida nas mãos de outra pessoa.

Fonte: metrópoles.com

Uma em cada 4 crianças viverá com escassez de água em 2040

Uma em cada 4 crianças viverá com escassez de água em 2040

De acordo com levantamento da Unicef, mais de 36 países enfrentam atualmente situações de estresse hídrico extremo.

Aproximadamente uma em cada quatro crianças em todo o mundo viverá em regiões com recursos hídricos extremamente escassos em 2040, informou a Unicef em um relatório na quarta-feira.

Em uma pesquisa divulgada no Dia Mundial da Água, a agência das Nações Unidas para a infância alertou que em pouco mais de duas décadas quase 600 milhões de crianças estarão vivendo em áreas com fontes de água severamente limitadas, conforme o crescimento populacional e o aumento da demanda de água se juntarem aos efeitos das mudanças climáticas.

Mais de 36 países enfrentam atualmente situações de estresse hídrico extremo, segundo o relatório, e a demanda de água excede a oferta renovável disponível.

O aumento das temperaturas e as secas podem colocar as crianças em risco de desidratação, de acordo com a Unicef, enquanto o aumento das chuvas e inundações pode destruir a infraestrutura de saneamento e ajudar a espalhar doenças transmitidas pela água, como a cólera.

Mais de 800 crianças com menos de cinco anos morrem diariamente por diarreia ligada a um saneamento deficiente e à escassez de fontes de água potável, disse o relatório.

A seca e os conflitos são os fatores por trás da escassez de água em partes da Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen, diz o relatório. Quase 1,4 milhão de crianças nessas áreas enfrentam um “risco iminente de morte” por causa da fome.

Só na Etiópia, mais de nove milhões de pessoas não terão acesso a água potável neste ano, de acordo com projeções da agência.

Sem água “nada pode crescer”, apontou o diretor executivo da Unicef, Anthony Lake.

“Milhões de crianças carecem de acesso à água potável – o que põe em risco as suas vidas, afeta a sua saúde e ameaça o seu futuro”, acrescentou.

A crise “só vai aumentar, a menos que tomemos uma ação coletiva agora”, disse.

A Unicef pediu às comunidades que diversifiquem suas fontes de água e que os governos priorizem o acesso à água potável para crianças vulneráveis.

Em outro relatório divulgado na quarta-feira, a ONU disse que a reciclagem das águas residuais do mundo – cuja maioria não é tratada – aliviaria a escassez global de água e protegeria o meio ambiente.

Dois terços da humanidade vivem em zonas onde a escassez de água é patente por ao menos um mês do ano. A metade delas vivem na China e na Índia.

No ano passado, uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial identificou as crises de água como o maior risco global da próxima década.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente prevê que, de acordo com as tendências atuais, a demanda de água – para a indústria, a energia e um bilhão a mais de pessoas – aumentará 50% até 2030.

Fonte: exame.com