Como identificar o abuso sexual no ginecologista?

Revista - https://revista.painelpolitico.com

O objetivo, aqui, não é gerar medo. Pelo contrário, é conscientizar você e todas as mulheres do que deve ou não acontecer dentro do consultório

Você já deve ter visto por aí casos de mulheres que sofreram abuso sexual durante uma consulta no ginecologista. Infelizmente, é mais comum do que gostaríamos de admitir, mas isso não significa que é impossível identificar e evitar que esse tipo de coisa aconteça.

Se você nunca foi ao ginecologista antes, se esteve no consultório poucas vezes ou se vai com frequência ao especialista, vale a pena ficar de olho. O objetivo, aqui, não é gerar medo. Pelo contrário, é conscientizar você e todas as mulheres do que deve ou não acontecer dentro do consultório. Vamos, primeiro, passar pelo básico:

O que acontece no consultório do ginecologista?

A meta de uma consulta ginecológica é a paciente checar a sua saúde. Ou seja, garantir que o seu aparelho reprodutor está funcionando corretamente, que as menstruações estão de acordo com o que é comum, que não existem nódulos nos seios ou, se existem, que eles sejam devidamente examinados.

Por isso, não existe um protocolo fixo de quais exames devem ser feitos durante a consulta ginecológica. Segundo a Dra. Fernanda Pepicelli, ginecologista da Clínica MedPrimus de São Paulo, essas examinações dependem da idade da mulher e do seu histórico médico. “Basicamente, é importante uma mulher realizar o papanicolau e a coleta de exame que busque o HPV após começar a ter relações sexuais e se não tem nenhum problema de saúde”, diz.

Além disso, para ela, fazer um ultrassom pélvico é essencial, já que serve tanto para avaliar os órgãos internos da mulher (como o útero e os ovários), como para identificar doenças, acompanhar a gravidez ou o processo de ovulação no caso de mulheres que estão fazendo tratamentos de reprodução assistida.

Outros exames, como a mamografia, passam a ser fundamentais a partir dos 40 anos, para a detecção precoce de câncer de mama. Já exames de sangue ajudam no acompanhamento da rotina, determinando os níveis de açúcar no sangue, hormônios e colesterol.

Agora, um ponto importante. Muitos desses exames são, sim, desconfortáveis. “O papanicolau, por exemplo, é um exame que passamos um aparelhinho na vagina, chamado espéculo. Uma vez visualizando o colo do útero, podemos coletar material de lá para ser feita uma análise”, explica Fernanda. Por isso, esses exames devem seguir a orientação médica e a paciente precisa se manter calma e relaxada, para facilitar o processo.

Se feito da maneira adequada, esses exames, mesmo os mais desconfortáveis, são feitos rapidamente (um ultrassom pode levar de 30 minutos a uma hora), e você não precisa ficar completamente nua durante a consulta ou a examinação. Fernanda explica que a mulher pode ficar com o avental para dar menos desconforto. “Mas sem calcinha e sem sutiã. O exame físico é parte fundamental da consulta e não tem como ser feito adequadamente se a paciente estiver vestida”.

Quando a consulta do ginecologista vira assédio sexual?

Agora, vamos entender como uma consulta deixa de ser uma consulta para se tornar assédio sexual. Para isso, conversamos com Isabela Del Monde, da Rede Feminista de Juristas, para entender melhor o assunto, um passo de cada vez.

1.Entenda o que é abuso sexual

“Abuso sexual é um termo leigo para falarmos de situações de violência sexual, e, basicamente, o que define qualquer situação dessas é a vontade de uma das partes de praticar atos lascivos com outra pessoa independentemente da vontade ou do consentimento da outra”, explica Isabela.

Isso significa que a violência sexual é caracterizada quando um dos lados de uma relação (seja ela romântica, profissional ou médica) pratica atos libidinosos, relativos ao sexo, sem o consentimento da outra pessoa.

2.Preste atenção na hora da consulta ginecológica

De acordo com Isabela, um ato de violência sexual e até de estupro pode acontecer durante um exame ou em momentos de entrevista entre médico e paciente, com perguntas extremamente íntimas para além da necessidade médica.

“É comum que se pergunte numa consulta ginecológica o número de parceiros sexuais que uma mulher teve no último ano. Mas não é comum, por exemplo, uma pergunta como quais são as preferências dela na cama”, diz. “Isso não tem nenhuma interferência na saúde dela”.

Para a advogada, o que precisa ficar mais consciente é que as mulheres sabem quando estão passando por uma situação de violência, seja ela sexual, psicológica, física ou moral. “Se a paciente sente que tem alguma coisa estranha, que não ficou confortável, muito provavelmente ela está diante de uma situação de abuso sexual”.

3. Vá acompanhada na primeira consulta

Se você está indo pela primeira vez ao médico ginecologista, a recomendação de Isabela é que você vá acompanhada de alguém de confiança e, inclusive, exija a presença de uma enfermeira mulher na sala de exames, além de fazer uma pesquisa na internet antes de ir ao consultório, para se familiarizar com o que acontece em uma consulta desse tipo.

“De modo que ela vá empoderada de informações sobre o que pode esperar e o que não pode esperar dentro de um consultório ginecológico”, diz Isabela. “Eu também recomendo que as mulheres solicitem aos seus médicos que expliquem o que vão fazer e porquê vão fazer”. Isso ajuda você não só a entender o passo a passo da consulta, como também adotar uma postura ativa nessa situação, e não meramente passiva, de observador.

4. Saiba onde recorrer em caso de violência sexual

O principal é seguir o caminho comum para esse tipo de caso: ir até uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência, buscar auxílio legal (como o de um advogado) e abrir uma ação contra o médico. “Além disso, ela pode também fazer uma denúncia no Conselho Regional de Medicina. Isso é muito importante, porque a partir disso será instaurado um processo administrativo e o médico terá que responder perante o seu conselho profissional, podendo encarar uma série de sanções que podem gerar a cassação do seu CRM [registro médico]”.

Vale lembrar sempre que o Disque Denúncia 180 funciona sempre 24 horas por dia, sete dias por semana, e recebe denúncias para casos de violência sexual, psicológica e física contra mulheres.

“Acredito que a melhor forma de lidar com o trauma de uma violência como essa é a vítima ter plena consciência que ela não tem nenhuma culpa ou responsabilidade sobre o fato. Que não tem nada que ela fez ou deixou de fazer que causou aquela situação. Isso é muito fundamental. E, para isso, nós precisamos ter uma cultura de empoderamento de mulheres e de credibilidade de mulheres”, diz, Isabela.

Para isso, a escuta e o reconhecimento pela sociedade ou pelo círculo social da mulher do seu relato de violência é essencial também para que o trauma não se estabeleça e ela consiga, mais facilmente, superar a situação como um todo e seguir em frente.

“Você pode buscar uma rede de confiança para falar sobre o que aconteceu, buscar saber sobre os seus direitos para que você entenda que outras pessoas passaram por isso e que há soluções jurídicas e, por fim, numa próxima visita ginecológica, buscar indicações de médicas, preferencialmente mulheres, que atendem suas amigas ou pesquise na internet médicos que revelem na sua profissão a preocupação quanto a isso”, finaliza.

Do Yahoo Vida e Estilo

Mulheres relatam abuso de fotógrafo: “Roupas iam saindo e ele ia passando a mão”

Revista - https://revista.painelpolitico.com

Mais de 90 relatos foram compartilhados no Instagram e revelam casos de assédio e constrangimento antes, durante e após ao ensaio fotográfico

No início de junho, a designer de moda Anny Alves, 24 anos, usou seu perfil no Instagram para relatar o abuso que sofreu durante um ensaio em Florianópolis, Santa Catarina. Segundo a jovem, Cesar Oliveira Acosta pediu imagens dela de biquíni antes de fazer as fotos, tocou em seu corpo de forma invasiva durante a sessão e, depois, fez convites para que tivessem encontros íntimos.

Após o desabafo, dezenas de mulheres procuraram Anny e também relataram que foram assediadas e abusadas pelo fotógrafo. No dia seguinte, a designer criou uma conta na rede social (@cesaroliveiraa_denuncia) com o intuito de tornar os relatos de abuso público e alertar sobre a postura do fotógrafo.

O perfil é descrito como um espaço para “expor relatos de garotas que foram assediadas e constrangidas pelo fotógrafo Cesar Oliveira Acosta”. Até o momento, mais de 90 relatos foram publicados e mais de 17,3 mil pessoas seguem a conta.

Além do que já foi publicado, Isadora Tavares, advogada de Anny, fala ao Delas que mais de 200 mensagens foram enviadas ao perfil do Instagram com denúncias e acusações à postura do fotógrafo antes, durante e após o ensaio fotográfico .

Anny Alves criou o perfil no Instagram que reúne relatos de assédio e abuso cometidos pelo fotógrafo Cesar Acosta

“Roupas iam saindo e ele ia passando a mão”

Apesar dos inúmeros relatos, as situações descritas na rede social pelas mulheres são semelhantes. Quase todos os casos mostram assédio , humilhação e constrangimento. São clientes que relatam sentimentos de humilhação, vergonha e nojo do que viveram durante a sessão de fotos.

Algumas contam que foram tocadas e expostas a situações sem o consentimento. “Me senti violentada pelo Cesar também. Me senti mal de ter fotografado com ele, ele ficava querendo me tocar na hora das fotos”, escreve uma mulher. “Eu me senti mega mal. Ele tentou botar a mão na minha parte íntima”, completa.

Duas amigas foram fazer o ensaio fotográfico com o mesmo profissional e passaram por situações parecidas. “As roupas iam saindo e ele ia passando a mão, enfiando o dedo, pedindo poses para eu e a minha amiga fazermos. E bateu foto de tudo. Nunca me senti tão humilhada”, relatou uma delas, também no perfil do Instagram.

Outras ainda falam sobre a insistência do fotógrafo para que elas tirassem a roupa, mostrassem partes íntimas e até que beijassem outras mulheres – coisas que não haviam sido combinadas previamente. Além disso, algumas mulheres acusaram Cesar de publicar fotos sem o consentimento e de insinuar que gostaria de ter relações com elas.

Um ponto em comum é que muitas mulheres demoraram a reconhecer e admitir que sofreram abuso. Anny, por exemplo, levou algumas semanas para conseguir falar sobre o assunto e torná-lo público.

“Ela levou um tempo para processar que o que tinha acontecido foi assédio e não um carinho dele. A gente sempre tenta amenizar a conduta do agressor e justificar o comportamento dele nos culpando”, fala a advogada da designer ao Delas .

Na segunda-feira (1), Anny fez um boletim de ocorrência e formalizou a denúncia contra Cesar. “Estamos no aguardo dos oficiais de justiça citarem as outras testemunhas, outras vítimas e o próprio agressor. Para aí então ser encaminhado para o delegado e ele determinar a tipificação penal que vai ser enquadrada a conduta do agressor”, explica Isadora Tavares.

Isadora encoraja as outras mulheres a fazerem a denúncia, já que apenas o boletim de ocorrência feito pela designer não é capaz de abarcar todas as acusações.

Para fazer a denúncia é importante reunir provas contra o fotógrafo, como printscreen de conversas. Então, levar até uma delegacia – se possível, Delegacia de Defesa da Mulher – e fazer o boletim de ocorrência. Dessa forma, o processo legal terá continuidade.

Fotógrafo admite que fez “coisas extremamente horríveis”

printscreen de vídeo

No dia 13 de junho, Cesar Acosta publicou um vídeo em seu perfil no Instagram pedindo desculpas e admitindo algumas acusações. “Queria começar esse vídeo pedindo desculpas para todos vocês que de alguma maneira eu machuquei com as minhas palavras ou atitudes”, diz o fotógrafo no vídeo intitulado “Minhas desculpas”.

“Tive atitudes que não deveria ter tido, inclusive cheguei a pedir nudes de meninas antes do ensaio, eu fiz isso sim. […] Falei coisas extremamente horríveis e como eu recebia uma resposta positiva, entre aspas, eu achava que estava tudo bem”, continua.

Cesar diz que a intenção do vídeo não é justificar suas atitudes ou desmerecer a dor das mulheres. No entanto, comenta que está sendo muito pesado lidar com a situação. No dia seguinte da publicação, o fotógrafo apagou o vídeo e bloqueou os três perfis que tinha na rede social e somavam mais de 221 mil seguidores.

Como realmente funciona um ensaio?

fotógrafa
Fotógrafa explica que tudo o que acontece em um ensaio fotográfico, principalmente sem roupas, deve ter consentimento / shutterstock

De tempos em tempos relatos contra fotógrafos são compartilhados nas redes sociais. No entanto, comportamentos como esses não devem ser associados à sessão de foto. Ao Delas , a fotógrafa da Naked Fotografia Michelle Moll explica que o trabalho deve ser ético e respeitoso como qualquer outro. “Em nenhum outro trabalho, em nenhuma outra área, você pega na pessoa sem a permissão, sem o mínimo de cuidado”, fala.

A profissional explica que quando é preciso arrumar o sutiã ou a calcinha, por exemplo, ela pede para a própria cliente fazer isso. Mesmo para ajudar a modelo posar de uma forma que fique mais interessante para a foto, o contato acontece somente após o consentimento.

Em relação às fotos pedidas por Cesar antes do ensaio. Michelle, que é fotógrafa há 20 anos e está na área do ensaio boudoir há oito, diz que é “surreal”. “Isso não interfere em nada no ensaio. A fotografia é técnica. É um trabalho como qualquer outro”, explica. Segundo ela, no máximo pede as medidas da modelo para fazer a produção de moda.

Ela ainda reforça sobre a importância de a modelo fazer apenas fotos que se sente confortável. “Ela só pode e deve fazer o que se sentir à vontade, porque isso é o que torna a foto mais bonita. Não é comum em um ensaio que o fotógrafo dirija e fale que você deve fazer tudo o que ele está falando. Não, você deve fazer o que te deixa à vontade”, afirma.

A fotógrafa também explica que conversas íntimas não são necessárias para a mulher “se soltar”. “Como disse antes, a fotografia é técnica. Não tem nada a ver com criar clima e precisar falar sobre certos assuntos para fazer a foto”, diz.

abuso sofrido por Anny e outras mulheres durante o ensaio não foi o primeiro e nem será o último. No entanto, é possível tomar alguns cuidados na hora de escolher o profissional. Uma dica da Michelle é conhecer o profissional antes de fechar a sessão de fotos, além de conversar com outras mulheres que já fotografaram com ele. Também é fundamental ter consciência de que você só deve posar como se sentir confortável. 

Cuba Gooding Jr é acusado de assédio sexual; ele estava com a namorada na hora; vídeo está sendo usado como prova; veja

Revista :: Tudo sobre tudo - https://revista.painelpolitico.com

Em vídeo, Cuba Gooding Jr. aparece tocando mulher que o acusa de assédio

No último final de semana, Cuba Gooding Jr. foi acusado de assediar uma mulher durante uma festa em Nova York, nos Estados Unidos. Agora o caso está rendendo ainda mais, pois vídeos da câmera local mostram o momento que o ator apalpa a suposta vítima.

Nas imagens divulgadas pelo TMZ ,  Cuba Gooding Jr. aparece ao lado da namorada, quando uma mulher senta ao lado dela e é tocada pelo artista, que passa a mão em partes do seu corpo.

A gravação ainda mostra alguns detalhes não muito claros, que podem ser interpretados como a mulher afastando a mão do ator ou ele puxando-a para dar um beijo; veja:

Logo após o episódio de assédio , a moça deixou o local e ligou para a emergência denunciando Cuba Gooding Jr. que foi detido na última quinta-feira (13) por importunação e abuso sexual de terceiro grau.

O ator chegou a ser preso, veja:

Repórter da Record é acusado de assediar pelo menos 12 mulheres; Gerson de Souza foi afastado

Revista :: Tudo sobre tudo - https://revista.painelpolitico.com

Um dos repórteres mais experientes da Record, Gérson de Souza está sendo acusado de assediar sexualmente pelo menos 12 mulheres, a maioria delas colegas de Redação do Domingo Espetacular. Sete denúncias foram feitas na semana passada ao departamento de Recursos Humanos da emissora. O caso vem sendo detalhado pelo blog Notícias da TV, do jornalista Daniel Castro. Veja abaixo um resumo e CLIQUE AQUI para ler todas as matérias no blog.

Na quinta (23), sob orientação e com assistência jurídica da Record, duas delas registraram Boletim de Ocorrência por assédio sexual e difamação. E, no fim da tarde, mais cinco mulheres apresentaram queixa contra o profissional no RH. Souza nega as acusações e diz que são “revanchismo” de uma das denunciantes, uma produtora, repórter que atua atrás das câmeras na apuração de informações e agendamento de entrevistas e gravações. “Não houve nada, não assediei ninguém”, defende-se ele.

Uma das vítimas, a que Souza acusa de “revanchismo”(sua identidade será mantida em sigilo). Profissional premiada (tem até Prêmio Esso), ela conta que no último dia 8 estava sentada em sua mesa na Redação, na Barra Funda, em São Paulo. “Ele chegou por trás e me beijou na boca. Ficou mostrando a língua e saiu dizendo que roubado era mais gostoso. Foi nojento”, diz. A jornalista afirma que as abordagens inconvenientes “já vêm de muitos anos”, mas só decidiu denunciar Souza depois que o repórter começou a “difamá-la”. “Ele começou a gritar na Redação que eu era incompetente, que meu trabalho é uma bosta”, lembra a profissional.

Revanchismo

Souza confirma a discussão na Redação. “Eu reclamei com a chefia da qualidade das pautas dela, era roteiro que não tinha o nome do entrevistado, que não tinha informações”, diz. “Estou vendo isso como revanchismo. Tenho certeza de que ela está reagindo a uma observação que fiz sobre a qualidade do
serviço dela”, sustenta. O jornalista diz ser “de uma época em que se brincava [com mulheres]”, mas nega que tenha assediado as colegas. “Isso é um
grande mal-entendido”.

Afastamento e mais denúncias

Pelo menos duas mulheres que denunciaram o repórter Gérson de Souza à polícia por abuso sexual relataram a mesma abordagem: ele as acariciava em um dos braços enquanto dizia que estava pensando em suas nádegas. Na semana passada, o jornalista, um dos mais experientes da Record, foi acusado de assédio por 12 mulheres. A Polícia Civil, no entanto, só registrou três boletins de ocorrência.

“Ele chegava perto de você, pegava no braço e ficava alisando. Você ficava sem saber o que fazer, e ele falava: ‘Sabe por que é gostoso apertar essa parte do braço? Porque é como apertar a bunda. Ele alisava o meu braço pensando na minha bunda”, relatou, indignada, uma vítima ao Notícias da TV, sob a condição de não ter sua identidade revelada. “Não quero que dêem Google no meu nome e me vejam como vítima de assédio sexual”. Segundo a jornalista, que trabalhou com Souza durante cinco anos no Domingo Espetacular, a “brincadeira era recorrente”. “As pessoas em volta achavam engraçado, mas era tosco, constrangedor”, lembra ela.

Um dos boletins de ocorrência lavrados em uma delegacia de São Paulo por outra vítima, na última quinta-feira (23), relata situação idêntica. Souza teria apertado o braço da mulher, uma editora, e dito: “Que gostoso! Sabe por que é gostoso? É gostoso porque essa parte parece a bunda, lisinha, molinha”.
As abordagens do jornalista, que nega as acusações, incomodavam também quem não era vítima. Entre as 12 mulheres que procuraram a polícia, pelo menos três foram testemunhas de assédios ocorridos com outras pessoas, que não querem se expor.

“Ele era pegajoso, ficava acariciando, dando beijo de surpresa. Elas ficavam muito incomodadas, tentavam disfarçar, mas dava para perceber pelo olhar que elas queriam que ele parasse”, conta uma das mulheres que denunciaram Souza na condição de testemunha.
Segundo ela, as vítimas se sentiam intimidadas, por isso demoraram a denunciar o jornalista. “Por ser um repórter experiente, respeitado, mais velho, a gente sempre ficava com um pé atrás”, fala.

Os depoimentos das jornalistas da Record à Polícia Civil e ao departamento de Recursos Humanos da emissora indicam que Gérson de Souza abordava mulheres de 20 e poucos anos e também as com 40, morenas e loiras, quase todas jornalistas, chefes ou subordinadas. Entre as vítimas, havia até mulher grávida.

Segundo as mulheres, Souza teve um comportamento abusivo durante muitos anos, mas elas só denunciaram agora porque uma das vítimas, a que foi beijada na boca, decidiu levar o caso ao departamento de Recursos Humanos. A Record orientou as profissionais a procurarem a polícia e forneceu transporte e assistência jurídica. As duas primeiras denúncias à polícia foram feitas na quinta (23), como antecipou o Notícias da TV. Foi aberto um inquérito policial. Na sexta (24), mais dez funcionárias da Record foram à delegacia contra Souza. O número de supostas vítimas ainda é incerto. O repórter foi afastado de suas funções até 10 de junho, quando entrará oficialmente em férias. A Record só tomará uma decisão mais drástica ou revogará o afastamento quando se encerrarem as investigações policiais

Youtubers franceses são acusados de assediar fãs menores de idade

Squeezie, de 22 anos, causou polêmica ao afirmar que influencers assediam seguidoras menores de idade nas redes

PARIS – Uma nova onda de denúncias de assédio sexual, dessa vez dirigido a menores de idade, está ganhando forma entre usuários europeus na internet. A onda ganhou espaço depois que o youtuber francês Squeezie denunciou outros “influencers” que estariam usando o próprio prestígio adquirido na rede mundial para seduzir fãs com idades que podem chegar aos 14 ou 15 anos. Squeezie não citou nomes de seus colegas, mas nas redes sociais fãs vieram à tona para falar sobre os casos mais rumorosos envolvendo astros juvenis.

Segundo o youtuber, seus colegas teriam relações sexuais com jovens “psicologicamente frágeis”, valendo-se da fama e da possibilidade de contato direto com a audiência. As denúncias vieram a público depois que Lucas Hauchard, verdadeiro nome de Squeezie, de 22 anos, resolveu falar sobre o assunto.

Estrela na internet na França desde 2011, hoje com 11 milhões de seguidores no YouTube, site de vídeos da gigante americana Google, o jovem decidiu revelar as práticas de seus colegas, sem evocar seus nomes, em dois tweets publicados na segunda-feira, 6 de agosto.

“Os youtubers, inclusive aqueles que alegam ser feministas, aproveitam-se da vulnerabilidade psicológica dos jovens seguidores para conseguir relações sexuais. Nós estamos vendo”, disse o jovem, em um tweet replicado 48 mil vezes até a noite de domingo, 12. “A verdade acaba sempre por vir à tona.”

Em uma segunda mensagem, Squeezie se explicou, justificando o fato de não ter revelado os nomes. “Não quero fazer acusações precipitadas, mas os envolvidos não estão forçosamente entre os que vocês estão pensando”, ponderou. “Eu queria em um primeiro momento colocar o dedo na ferida dessas práticas e incitar os envolvidos a parar de forma imediata. Tratar do tema é complexo e precisa de tempo.”

A iniciativa detonou uma reação em cadeia nas redes sociais, em que fãs começaram a denunciar outros youtubers, seus assediadores, não raro fornecendo nomes e materiais de provas, como cópias de telas e diálogos. Com o passar das horas, uma hashtag sobre o assunto, #balancetonyoutuber – “denuncie seu youtuber” –, foi criada na internet sob a inspiração de outra iniciativa do gênero, a #BalanceTonPorc – “denuncie seu porco”, versão francesa do movimento #MeToo, que tomou a web no final de 2017.

Em meio às manifestações, várias jovens, entre elas meninas de 15 e 16 anos, relataram os casos de assédio que teriam enfrentado. Solicitações de “nudes”, fotografias de nus com ou sem identificação, são das mais usuais. Uma reportagem de investigação publicada dois dias depois pelo jornal Le Parisien confirmou casos com o que o jornal considerou provas do assédio.

Entre os nomes apontados com supostas evidências de assédio estão Wass Freestyle, FromHumanToGod, Math Podcast e Anthox Colaboy, todos estrelas do YouTube. Vários dos citados permaneceram em silêncio ou negaram qualquer atividade ilícita relacionada aos seus fãs na internet. Colaboy, de 29 anos, trocou mensagens com uma jovem de 15 anos, que testemunhou ao Parisien e à rádio Europe 1. “Você já fez (sexo)? Se você teve uma má experiência, eu garanto que na próxima vez vai ser diferente. (…) Se um dia nos virmos, eu te c… com prazer”, diz ele em mensagens mostradas pela jovem.

Em um vídeo, o acusado desmentiu as acusações. “Vocês estão sujando a minha imagem me fazendo passar por assediador de meninas”, protestou.

As denúncias em curso na França não são inéditas. Nos Estados Unidos, várias acusações semelhantes foram feitas contra “influencers”. Um deles, Austin Jones, responde a processo em liberdade desde o ano passado por ter solicitado“nudes” a suas seguidoras, menores de idade.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Empresa de transporte responde por assédio sexual de passageiro, decide STJ

O caso, inédito na corte, envolve uma mulher que sofreu assédio sexual dentro de uma estação, em 2014

Assédio sexual dentro dos transportes coletivos é caso fortuito interno, de responsabilidade objetiva da transportadora de passageiros. Assim entendeu a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (15/5), ao determinar que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos indenize em R$ 20 mil uma mulher vítima de ato libidinoso praticado por outro usuário, dentro do trem.

O caso, inédito na corte, envolve uma mulher que sofreu assédio sexual dentro de uma estação, em 2014. Ela contou que “foi importunada por um homem que se postou atrás da mesma, esfregando-se na região de suas nádegas”, e que ao se queixar com o agressor constatou que o homem estava com o órgão genital ereto. A vítima relatou ainda que, por ter reclamado do ato, outros usuários do trem a chamaram de “sapatão”.

O juízo de primeira instância havia rejeitado o pedido de indenização por danos materiais e morais, por entender que a CPTM não poderia responder por ato praticado por terceiros.

De acordo com a sentença, a transportadora não quebrou nenhum dever de vigilância e segurança e, naquele dia, deteve o autor dos atos após reclamação da vítima e o encaminhou à autoridade policial, conforme boletim de ocorrência. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o entendimento.

Já a relatora do recurso no STJ, ministra Nancy Andrighi, afirmou que o dano integra os riscos inerentes ao transporte, mesmo causado por terceiro. É dever da ré, segundo a relatora, zelar pela incolumidade do passageiro, levando-o, a salvo e em segurança, até o local de destino.

“Embora a recorrida – em cumprimento de seu dever – tenha localizado e conduzido o agressor à delegacia, nada mais fez para evitar que esses fatos ocorram. Há uma plêiade de soluções que podem talvez não evitar, mas ao menos reduzir a ocorrência deste evento ultrajante, tais como a disponibilização de mais vagões, uma maior fiscalização por parte da empresa, etc”, disse Nancy.

“Mais que um simples cenário ou ocasião, o transporte público tem concorrido para a causa dos eventos de assédio sexual. Em tal contexto, a ocorrência desses fatos acaba sendo arrastada para o bojo da prestação do serviço de transporte público, tornando-se assim mais um risco da atividade, a qual todos os passageiros, mas especialmente as mulheres, tornam-se sujeitos”, afirmou.

A ministra apontou que o assédio sexual tem crescido no estado de São Paulo, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública: entre janeiro e dezembro de 2017, houve aumento de 35% no número de ocorrências registradas, em relação ao mesmo período de 2016.

Problema histórico
A ministra disse ainda ser necessário proteger a “incolumidade físico-psíquica” das mulheres que sofrem assédios em transportes públicos no Brasil. “O ciclo histórico que estamos presenciando exige um passo firme e corajoso, muitas vezes contra uma doutrina e jurisprudência consolidadas. É papel do julgador, sempre com olhar cuidadoso, tratar do abalo psíquico decorrente de experiências traumáticas ocorridas durante o contrato de transporte”, disse Andrighi.

“Atos de caráter sexual ou sensual alheios à vontade da pessoa a quem se dirige – a exemplo de ‘cantadas’, gestos obscenos, olhares, toques não consentidos, entre outros – revelam manifestações de poder do homem sobre a mulher, mediante a objetificação sexual de seus corpos. Em que pese tenham natureza lasciva, esses atos servem, também, para a reafirmação da masculinidade e poder”, destacou a relatora.

A decisão desta terça-feira foi por maioria de votos. Ficou vencido o ministro Marco Aurélio Bellizze, presidente da 3ª Turma.

Questão controversa
A discussão sobre a responsabilidade objetiva do transportador, julgada agora pelo STJ, é recorrente no Judiciário paulista.

Das 16 câmaras do Direito Privado que julgaram recentemente o tema, só 6 reconhecem o dever de indenizar quando isso ocorre, conforme levantamento do Anuário da Justiça São Paulo.

Fonte: conjur

Médico é preso após suspeita de assédio sexual a pacientes em MG

Investigações da Polícia Civil indicam que o crime teria sido cometido em outras cidades mineiras

Duas pacientes podem ter sido vítimas de assédio sexual cometido por um médico plantonista da Santa Casa de Misericórdia, em Nepomuceno, no interior de Minas Gerais. O suspeito foi preso nesse domingo (15), apesar de a prisão preventiva ter sido decretada há alguns dias.

Investigações da Polícia Civil indicam que o crime teria sido cometido, também, em outras cidades mineiras e, quando o homem tomava conhecimento que os assédios estavam sendo descobertos, mudava de município. A defesa do médico não se pronunciou sobre o caso ainda.

Fonte: noticiasaominuto

Servidor da câmara de vereadores de SP é exonerado por assédio sexual

O servidor abordava as vítimas, que trabalham no setor de limpeza, e oferecia dinheiro em troca de sexo

Um servidor de carreira da Câmara Municipal de São Paulo será exonerado neste sábado (3) por assédio sexual praticado contra quatro funcionárias do órgão.

A exoneração é a primeira feita na câmara de vereadores da capital paulista com base na lei 16.488/2016, que reprime o assédio sexual no serviço público.

Uma investigação administrativa apurou que o servidor abordava as vítimas, que trabalham no setor de limpeza, e oferecia dinheiro em troca de sexo.

As denúncias de assédio chegaram ao conhecimento da presidência da câmara em setembro do ano passado, quando foram iniciadas as investigações.

O servidor, que não teve o nome revelado e nem o departamento onde atuava, trabalhava no órgão havia pouco mais de 30 anos -era contratado em regime CLT, mas detinha estabilidade porque passou a fazer parte do quadro de funcionários antes da Constituição Federal de 1988.

A assessoria de imprensa da câmara confirmou à reportagem que a exoneração do servidor será publicada no Diário Oficial que circulará neste sábado (3).

Em paralelo à sanção administrativa, o suspeito também responderá criminalmente. Uma investigação da Polícia Civil corre no 1º DP (Sé). Com informações da Folhapress.

Fonte: noticiasaominuto

Brasileiro diretor da ONU sai do cargo após acusação de assédio

O vice-diretor da agência de combate ao HIV e à Aids da Organização das Nações Unidas (ONU) não pleiteará um novo mandato no cargo, mas não é sensato associar sua saída a uma alegação de assédio sexual que se mostrou infundada, disse um porta-voz nesta sexta-feira.

A saída de Luiz Loures é a segunda de um funcionário de alto escalão da ONU em igual número de dias — Justin Forsyth, vice-diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), renunciou dizendo que não quer que a cobertura de seus erros passados prejudique a entidade.

Quarenta alegações de exploração e abuso sexuais foram feitas durante os últimos três meses de 2017 contra missões pacificadoras, agências, fundos e programas da ONU, além de parceiros de implantação, segundo informou a ONU na quinta-feira.

Uma queixa formal de assédio sexual foi apresentada contra Loures em novembro de 2016, mas um inquérito não encontrou sustentação para ela e o caso foi encerrado, informou a Unaids neste mês.

“A investigação independente feita pela divisão interna de serviços de supervisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou claramente que o caso era infundado e recomendou que o caso fosse encerrado”, disse o porta-voz Mahesh Mahalingam.

Loures, de 61 anos, teve uma carreira longa e distinta de quatro décadas de combate à Aids, incluindo 22 anos na Unaids, disse Mahalingam em um briefing à imprensa em Genebra.

“Ele sente claramente que é hora de fazer outra coisa”.

Mahalingam disse não fazer sentido ligar a saída de Loures às alegações de assédio, mas que o diretor-executivo da Unaids, Michel Sidibe, aceitou a decisão do brasileiro de não buscar a renovação de seu mandato, que termina em março.

Fonte: exame

 

Netflix não vai alterar segunda temporada de ’13 Reasons Why’ após denúncias de assédio

NOVA YORK — A já planejada segunda temporada de 13 Reasons Why, série da Netflix, não será afetada pelas recentes alegações de assédio sexual contra o autor Jay Asher.

A Netflix divulgou um comunicado na terça-feira, 13, dizendo que Asher não está envolvido na nova temporada, agendada para sair este ano. O serviço de streaming acrescentou que a série “não será impactada”.

O best-seller de Asher, de 2007, sobre uma adolescente suicida é a base da popular série. Na segunda-feira, 12, a Associação de Escritores de Livros Infantis e Ilustradores disse que Asher foi expulso da organização por reclamações de assédio. A Federação de Escritores de Oklahoma já cancelou um evento com o autor em maio.

Joan Marie e o autor Jay Asher, na premiere da primeira temporada de ’13 Reasons Why’, em março de 2017 Foto: Steve Cohn/Netflix via AP

Asher disse que escolheu deixar a Associação e que foi ele a vítima de um assédio. Em um e-mail, ele reconheceu ter envolvimentos “consentidos com adultos”.

“Estou envergonhado de mim mesmo e da dor que nossas ações causam em nossas famílias”, escreveu. “Durante a última década de assédios relacionados a esses envolvimentos, eu nunca retaliei. Vou seguir deixando meus acusadores na condição anônima para poupá-los de ainda mais sofrimento.”

Fonte: O Estado de S. Paulo