Governo ignorou cartas sobre 17 ativistas ameaçados em 2017, diz ONU

Relatores das Nações Unidas apontam que um defensor de direitos humanos é morto no Brasil por semana e país lidera em número de execuções

O governo brasileiro ignorou alertas das Nações Unidas sobre ameaças e mortes envolvendo pelo menos 17 ativistas de direitos humanos no país e suas famílias. As informações fazem parte de cartas confidenciais que relatores da ONU enviaram para Brasília no ano passado e obtidas pela reportagem. Nenhuma delas foi respondida, de acordo com o escritório de Direitos Humanos da ONU.

No dia 20 de novembro de 2017, relatores da ONU apontaram para as ameaças que seis defensores de direitos humanos estavam sofrendo em Minas Gerais. A lista enviada pela ONU inclui os nomes de Elias de Souza, Vanessa Rosa dos Santos, Reginaldo Rosa dos Santos, Lúcio Guerra Júnior, Patrícia Generoso e Lúcio da Silva Pimenta, assim como de seus parentes.

De acordo com a ONU, eles teriam sido ameaçados depois de abrir processos na Justiça contra projetos de mineração nos estados de Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Na carta, os relatores das Nações Unidas apontam para o Projeto Minas Rio, “operado pela empresa Anglo American Minério de Ferro Brasil S.A.”.

Um dos ativistas ameaçados seria Lúcio Guerra Júnior, fundador do movimento Reaja e defensor de direitos ambientais no contexto do projeto de mineração. Além de ameaças recebidas nas redes sociais, ele recebeu várias ligações telefônicas nos dias 17 e 24 de abril de 2017 oferecendo “serviços funerários”.

Em uma outra carta, os relatores da ONU também alertam para os assassinatos de onze defensores de direitos humanos, desta vez no Pará.

Um deles era Rosenildo de Almeida e foi morto em 7 de julho de 2017. Outros dez ativistas foram executados em 24 de maio, entre eles Antônio Pereira Milhomem, Bruno Henrique Pereira Gomes, Hércules Santos de Oliveira, Jane Júlia de Oliveira, Nelson Souza Milhomem, Ozeir Rodrigues da Silva, Regivaldo Pereira da Silva, Ronaldo Pereira de Souza, Weldson Pereira da Silva e Weclebson Pereira Milhomem.

Recorde
Na avaliação dos relatores, um ativista de direitos humanos morre no Brasil por semana. E isso apenas contando aqueles que trabalham com assuntos ambientais e de acesso a terras.

“Nos últimos 15 anos, o Brasil tem assistido ao maior número de assassinatos de ativistas ambientais e de terra em todo o mundo, chegando a uma média de uma morte por semana. Os povos indígenas estão especialmente ameaçados”, denunciaram no ano passado, em uma carta, a relatora da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli Corpuz, o relator sobre defensores de direitos humanos, Michel Forst e o relator sobre meio ambiente, John Knox, além do relator da CIDH para os direitos dos povos indígenas, Francisco José Eguiguren Praeli.

Fonte: Metropoles

Ativistas fazem ato pelo fim da violência contra moradores de rua e LGBTs

Ativistas fazem ato pelo fim da violência contra moradores de rua e LGBTs

“É a realidade que a gente vive todos os dias. Nós gays estamos morrendo, caçados como bruxas”, protestou o ativista LGBT Agripino Magalhães.

Ativista fizeram hoje (16/1) um ato contra a violência contra a população de rua e LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) na Estação Dom Pedro II do metrô, na região central ca capital paulista. No último dia 25 de dezembro, o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas foi espancado até a morte no local ao tentar defender duas travestis de uma agressão.

O grupo lembrou que desde aquela data ocorreram pelo menos outros dois crimes relacionados ao preconceito contra LGBTs. O jovem Itaberli Lozano, de 17 anos, morreu após ser esfaqueado em Cravinhos, interior paulista, sendo que a mãe e o padrasto são os principais suspeitos do crime. No fim de semana, um rapaz foi espancado na Rua Augusta, na região central paulistana, ao pedir socorro durante um assalto. Um homem que passava no local não só deixou de prestar ajuda, como atacou a vítima e justificou a ação com declarações homofóbicas.

O padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, destacou que esse tipo de crime tem aumentado, junto com o crescimento da população LBGT que vive nas ruas. “O grupo LGBT na rua aumenta muito e muitas dessas pessoas têm sido agredidas, como esse que estava hoje de manhã na nossa Paróquia São Miguel Arcanjo”, disse em referência ao caso de outro rapaz que, segundo o religioso, pediu auxílio a ele na manhã de hoje.

Lancelotti mostrou imagens dos ferimentos do jovem que esteve na igreja com o relato de que foi agredido por tentar defender um amigo homossexual. A vítima, no entanto, preferiu, de acordo com o padre, não registrar boletim de ocorrência. “São muitas essas pessoas. Nem todos esses casos estão registrados, mas são muitas as pessoas que estão sendo agredidas”, enfatizou o religioso.

“É a realidade que a gente vive todos os dias. Nós gays estamos morrendo, caçados como bruxas”, protestou o ativista LGBT Agripino Magalhães. Ele ressaltou que é fundamental que as vítimas de crimes de ódio exijam que o registro policial inclua essa especificação. “Os delegados em todo o estado de São Paulo são obrigados a especificar o tema da homofobia no boletim de ocorrência”, ressaltou.

Fonte: correiobraziliense