BBC vai cortar 450 empregos para economizar dinheiro

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A BBC está cortando o programa Victoria Derbyshire e anunciando outros cortes em uma tentativa de economizar 80 milhões de libras

 A rede inglesa BBC, que produz reportagens em todo o mundo cortará 450 empregos como parte de uma tentativa de economizar dezenas de milhões de libras, anunciou o diretor de notícias da corporação.

Fran Unsworth, diretor de notícias e assuntos atuais da BBC, disse que a empresa estava cobrindo muitas notícias por dia e precisava trabalhar de maneira mais inteligente.

Ele disse que haveria uma mudança de foco para o digital.

O plano divulgado nesta quarta-feira à tarde, segundo fontes da reunião, prevê a perda de 450 empregos, um corte no orçamento de filmes do Newsnight e uma redução no número de apresentadores.

Também haverá perda de empregos no 5Live e alguns programas em inglês de serviço mundial serão encerrados.

Em vez de jornalistas designados para equipes específicas, haverá um grupo de jornalistas que trabalham em matérias para todos os meios de comunicação.

Unsworth disse: “Precisamos remodelar a BBC News para a próxima década de uma maneira que economize quantias substanciais. Estamos gastando muito de nossos recursos na transmissão linear tradicional e insuficiente no digital.

“Nosso dever como emissora de capital aberto é informar, educar e divertir todos os cidadãos. Mas há muitas pessoas neste país que não estamos servindo bem o suficiente”.

As mudanças significarão que mais jornalistas estarão baseados fora de Londres, e haverá mais investimentos no aplicativo de notícias da BBC, para torná-lo mais “intuitivo” e com “maior personalização”.

Isso ocorre quando a empresa tenta economizar 80 milhões de libras para lidar com as pressões financeiras em andamento, como pagar a taxa de licença para maiores de 75 anos no crédito de pensão.

Os planos para acabar com o show de Victoria Derbyshire foram divulgados antes do anúncio, com a apresentadora dizendo que estava “arrasada”. Uma petição para salvá-la já recebeu dezenas de milhares de apoiadores.

Lord Hall, diretor-geral da BBC, anunciou na semana passada que deixaria o cargo no verão.

Em comentários de um evento de mídia publicado no Daily Telegraph, ele disse que a BBC havia contribuído para um discurso tóxico através do jornalismo político que, segundo ele, pretendia “pegar” os políticos.

Ele acrescentou que era um “grande crente na entrevista longa, onde você pode explorar longamente”.

Unsworth disse que a decisão de cortar o programa de Derbyshire “não foi fácil”, mas disse que o programa “não é mais econômico”.

Derbyshire, 51, disse que descobriu os planos em um jornal.

A empresa também foi envolvida em escândalos de disputas salariais e teve que pagar à apresentadora de rádio Sarah Montague um acordo de £400.000.

Samira Ahmed também ganhou no tribunal de trabalho a remuneração igual.

Via SkyNews

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Jornalista da BBC se demite por discriminação salarial

A jornalista da BBC Carrie Gracie anunciou nesta segunda-feira (8/1) sua demissão como correspondente na China em decorrência da discriminação salarial entre homens e mulheres no meio de comunicação britânico.

Em uma carta, a profissional, que estava na empresa há mais de 30 anos, revelou que “os dados mostraram uma indefensável brecha salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo trabalho”.

Tubarões atacam equipe da BBC em submarino durante gravação de documentário

Uma equipe da BBC foi atacada por tubarões durante uma gravação para o “Blue Planet II”, série de documentários sobre o fundo do mar. A equipe estava dentro de um minisubmarino a 700 metros de profundidade para descobrir o que acontece com a carcaça de baleia quando chega às profundezas do oceano. Ao se deparar com o corpo do animal, a equipe teve uma segunda surpresa: um grupo de tubarões que se alimentava da baleia.

Nas imagens, é possível ver a agressividade dos tubarões competindo pela comida. Eles chegam a morder uns aos outros para abrir espaço até a carcaça da baleia. Ao perceberem o minisubmarino, os tubarões começam a bater no vidro da embarcação e a empurrá-la, assustando os pesquisadores.

“Eles estão empurrando a gente. Vocês viram isso? O submarino é muito forte, mas eles são tão grandes e fortes. Confesso que estou com um pouco de medo”, diz um dos pesquisadores, em meio ao barulho das cabeçadas dos tubarões.


O vídeo com o ataque foi publicado no canal da emissora no Youtube no sábado e teve mais de 1,3 milhão de visualizações desde então.

Fonte: oglobo

 

Falso fotógrafo brasileiro engana imprensa mundial com fotos e textos surreais; até a BBC foi vítima

Eduardo Martins chegou a arregimentar 120 mil seguidores no Instagram e teve “reportagens” e fotos publicadas em grandes veículos

A chamada “grande imprensa” não resiste a estereótipos, ainda mais se quem os encarna for loiro, dos olhos claros e com discurso humanitário. Foi assim que um tal de “Eduardo Martins”, suposto paulistano de 32 anos, se dizendo “fotógrafo da ONU” e que havia superado abusos na infância e uma leucemia no início da vida adulta e se lançara às principais zonas de guerra do mundo, entre elas Iraque e Síria, para registrar o sofrimento humano.

Ninguém checou, e todos caíram. BBC, Recount Magazine, The New York Times e a Vice, todas publicações respeitadas, mas que não resistem as essas histórias fantasiosas publicaram reportagens, entrevistas e fotos do golpista brasileiro que ainda não foi descoberto e que, após ser avisado que estavam lhe investigando anunciou a um desavisado pela seguinte mensagem “fala irmão. Tô na Austrália, tomei a decisão de passar um ano em uma van rodando o mundo. Vou cortar tudo inclusive internet, tb (também) deletei o IG (Instagram). Quero ficar em paz. A gente se fala qd (quando) eu voltar. Abraços”. E na sequência: “Valeu. Vou deletar aqui o zap. Fica com Deus“.

E foi assim que ele sumiu, sem deixar vestígios, mas envergonhando as redações das principais agencias ocidentais. E quem conta essa história é a própria BBC Brasil, que em julho desse ano chegou a publicar extenso artigo usando o fake como fonte. Veja abaixo como a BBC narra seu infortúnio:

Em 7 de julho de 2017, a BBC Brasil publicou um texto apresentando fotos e vídeos que seriam de autoria de um brasileiro que se apresentava para seus mais de 100 mil seguidores no Instagram como Eduardo Martins, fotógrafo da ONU. Após a publicação do conteúdo, surgiram suspeitas não apenas sobre a autoria das imagens enviadas como também sobre a verdadeira identidade de Martins. A BBC Brasil começou a investigar o caso há um mês e, pouco a pouco, os elementos de uma história construída por dois anos começaram a ruir. Diante das suspeitas e do risco de violação de direitos autorais, o conteúdo original foi retirado do ar. Pedimos desculpas a nossos leitores pelo engano. O caso servirá para reforçar nossos procedimentos de verificação. Conheça o caso:

Montagem com imagens do suposto fotógrafo
Image captionO suposto fotógrafo Eduardo Martins gostava de mostrar nas redes sociais suas viagens pelo mundo | Reprodução/Instagram

A história era de grudar os olhos na tela: um fotógrafo brasileiro, jovem, loiro e bonito, que havia superado abusos na infância e uma leucemia no início da vida adulta e se lançara às principais zonas de guerra do mundo, entre elas Iraque e Síria, para registrar o sofrimento humano. O resultado do trabalho eram imagens com alma, que poderiam estampar as páginas de qualquer publicação jornalística do mundo. O problema é que grande parte desta história era mentira.

Eduardo Martins, suposto paulistano de 32 anos, se apresentava em seu perfil no Instagram, onde tinha 127 mil seguidores, como fotógrafo da Organização das Nações Unidas (ONU) nem campos de refúgio. Descrevia seu cotidiano com grandiloquência heroica.

“Uma vez, durante um tiroteio no Iraque, eu parei de fotografar para ajudar um menino que tinha sido atingido por um molotov e o retirei da zona de tiro. Eu paro de ser fotógrafo para ser um ser humano”, afirmou em uma entrevista para a publicação estrangeira Recount Magazine, em outubro de 2016.

O depoimento vinha ricamente ilustrado por imagens de conflitos em Gaza, na Síria, no Iraque – as mesmas que ele postava em seu perfil de Instagram.

Ali dizia ainda que gostava de surfe – intercalava a publicação de fotos sangrentas a supostas imagens suas sobre pranchas em praias que dizia serem na Austrália. Entre seus feitos, relatava ter até mesmo dado aulas do esporte a crianças na Palestina.

A cada reportagem ou foto que emplacava, Eduardo procurava novos veículos que publicassem seu material. Usava como provas de sua autenticidade o que já havia saído sobre ele na imprensa, além da grife ONU. No Instagram, publicava reproduções de páginas que teriam usado seu trabalho, como o jornal americano The Wall Street Journal.

Para aumentar a veracidade do que dizia, deixava públicos comentários calorosos de “amigos”. Entre os cumprimentos estavam elogios de um suposto repórter do The Wall Street Journal chamado Thomaz Griffin, por uma dessas publicações na imprensa internacional. A redação do diário americano afirmou à BBC Brasil que não emprega nenhum jornalista com esse nome.

Imagem publicada no jornal
Image captionImagem do americano Daniel C. Britt foi publicada invertida no jornal Wall Street Journal, método usado pelo suposto brasileiro Eduardo Martins | Foto: Reprodução

Ao mesmo tempo, por meio do Instagram, Eduardo se aproximou e conquistou a confiança de pessoas reais, conhecidas no meio.

Foi o caso do fotógrafo brasileiro Marco Vitale, que chegou a recomendar suas fotografias para editores de diversos veículos nacionais. Ele foi virtualmente apresentado a Eduardo por uma pessoa real, que teria sido namorada do fotógrafo. Falando à BBC Brasil ele se questionou se seria “o culpado” por promovê-lo no país.

Outra profissional renomada que mantinha contato frequente com ele era a romena radicada nos EUA Diana Alhindawi. Ela contribui frequentemente para o jornal americano The New York Times a partir de zonas de guerra e, em conversa com a reportagem, se mostrou surpresa com as suspeitas que recaíam sobre Eduardo.

Em suas postagens de Instagram, Eduardo se mostrava intensamente envolvido no cotidiano das guerras. Chegou a lamentar a morte de um fotógrafo amigo identificado na rede com o perfil @shadikadar, vitimado em um ataque a bomba na Faixa de Gaza. O luto foi apoiado por diversos comentaristas, que ignoravam que @shadikadar era provavelmente mais uma mentira do suposto fotógrafo.

Não existe na internet qualquer outra menção ao nome além daquela feita na mensagem fúnebre do próprio Eduardo.

Em junho deste ano, ele chegou à BBC Brasil. Ofereceu sua história e suas fotos gratuitamente. Recusou-se a falar por telefone, sob a justificativa de que estava no front em Mossul, no Iraque, espaço disputado pelas forças de segurança do país e pelo grupo extremista autodenominado Estado Islâmico. Mandava mensagens de voz por WhatsApp, sempre como arquivos de áudio, nunca instantaneamente gravadas.

CLIQUE AQUI para ler a reportagem na íntegra na BBC Brasil

Os animais que conseguem escapar vivos após serem devorados

Em 2012, biólogos que participavam de uma expedição ao Timor Leste, no sudeste da Ásia, flagraram uma cobra-cega-de-Brahminy rastejando de um lugar bastante inesperado: o traseiro de um sapo asiático comum.

A dupla de animais foi encontrada embaixo de uma pedra.

O ineditismo do acontecimento se deu por dois motivos. Foi a primeira vez que uma presa foi observada saindo viva após a digestão por um sapo.

Também porque, até então, nunca se vira um animal tão grande quanto uma cobra-cega escapar com vida após passar por um canal digestivo.

“É muito surpreendente que um vertebrado, que tem pulmões, seja capaz de sobreviver”, diz Mark O’Shea, da Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido.

Probabilidades

Larvas e pequenos invertebrados marinhos podem passar ilesos por alguns predadores.

Mas presas maiores estão sujeitas a serem mastigadas até a morte. Mesmo que consigam se esquivar, viajar pela garganta inteira do predador pode ser muito complicado.

E, se conseguirem, encontrarão um desafio maior ainda.

A maioria das presas não conseguiria sobreviver à exposição aos ácidos gástricos que decompõem tecidos no estômago de um predador. Enfrentar a falta de oxigênio na profundidade do sistema digestivo é outro problema.

No entanto, para as presas engolidas por um sapo ou uma ave, as possibilidades de sobrevivência podem ser um pouco mais altas.

A cobra-cega-de-Braminy pode fazer uma viagem bastante interessante ao ser comida por um sapoDireito de imagemDONG LEI/NATUREPL.COM
Image captionCobra-cega-de-Braminy pode fazer uma viagem bastante interessante ao ser comida por um sapo

Esses animais costumam empurrar os alimentos para o fundo da garganta antes de os engolir, o que pode aumentar a probabilidade de que a presa entre no sistema digestivo sem grandes danos.

Isso ajuda a explicar como um anfíbio extremamente tóxico – a Taricha granulosa, um tipo de salamandra – consegue sobreviver após ser engolida por uma rã.

Ao entrar no estômago da rã, as toxinas liberadas pela salamandra matam o predador antes que seu suco digestivo comece a funcionar.

A partir daí, o anfíbio só precisa sair pela boca da rã morta.

Porta dos fundos

Mas a cobra-cega-de-Brahminy não matou seu anfitrião e ainda seguiu um caminho muito mais longo, através do intestino, para sair do sapo.

A cobra pode estar melhor equipada do que a maioria das espécies por ter um corpo comprido e esguio de poucos milímetros de comprimento.

O’Shea diz acreditar que a cobra tenha se arrastado pelo intestino do sapo em vez de simplesmente ter sido carregada pelas contrações musculares que empurram os alimentos.

Um fator que poderia ter facilitado esse trajeto são os hábitos alimentares do sapo.

Pode ser que ele não tenha comido muito nas horas antes de abocanhar a cobra, o que significa que o caminho pelo seu intestino poderia estar vazio e ser feito mais rapidamente, reduzindo a exposição da cobra-cega aos ácidos digestivos.

Mas sua pele provavelmente foi sua melhor proteção.

Taricha granulosaDireito de imagemVISUALS UNLIMITED/NATUREPL.COM
Image captionTaricha granulosa, um tipo de salamandra, também pode sobreviver à viagem pelo intestino de um sapo

As escamas unidas estreitamente e em sobreposição que ajudam as cobras-cegas a se movimentar na terra provavelmente bloquearam os sucos gástricos, impedindo que chegassem a seus tecidos e órgãos delicados.

É provável que o maior problema que a cobra-cega tenha enfrentado tenha sido a longa falta de oxigênio.

Os pesquisadores não sabem quanto tempo a cobra levou em sua viagem pelo intestino do sapo. Mas, ainda que a tenham visto sair de lá com vida, ela morreu cerca de cinco horas depois.

Menos oxigênio

Os caracóis podem ser viajantes gástricos melhores que as cobras-cegas, já que conseguem viver com menos oxigênio.

Em estudo publicado em 2011, Shinichiro Wada e seus colegas da Universidade de Tohoku, no Japão, alimentaram pássaros japoneses do olho-branco com caracóis terrestres (Tornatellides boeningi) para ver se eles conseguiriam passar ilesos pelo sistema digestivo.

Cerca de 15% deles sobreviveram à viagem, que levou entre 20 e 120 minutos, revelando pela primeira vez que caracóis terrestres podem sobreviver à digestão por outros animais.

Pássaro japonês do olho-brancoDireito de imagemALAMY
Image captionHá certos tipos de caracóis que podem sair vivos de um pássaro japonês do olho-branco

A resistência dos caracóis provavelmente se deve às suas conchas, que funcionam como uma armadura natural.

As conchas das espécies examinadas, de aproximadamente 2,5 milímetros de comprimento, foram recuperadas intactas nas fezes das aves, enquanto as das espécies maiores foram despedaçadas.

Os pesquisadores acreditam que os caracóis também possam produzir uma secreção que fornece proteção adicional ao ambiente ácido, mas essa ideia ainda precisa ser comprovada.

Sobreviventes

Outro inesperado viajante intestinal é uma espécie de verme nematóide chamado Caenorhabditis elegans.

Hinrich Schulenburg e sua equipe da Universidade de Kiel, na Alemanha, encontraram nematóides nos intestinos de lesmas no norte do país.

Minutos depois, eles foram surpreendidos ao encontrar os vermes vivos nas fezes das lesmas.

“Parece que eles são ingeridos por via oral, o que é estranho (que eles sobrevivam), porque as lesmas têm um órgão moedor que poderia destruí-los”, diz Schulenburg. “Também não sabemos como eles sobrevivem ao ambiente ácido.”

As viagens intestinais são raras em animais terrestres, mas parecem ser mais comuns em ambientes aquáticos.

MexilhõesDireito de imagemALAMY
Image captionMexilhões conseguem passar através das anêmonas marinhas

Casper Van Leeuwen e colegas da Universidade de Utrecht, na Holanda, descobriram que alguns caracóis aquáticos adultos continuam vivos depois de passar pelos patos-reais (Anas platyrhynchos).

As fêmeas de uma espécie de ostrácodos (um crustáceo invertebrado) também conseguiram sobreviver no intestino do peixe-ventosa (Gobiesox barbatulus). Os mexilhões também conseguem passar por anêmonas marinhas comuns e evitar a digestão se suas conchas estiverem hermeticamente fechadas.

Propagação da espécie

Considerando que parecem ser razoavelmente comuns, as viagens pelos sistemas digestivos poderiam ser uma maneira importante de transporte para espécies de menor mobilidade, permitindo que elas colonizem lugares mais distantes.

Esse parece ser o caso dos caracóis que Wada e sua equipe observaram. Eles foram recolhidos de Hahajima, uma das ilhas Ogasawara no Japão. Seu padrão de distribuição nas ilhas no entorno parecia fazer sentido apenas para um animal com asas.

E a transferência genética entre populações de caracóis geograficamente distantes também poderia ser explicada pelo transporte intestinal.

A equipe que Wada percebeu que as áreas com alta densidade de pássaros japoneses do olho-branco – espécies nas quais os caracóis eram capazes de sobreviver – também tinham caracóis geneticamente mais diversos.

O Caenorhabditis elegans sobrevive ao ataque intestinal das lesmasDireito de imagemALAMY
Image captionCaenorhabditis elegans sobrevive ao ataque intestinal das lesmas

“Esses resultados indicam fortemente que os caracóis terrestres podem ser espalhados por aves predadoras”, diz Wada.

Um dos primeiros casos de um inseto usando esse tipo de transporte interno para se espalhar foi documentado em 2014 por Jan-Jakob Laux e sua equipe na Universidade de Hamburgo, na Alemanha.

Os especialistas suspeitam que os ovos de um besouro aquático, Macroplea mutica, sejam dispersos pelos patos-reais, já que eles conseguem sair intactos de seu sistema digestivo.

A ampla distribuição desses insetos em toda a região Paleártica (que abrange África, Europa, o norte dos países árabes, a Ásia ao norte do Himalaia, o Japão e a Islândia) é um mistério, já que eles não têm tanta capacidade de locomoção.

Efeito adverso?

Mas se os predadores estão digerindo animais vivos sem saber, isso pode ter algum impacto para sua saúde?

Os parasitas intestinais, por exemplo, frequentemente chegam até um animal pela água e pela comida e se instalam em seus intestinos.

Mas além da relação parasitária que eles estabelecem com os animais, estes “viajantes gástricos” também podem trazer benefícios a seus hospedeiros.

Segundo Hinrich Schulenburg, alguns deles, por se alimentarem de bactérias, podem ajudar a diversificar o microbioma dos intestinos por onde viajam.

A cobra-cega-de-Brahminy, porém, provavelmente causou pouco impacto no sapo que a comeu, para além da estranha sensação de ter um animal se movendo dentro de seu estômago e intestinos.

“O sapo só pareceu estar um pouco envergonhado”, brica O’Shea. Afinal de contas, ele tinha uma cobra saindo de seu traseiro.

Equipe da BBC é atacada na China e forçada a assinar confissão

Equipe da BBC é atacada na China e forçada a assinar confissão

Jornalistas foram barrados por homens ligados às autoridades locais, ao tentarem realizar uma entrevista na zona rural chinesa

Uma equipe de reportagem da rede britânica BBC foi atacada na China por homens ligados ao regime e forçada a assinar uma confissão de “entrevista ilegal”, relatou um de seus jornalistas.

O repórter John Sudworth e seus colegas foram à zona rural chinesa, na província de Hunan, para entrevistar uma mulher que alega que seu pai foi morto durante uma disputa por terras com o governo. “Assim que chegamos na vila de Yang Linghua ficou claro que estavam nos esperando”, escreveu Sudworth.

A equipe da BBC foi imediatamente bloqueada por cerca de vinte homens, que empurraram Sudworth e tomaram as câmeras dos jornalistas. Depois de terem os equipamentos danificados, o grupo decidiu deixar o vilarejo, mas foi parado por policiais, sem uniforme, e dois representantes do governo local.

Segundo Sudworth, os repórteres foram obrigados a apagar algumas filmagens, além de assinar uma “confissão por conduzir entrevista ilegal”, apesar de não terem chegado à fonte. No documento, se desculpavam oficialmente por “comportamento que resultou em impacto negativo”.

“A história com a qual acabamos revela mais sobre o exercício de poder na China do que qualquer entrevista poderia”, escreveu Sudworth. A intenção da reportagem era acompanhar Linghua até Pequim, onde apelaria ao governo central para intervir em seu favor, no caso de violência contra seu pai. Anualmente, milhares de chineses tentam esse caminho para resolver empecilhos com as autoridades locais, mas diversos casos acabam em violência ou detenções injustificadas.

De acordo com BBC, Linghua foi colocada em “prisão domiciliar ilegal” depois do episódio, assim como ocorreu com sua irmã e sua mãe quando tentaram contatar o governo central. Sobre a confissão forçada, Sudworth escreveu: “Foi uma negociação unilateral, mas pelo menos nos deram uma saída – um luxo negado aos peticionários que se encontram em situações similares de intimidação e abuso”.

Fonte: veja.com

Casa Branca proíbe ‘NY Times’, CNN e BBC de ir a coletiva de imprensa

Casa Branca proíbe 'NY Times', CNN e BBC de ir a coletiva de imprensa

Em rota de colisão com jornais e TVs, Trump vira alvo de boicote de veículos de mídia.

Jornalistas do “New York Times” e do “Los Angeles Times”, da CNN, da BBC e do site especializado “Politico” foram impedidos de assistir à coletiva do secretário de imprensa do presidente Donald Trump na sexta-feira. Esta foi a violação mais marcante no contexto das difíceis relações entre a atual Casa Branca e a imprensa. Repórteres da revista “Time” e da Associated Press, que deveriam participar da coletiva, optaram por não comparecer, em protesto, contra as ações da Casa Branca. No mesmo dia, Trump cobrou veículos de comunicação para que deixem de usar fontes anônimas — prática usada no jornalismo em todo o mundo.

Os repórteres do “Times”, da CNN e do Politico não foram autorizados a entrar no gabinete da Ala Oeste do porta-voz Sean Spicer. Assistentes permitiram a entrada de repórteres de apenas um grupo de organizações de notícias escolhidas a dedo que, segundo a Casa Branca, haviam sido previamente confirmadas para participar: o site “Breitbart News”, a One America News Network e o “Washington Times”, todos com tendências conservadoras populistas. Jornalistas de ABC, CBS, “Wall Street Journal”, Bloomberg e Fox News também participaram.

“Nada como isso aconteceu na Casa Branca em nossa longa história de cobrir várias governos de diferentes partidos”, disse Dean Baquet, editor-executivo do “Times”, em um comunicado. “Protestamos fortemente contra a exclusão do ‘New York Times’ e das outras organizações de notícias. O livre acesso da mídia a um governo transparente é obviamente de crucial interesse nacional.”

A Associação dos Correspondentes da Casa Branca, que representa o corpo de imprensa em contato direto com o governo, repreendeu rapidamente as ações.

“A associação está protestando fortemente contra a forma como o silenciamento de hoje está sendo tratado pela Casa Branca “, disse o presidente da associação, Jeff Mason, em um comunicado. “Nós encorajamos as organizações que foram permitidas a compartilhar o material com os outros na imprensa que não foram. O conselho discutirá isso com o pessoal da Casa Branca.”

Ataques Repetidos

A ação ocorreu horas após Trump atacar a imprensa em um discurso na Conferência da Ação Política Conservadora.

— Você não pode permitir que (os jornalistas) utilizem fontes a menos que mencionem o nome de alguém — disse. — Uma fonte disse que Donald Trump é um ser humano horrível. Pois que me digam na cara. Que não haja mais fontes.

O presidente mostrou-se irritado com as reportagens atribuídas a fontes anônimas, em especial aos numerosos informes sobre contatos entre seus colaboradores e os russos, que a Casa Branca rejeitou energicamente. A reportagem do “Times” usou nove fontes sob anonimato.

— Há três dias eu disse que eles são inimigos do povo, e eles são. Eles falaram em nove fontes e não citaram uma nominalmente. Eu sei com quem eles falam.

Durante os dez minutos em que falou sobre o tema, o presidente americano disse ainda que não se oporia a toda a imprensa, mas só “aos meios de notícias falsas”.

— As notícias falsas não dizem a verdade. Não representam o povo. Nunca representarão o povo e faremos algo a respeito.

 

Fonte: oglobo.com

PT ‘curtiu demais o poder’, diz livro britânico sobre trajetória do partido

O Partido dos Trabalhadores está tão desgastado que perdeu todas as chances de vencer as eleições de 2018. Tal diagnóstico não vem de adversários da legenda no Brasil, mas de duas experientes observadoras britânicas do cenário político brasileiro

No livro Brazil Under the Workers’ Party: From Euphoria to Despair (Brasil sob o PT: da Euforia ao Desespero, em tradução livre), publicado pelo Latin American Bureau no início do mês, as jornalistas Sue Branford e Jan Rocha traçam um retrato desalentador do partido, a quem acusam de ter se preocupado em demasia com sua permanência no poder.

Branford, durante anos especialista da BBC em assuntos latino-americanos, argumenta que uma derrota eleitoral em três anos pode ser uma “bênção disfarçada” para o PT, uma chance de o partido repensar seus rumos e se reconectar com suas raízes ideológicas, uma tarefa nada fácil.

“Entrevistamos membros fundadores do PT e eles mesmos expressaram dúvidas sobre a capacidade de recuperação do partido. Essa crise é séria não apenas para o PT, mas para a esquerda brasileira”, avalia a britânica.

Ela e Rocha, colaboradora da BBC e do jornal The Guardian no Brasil, são contundentes na análise da ascensão do PT ao poder. Embora definam como necessário o jogo de alianças com partidos ideologicamente opostos, as britânicas criticam a direção escolhida após o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

AFP
As autoras dizem que PT “perdeu o foco” no governo Dilma

“O PT no primeiro mandato de Lula foi imenso, especialmente no que diz respeito à redução dos níveis de pobreza no Brasil”, diz Rocha. “Mas o partido acabou simplesmente curtindo demais o poder, o que é até compreensível para quem jamais o tinha ocupado.”

“O PT perdeu o foco, que era o de trazer as mudanças prometidas como alternativa à política tradicional no Brasil. Mesmo a política econômica ficou aquém das reformas que eram necessárias para que o país agora não se visse em situação ruim, o que só piora a questão política”, diz Rocha.

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Lula e o que ‘deu errado’

Lula recebe atenção especial de Branford e Rocha na análise do que “deu errado”. Se elogiam a transformação do ex-presidente – de figura temida pelas elites a estadista -, as jornalistas revelam decepção com sua atuação na articulação política.

“O PT tinha um problema grave para governar. Era um partido minoritário que precisava ter controle do Legislativo em um sistema político altamente corrupto”, analisa Branford. “O compromisso era necessário, mas o PT também tinha a chance de continuar lutando por mudanças, sobretudo usando os movimentos sociais, para enfrentar problemas também como a corrupção. Mas terminou negando suas origens”.

AFP
O estrago na imagem do partido também afetaria as chances de uma volta de Lula à presidência

O estrago na imagem do PT, na opinião das jornalistas, pode ter sido grave o suficiente para danificar seriamente as chances de uma possível candidatura de Lula à Presidência em 2018.

“Lula perdeu parte de seu brilho, de seu poder”, completa Branford.

Rocha aponta para o que classifica como um vácuo no partido: a ausência de uma alternativa forte que tenha uma imagem desvencilhada do desgaste de Lula e Dilma Rousseff ou que represente uma “reinvenção” do PT.

Rocha diz achar improvável o surgimento de uma nova liderança mais associada às origens esquerdistas do partido – nos moldes do que ocorreu com o Partido Trabalhista britânico, que escolheu o “azarão” Jeremy Corbyn como novo líder -, mas elogia o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

“Haddad é um nome prestigiado, mas não o vejo com um apelo nacional forte o suficiente. Sobretudo porque um dos principais problemas é enfrentar uma mídia que, no Brasil, tem um forte sentimento anti-PT. O escândalo de corrupção da Petrobras, por exemplo, tem praticamente todos os partidos envolvidos, mas a mídia tem se concentrado no envolvimento do PT”.

BBC
Domínio do Congresso pela direita pode ajudar missão de recuperação do PT

Para as autoras, embora a direita tenha sido derrotada na eleição presidencial, ela agora se mostra “mais poderosa e perigosa que nunca”. Branford e Rocha veem o Congresso como o principal problema político para o segundo mandato de Dilma e criticam a aliança do PT com o PMDB.

No entanto, acreditam que a guinada do Legislativo à direita pode acabar dando um impulso ao processo de recuperação do partido.

“Muitos brasileiros acreditam que o Congresso não está fazendo o trabalho que deve e que o país precisa de uma reforma política”, escrevem as britânicas.

Mesmo assim, a visão das jornalistas do futuro do PT é pessimista.

“O PT perdeu muito de sua legitimidade por ter perdido a chance de fazer reformas mais profundas na sociedade brasileira. Não há mais a imagem de partido ético e é bem possível que a alternativa para o futuro da esquerda brasileira esteja em outro movimento político de esquerda”, acredita Branford.

“Não sabemos se o PT vai se recuperar de tudo o que aconteceu nos últimos anos”.

Informações e fotos BBC – AFP